Com o passar do tempo, a Remedy, conhecida por jogos como Alan Wake, Quantum Break e Control, acabou unindo seus títulos em um pequeno universo compartilhado, arquitetado por Sam Lake. Agora, a empresa decidiu tentar expandir esse mundo em busca de mais sucesso financeiro, já que todos esses jogos não foram exatamente best-sellers, apesar de terem uma qualidade irrefutável. FBC: Firebreak é o resultado dessa aposta – que não deu tão certo, pois o game é pífio e demonstra um alto potencial inatingido, mesmo após uma grande atualização.
Desenvolvimento: Remedy Entertainment
Distribuição: Remedy Entertainment
Jogadores: 1-3 (online)
Gênero: Tiro
Classificação: 12 anos (violência)
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 18 horas (campanha)
Tiro cooperativo no lugar da narrativa

Os jogos da Remedy são conhecidos principalmente por contarem com uma narrativa cinematográfica, que geralmente mescla diferentes tipos de mídia em um único jogo. FBC: Firebreak não é nada disso. O título tem uma história e é situado como um spin-off de Control, mas deixa o ponto forte do estúdio de lado em prol de uma experiência multiplayer que até tem seu carisma (vindo dos elementos da franquia principal), com uma sensação constante de que faltou uma identidade para o jogo propriamente dito.
FBC: Firebreak é centrado em resolver pequenas crises e anomalias que afetam a Antiga Casa, a sede global do FBC (Federal Bureau of Control), uma organização do governo americano que investiga fenômenos paranormais, dirigida por Jesse Faden, a protagonista do título principal da franquia. Com missões que contam com opções de dificuldade fáceis e difíceis, é necessário conter situações que acontecem nos escritórios do órgão, trabalhando em equipe para cumprir objetivos específicos enquanto se derrotam adversários, no estilo de games como The Outlast Trials, Left 4 Dead e World War Z.

O personagem pode ser personalizado e pertencer a três classes distintas: quem repara objetos, quem limpa o mapa com um canhão de água e quem pode soltar descargas elétricas nos inimigos. A jogabilidade é a de um típico shooter em primeira pessoa e é funcional, contando com pequenos eventos de ação rápida que trazem um dinamismo excelente na hora de reabastecer itens e curar o personagem. Porém, tudo é prejudicado por missões excessivamente longas, com objetivos confusos e desinteressantes. Algumas decisões bizarras em relação ao modo online também atrapalham a experiência, porque só é possível participar de partidas rápidas, por meio do sistema de matchmaking, após subir alguns níveis primeiro.
Apelo zero

FBC: Firebreak tem gráficos de primeira, no mesmo patamar técnico dos títulos mais recentes da empresa, que foram desenvolvidos através da Northlight, o motor gráfico proprietário da Remedy. O título tem foco em ray tracing e faz uso extensivo de efeitos visuais até nas configurações mais baixas, precisando de ferramentas de upscaling, como DLSS ou FSR, para funcionar corretamente. Isso resulta em um desempenho pesado, que não é tão ideal para um jogo que precisa ter um público grande, dado que o lado técnico faz com que ele exija requerimentos um pouco altos para ser jogado em uma boa taxa de quadros.
Ou seja, FBC: Firebreak não é um jogo de baixo orçamento nem um reaproveitamento de conteúdos já feitos – a Remedy realmente investiu nesse projeto, que teve testes beta públicos. No entanto, os desenvolvedores optaram por lançar um jogo base conforme a visão deles, só ouvindo a comunidade depois e ignorando problemas que poderiam ter sido evitados – e não é como se as pessoas tivessem sido hostis à ideia de um multiplayer no mundo de Control. Pelo contrário, o título recebeu um milhão de jogadores em seu lançamento, feito em lojas tradicionais e nos serviços de assinatura da Sony e Microsoft. Mas as missões maçantes, a falta de carisma, o pouco conteúdo e a ausência de tutoriais não atraíram tanto as pessoas ao game, que conta com números de jogadores simultâneos completamente abissais para um shooter online – um pico máximo de 10 pessoas por dia na Steam.

Aos poucos, os responsáveis foram lançando atualizações com melhorias para FBC: Firebreak. Breakpoint, chamado de Ponto de Interrupção na localização brasileira, é o principal patch do jogo até então, com diversas mudanças moldadas com base no feedback da comunidade – o que deveria ter sido feito antes mesmo do lançamento. Os desenvolvedores incluíram missões inéditas, bons tutoriais, novos inimigos, entre outros, que fazem com que o game não seja uma experiência tão ruim, apesar do design de missões ainda ser monótono – o que foi resolvido somente com tarefas mais curtas, compostas apenas por dois objetivos mais rápidos. A Remedy pretende lançar mais atualizações, com outras novidades, num planejamento que vai até março de 2026. Mas para quem? É difícil saber.
Flopou
Um detalhe curioso é que, em algumas entrevistas, os produtores, de certa forma, se colocaram acima de outros jogos no estilo live service, uma vez que FBC: Firebreak não conta com passes, tarefas diárias e microtransações. Não estão errados, mas vários desses “jogos como serviço” entregam experiências empolgantes e que se renovam constantemente, algo que não foi feito pela Remedy aqui, que lançou um game com missões meramente tediosas e que deixa as forças do estúdio de lado. Talvez um lançamento em acesso antecipado tivesse sido uma ideia melhor do que lançar um jogo em um estado decepcionante e ter que fazer atualizações às pressas, quando todo o interesse da comunidade já se foi. É uma pena, ainda mais porque o título só funciona com uma conexão aos servidores da Remedy e, provavelmente, não vai ter uma vida tão longa.
Cópia do Xbox Game Pass para PC cedida pelos produtores
Revisão: Ailton Bueno




