Enquanto BlazBlue segue sem previsão de um novo título na série principal, BlazBlue: Entropy Effect X é um spin-off de ação em plataforma roguelike que homenageia bem os jogos de luta, enquanto tem suas próprias qualidades enquanto jogo de ação.
Desenvolvimento: 91Act
Distribuição: Astrolabe Games
Jogadores: 1-2 (local e online)
Gênero: Ação
Classificação: 12 anos (violência)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PS5, Switch, Xbox Series X|S
Duração: 13 horas (campanha)/58 horas (100%)
São os personagens conhecidos, mas também não

A primeira coisa que vale destacar em Entropy Effect X é que os personagens da franquia não aparecem e nem os controlamos diretamente, por assim dizer. O enredo consiste em você e outros personagens, todos anônimos, que entram em uma jornada para salvar o mundo da destruição. O protagonista (que não aparece) assume o avatar de diferentes lutadores, que são os personagens da série, para evitar a destruição do planeta. A história é tão maluca e complexa como nos jogos principais, contando com cenas em flashback com os personagens de fato.
Há muito enredo para quem quiser se aprofundar, mas se você quiser focar na jogabilidade, não há problema. Assim, uma vez estabelecidas as bases, podemos então começar os mergulhos – como são chamadas as runs – e desfrutar do foco do jogo, que é a gameplay. Entre uma partida e outra, podemos conversar com os demais personagens no laboratório para fazer upgrades, planejar objetivos e outras coisas.
Dificulte sua própria vida

A jogabilidade consiste de um jogo 2D de plataforma de ação. Passamos por cenários lineares enfrentando diversos tipos de inimigos, divididos em pequenas fases curtas, com um chefe ao final de cada seção principal. As fases não se destacam, sendo apenas o cenário para enfrentarmos os inimigos, com variações ou armadilhas em algumas delas. A quantidade de seções e fases depende da dificuldade em que você está jogando.
A dificuldade, inclusive, é um ponto inescapável. São três níveis de dificuldade e, para avançar na jornada, é necessário aumentá-la de forma personalizada, a partir de diversas opções que o game fornece, como maior número de inimigos, tempo limite ou adversários com mais vida. A cada elemento de dificuldade que você acrescenta, aumenta o nível de entropia do mergulho, o que implica no aumento do desafio, mas também maiores recompensas. Esse sistema é bem interessante e não faz com que você simplesmente repita os estágios até chegar no final, adequando a gameplay ao seu estilo de jogo.
Antes do início da partida, escolhemos o nosso avatar, entre 14 personagens de BlazBlue e dois convidados, Icey (do jogo homônimo) e O Prisioneiro (de Dead Cells). Os personagens não estão aqui apenas como skins: cada um deles tem seu próprio arsenal de movimentos vindo diretamente dos games de luta, fazendo com que quem jogou os games se sinta bastante familiarizado e proporcionando uma jogabilidade bastante variada ao longo do elenco e de quem você escolhe.
Muitos sistemas e possibilidades

Cada run começa com comandos básicos: ataque principal, ataque especial (que usa pontos de magia) e um dash. Um dos elementos que vamos destravando ao final das fases são os potenciais, que expandem os movimentos de cada personagem. É como se, num jogo de luta, começamos apenas com um soco e um golpe especial, e aos poucos vamos liberando o resto. Outro elemento são os talentos, que valem para todos e incluem diversos efeitos que auxiliam os ataques de diferentes e criativas formas.
Por fim, outro sistema de destaque é o legado. Ao final de cada partida, você escolhe dois talentos e salva seu personagem. No próximo mergulho, você escolhe seu personagem e dois personagens legados, herdando um golpe personalizado para cada e seus talentos. Assim, o game incentiva a testar vários personagens e ainda recompensa o esforço de cada partida ao levar algo delas para mergulhos seguintes.
Divertido, mas precisa algumas atualizações

Entre esses e outros sistemas, junto a uma jogabilidade rápida e desafiadora, o game é bastante divertido. Só diria que é uma experiência um pouco complexa de se entrar, levando algum tempo para entender todas as mecânicas e possibilidades. Mas uma vez que você se familiariza, torna-se mais um bom e viciante roguelike.
Graficamente, o jogo apresenta sprites lindos e bem animados, trazendo vida em um novo formato para os personagens de BlazBlue. O mesmo não pode ser dito dos cenários, que não são nada muito especial. Porém, ao menos no momento, o jogo apresenta diversos problemas no Switch, com travamentos, slowdowns e outros bugs aleatórios. A própria desenvolvedora diz em seu site para atualizar o game antes de começar, mas certamente ainda precisa de mais ajustes para tornar a experiência impecável.
Bom para fãs ou não de BlazBlue
BlazBlue: Entropy Effect X mantém a série viva, ainda que indiretamente, com mais um jogo que esbanja estilo e com ação de alto nível. Vai um tempo para se ambientar bem e saber o que está fazendo, mas o esforço vale a pena e você encontrará um jogo viciante e cheio de possibilidades.
Cópia de Switch cedida pelos produtores
Revisão: Julio Pinheiro




