Existe um tipo específico de jogo que deveria ser perfeito para os gamers de sofá: você entra, escolhe um carro, dá uma volta tranquila, aprende (ou ignora) algumas regras de trânsito e pronto, relaxou. Car Driving School Simulator se vende exatamente dessa forma, como um simulador bem realista, com 30 carros, tráfego com IA, clima dinâmico, modo livre e até câmera em primeira pessoa, além de mapas inspirados na Califórnia, Las Vegas, Miami, Tóquio e Noruega. Mas o problema é que, quando você coloca a mão no volante, ele parece um jogo que cumpre o básico por obrigação, sem aquele capricho extra que transforma “ok” em “recomendável”.
Desenvolvimento: BoomBit
Distribuição: BoomBit
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Simulação
Classificação: Livre
Português: Não
Plataformas: Android, iOS, PC, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch
Duração: 12,5 horas (campanha)
Regras de trânsito, tráfego e missãozinha do dia

O núcleo é simples, você dirige cumprindo regras (placas, limites de velocidade, sinais) em missões variadas e, quando quiser, parte para o modo livre para passear sem restrições. A própria descrição do jogo descreve essa pegada de “aprender regras no caminho” e reforça a presença de trânsito e pedestres para pressionar um pouco o jogador a dirigir com cuidado.
E isso até funciona, mas num nível bem básico. O tráfego e os objetivos existem, e você consegue completar tarefas sem muitos problemas. Mas a sensação é de estar fazendo atividades que se repetem rápido e não evoluem tanto quanto poderiam.
30 carros, oito lugares e pouca alma

A variedade de veículos é, no papel, uma das grandes promessas: sedãs, picapes, 4×4, ônibus e até um supercarro. E sim, ter essa vitrine de opções dá uma variada no jeito de dirigir, mesmo que o jogo não seja o melhor exemplo do gênero.
Os ambientes também são anunciados como bem detalhados e variados, cobrindo vários locais famosos. Só que, na prática, eu senti que os cenários são funcionais, mas sem muita personalidade, com um visual “ok” – nada horrível, mas também nada que faça você parar e dizer “caramba, que lugar bonito”.
Onde o jogo me perdeu

O meu maior inimigo aqui nem foi o trânsito: foi a câmera. Mexer com o mouse pode virar um caminho sem volta, porque voltar ao padrão é uma dor de cabeça. A recomendação sincera é: achou um jeito confortável? Não mexe mais. Fica ali e segue a vida, porque o controle de câmera consegue atrapalhar mais do que ajudar.
E tem outro detalhe que me incomodou bastante: as opções. No meu caso, senti falta de configurações mais completas, especialmente para ajustar vídeo do jeito tradicional (qualidade baixa/média/alta, resolução, etc). Pode ser que existam menus escondidos ou limitações específicas, mas a experiência que eu tive foi de um jogo que não te dá muita liberdade para “acertar” a apresentação e os controles do seu jeito, e, em simulador de direção, isso pesa.
O realista que é mais casual

Se existe um elogio consistente que posso dar é que o jogo é acessível. A comunidade diz que ele funciona bem como experiência casual, com variedade de fases e veículos suficientes para quem só quer brincar de dirigir sem muita exigência.
Só que “casual” não precisa ser sinônimo de “sem graça”. Aqui, eu senti falta de uma camada a mais, como uma melhor resposta de câmera, mais opções, mais personalidade nas atividades, um cuidado extra para o pacote parecer um jogo de PC completo, e não algo que lembra um produto pensado com DNA de mobile. Aliás, é exatamente isso que ele é porque, no fim das contas, Car Driving School Simulator era, originalmente, um jogo mobile, que acabou tendo essa conversão preguiçosa para PC e consoles.
Acelera ou freia?
Car Driving School Simulator não é injogável. Ele entrega o básico, que é dirigir, cumprir regras, ver tráfego, passear em mapas diferentes e trocar de carro. Se você pegar numa promoção bem agressiva e só quiser algo bem leve, dá para distrair. Porém, como jogo para PC, ele fica muito aquém. A sensação geral é de mediocridade, com uma execução sem brilho de uma proposta simples e escolhas de controle/câmera que atrapalham mais do que ajudam. No fim, é aquele tipo de jogo que você abre, brinca um pouco e esquece, o que é um pecado, porque a ideia de “autoescola jogável” tinha tudo para ser uma boa companhia de fim de semana.
Cópia de PC cedida pelos produtores
Revisão: Julio Pinheiro




