Diablo IV: Lord of Hatred DLC capa

Preview Diablo IV: Lord of Hatred DLC (Xbox Series X) – A névoa do ódio

O anúncio e o lançamento antecipado da classe Paladino em Diablo IV: Lord of Hatred, feito durante o The Game Awards 2025, marcaram um ponto de virada para a Blizzard. Após o recebimento misto de Vessel of Hatred, a comunidade ansiava pelo retorno do guerreiro sagrado, e a nova expansão promete não apenas fechar o arco de Mefisto, mas também reformular as fundações do jogo.

Desenvolvimento: Blizzard
Distribuição: Activision Blizzard
Jogadores: 1-4 (online)
Gênero: Ação, RPG
Classificação: 18 anos (violência extrema, drogas lícitas)
Português: Interface, dublagem e legendas 
Plataformas: PC, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S
Duração: Sem registros

A ascensão do Paladino e o brilho da Fé

O paladino é nova adição as classes de Diablo 4.

A grande estrela deste momento é, sem dúvida, o Paladino. Liberado para quem realizou a pré-compra de Lord of Hatred, a classe preenche o vácuo de “guerreiro de espada e escudo” que existia desde o lançamento original.

Diferentemente do Cruzado de Diablo III, o Paladino de Diablo 4 se sente como uma evolução direta do herói de Diablo II. Sua mecânica principal gira em torno da Fé, um recurso gerado por ataques básicos e dissipado em golpes devastadores. O diferencial real, contudo, são os Juramentos. Ao escolher um Juramento, o jogador define seu arquétipo: o Inexorável transforma o escudo na arma principal; o Zelote foca em ataques ultrarrápidos e fogo sagrado; o Judicante foca em conjurações à distância; e o Inquisidor, que canaliza o poder sagrado para ascender a uma forma angelical.

A sensação de peso nos controles é impecável. Cada martelada do Martelo Sagrado ou investida com o escudo proporciona uma satisfação tátil que poucas classes conseguiram até agora. No entanto, o balanceamento inicial está um pouco pendente para o lado “apelão”, com builds de aura que permitem o chamado “walking simulator”, em que o jogador apenas caminha enquanto os inimigos derretem — algo que a Blizzard precisará ajustar antes do lançamento completo, em abril de 2026.

O berço da civilização sob a sombra do ódio

Skovos, o berço da humanidade. Um lugar nunca antes visitado nos jogos.
Skovos, uma terra de beleza e criação.

A expansão nos levará para a região de Skovos, berço da civilização e um local lendário na história de Diablo que nunca havíamos explorado com tamanha profundidade. Visualmente, Skovos é um deleite. Se as selvas de Nahantu eram claustrofóbicas e úmidas, Skovos é uma mistura de arquitetura clássica inspirada na Grécia e na Roma com a decadência sombria típica da franquia.

Os gráficos continuam a elevar a barra do gênero ARPG. O uso de iluminação global e os novos efeitos criam uma atmosfera em que o perigo parece palpável. As estátuas gigantescas e os templos em ruínas servem de pano de fundo para uma trama que desenrola uma aliança improvável: o retorno de Lilith. Ver a Filha do Ódio forçada a colaborar com o “Errante” para deter seu pai, Mefisto, adiciona camadas de cinza à narrativa que tornam a campanha muito mais instigante do que o maniqueísmo tradicional.

O cubo horádrico e o fim do caos no inventário

Inventário sempre cheio é um dos grandes problemas de Diablo.

Um dos maiores diferenciais de Lord of Hatred não é o conteúdo novo, e sim a correção de problemas antigos. O tão solicitado Filtro de Saque finalmente chegará. Agora, o jogador pode definir exatamente quais afixos quer ver no chão, eliminando a fadiga de analisar centenas de itens inúteis após uma masmorra.

Além disso, a introdução do Cubo Horádrico como mecânica central de crafting traz uma profundidade que faltava no jogo base. A possibilidade de transmutar itens, extrair poderes de forma mais eficiente e “rolar” estatísticas com receitas específicas aproxima Diablo IV da complexidade de competidores como Path of Exile 2 e Last Epoch, enquanto mantém a acessibilidade característica da Blizzard.

O coro dos condenados

Todos os lordes do inferno estão de volta.

A trilha sonora de Diablo IV: Lord of Hatred opta por um tom mais orquestral e épico. Enquanto a base de Diablo IV era minimalista e melancólica, a nova expansão abraça corais latinos e percussão pesada para pontuar o confronto contra um Mal Supremo.

Os efeitos sonoros do Paladino são um destaque à parte. O som do metal atingindo o solo sagrado e o “zumbido” das auras de convicção criam uma identidade auditiva poderosa. É possível identificar, pela audição, exatamente qual habilidade um aliado está usando, o que ajuda muito no caos das atividades de endgame em grupo.

A falha na armadura

Nem tudo são flores em Skovos. Uma das decisões mais polêmicas é o modelo de monetização agressivo. O fato do Paladino estar bloqueado atrás de uma pré-compra de R$ 175 revoltou parte da base de jogadores, que sente que uma classe tão icônica deveria ter sido parte de uma atualização gratuita ou de uma temporada. Há também uma sensação de “inflação de números” perigosa: os danos estão chegando na casa dos bilhões novamente, o que torna a leitura do combate difícil e sugere que uma redução de números será necessária em breve.

Cópia de Xbox Series X cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

Diablo IV: Lord of Hatred

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