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Review A.I.L.A (Xbox Series X) – Entrando na Matrix do medo

A.I.L.A é um terror psicológico em primeira pessoa da desenvolvedora brasileira Pulsatrix Studios que explora a relação entre realidade e simulação por meio de uma IA que cria experiências personalizadas. O jogo entrega momentos de imersão e sustos eficazes, mas peca em decisões de design que limitam o potencial narrativo e de exploração.

Desenvolvimento: Pulsatrix Studios
Distribuição: Fireshine Games
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Aventura, Terror
Classificação: 18 anos (violência extrema, conteúdo sexual, drogas lícitas)
Português: Dublagem, interface e legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 15 horas (campanha)

Quando a IA reescreve você

Uma inteligência artificial capaz de aprender e evoluir, completamente voltada para te fazer viver o horror

A premissa de A.I.L.A é simples na superfície e inquietante na prática: você assume o papel de Samuel, um testador de um protótipo de óculos de realidade virtual cujo núcleo é uma inteligência artificial capaz de montar simulações a partir de memórias, medos e reações. Essa ideia funciona como um gancho narrativo poderoso porque transforma cada ambiente em algo pessoal — não apenas um cenário genérico de terror, mas uma projeção que parece conhecer o jogador. Desde o primeiro contato com o sistema, o jogo planta a dúvida central que guia toda a experiência: o que é lembrança, o que é manipulação e o que resta de Samuel quando a máquina começa a reescrever suas percepções.

Narrativamente, A.I.L.A aposta em uma progressão em camadas: cenas de investigação e exploração alternam com momentos em que a simulação se dobra sobre si mesma, revelando versões contraditórias de eventos e espaços. Essa estrutura cria uma sensação de descoberta constante, nem sempre de respostas, mas de novas perguntas, e mantém o jogador em alerta, desconfiando até das pistas mais óbvias. O roteiro evita explicações imediatas, preferindo sugerir e insinuar. Essa abordagem é eficaz para o terror psicológico, pois o desconhecido e o incompleto costumam ser mais perturbadores do que a exposição total.

Entre espelhos e códigos

Um misto de realidade e ficção, você terá dificuldade em saber o que é o que

A jogabilidade é centrada na exploração em primeira pessoa, solução de pequenos puzzles e momentos de fuga e furtividade. Os controles são responsivos na maior parte do tempo, mas há trechos em que a câmera e a física atrapalham interações finas, tornando puzzles que precisam de precisão frustrantes. A curva de dificuldade é bem calibrada para sustos, porém algumas seções repetitivas quebram o ritmo e expõem falta de variedade nas tarefas.

O diferencial é a IA que adapta experiências e a sensação de que escolhas e reações do jogador influenciam as simulações. Isso cria momentos imprevisíveis e personaliza o medo, aproximando A.I.L.A de propostas experimentais de horror psicológico contemporâneas. Ainda assim, a implementação poderia ser mais profunda, pois muitas variações são cosméticas e não alteram significativamente a progressão.

Algumas decisões de game design limitam o impacto do jogo, como puzzles que interrompem o fluxo, checkpoints mal posicionados e sequências que dependem de timing exato sem feedback claro. Essas escolhas geram frustração e quebram a imersão em vez de aumentá-la. Além disso, a promessa de “experiências únicas”, por vezes, se resume a rearranjos de cenários já vistos, reduzindo a sensação de novidade ao longo da campanha.

Olhos que mentem

O jogo aprende com suas escolhas e tenta jogar suas fraquezas contra você.

A Pulsatrix manteve a ambição técnica vista em seu trabalho anterior, entregando visuais realistas com toques cyberpunk que ajudam a criar uma atmosfera claustrofóbica e tecnológica. Modelos e iluminação funcionam bem em cenas fechadas, mas as texturas e animações faciais, às vezes, denunciam limitações de orçamento, o que tira um pouco da imersão em momentos mais calmos.

O design sonoro é um dos pontos fortes: efeitos ambientais e ruídos sutis elevam a tensão e ajudam a distinguir o que é “simulação” do que é “real”. A trilha sonora aposta em camadas eletrônicas e drones que combinam com o tema de IA, embora falte uma peça musical verdadeiramente memorável que se destaque fora do jogo. Em cenas-chave, o som compensa falhas visuais e sustenta o terror psicológico.

Para fãs de Fobia: St. Dinfna Hotel, o primeiro jogo da Pulsatrix, A.I.L.A representa uma evolução técnica e temática da desenvolvedora, com foco maior em tecnologia e psicologia. Comparando a clássicos como Silent Hill ou títulos modernos de terror psicológico, o jogo brilha em atmosfera, mas ainda não alcança a profundidade narrativa e a variedade mecânica desses nomes.

Pulsatrix em ascensão

Para quem busca terror psicológico moderno e atmosferas bem construídas, especialmente por ser um produto nacional ambicioso, jogadores que priorizam mecânicas polidas e narrativa sem tropeços podem encontrar pontos frustrantes. A.I.L.A é um passo importante para a Pulsatrix, com ideias fortes que merecem refinamento em futuros projetos.

Cópia de Xbox Series X cedida pelos produtores
Revisão: Júlio Pinheiro

A.I.L.A

8

Nota Final

8.0/10

Prós

  • Conceito original
  • Identidade nacional forte
  • Atmosfera imersiva

Contras

  • Puzzles e ritmo inconstantes
  • Variação superficial da IA
  • Falta de uma trilha sonora memorável