Mesmo com a chegada iminente da nova expansão e nova classe, essa temporada é mais do que apenas um “filler” para manter os servidores ocupados, pois ela tenta unir a nostalgia visceral da franquia com uma das colaborações mais pedidas da história: DOOM: The Dark Ages.
Desenvolvimento: Blizzard Entertainment
Distribuição: Blizzard Entertainment
Jogadores: 1-4 (online)
Gênero: Ação, RPG
Classificação: 18 anos (violência extrema, drogas lícitas)
Português: Interface, dublagem e legendas
Plataformas: PC, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S
Duração: Sem registros
Quando a caça se torna o caçador

A premissa da 12ª temporada de Diablo IV, denominada de Temporada da Matança, é simples e brutal: um demonologista ambicioso quer que você aprenda a arte do abate para enfrentar Mephisto. Na prática, isso se traduz em uma mecânica que os fãs pedem há muito tempo: você poder se transformar no Açougueiro.
Diferente de temporadas passadas, onde tínhamos apenas buffs passivos, aqui a jogabilidade muda drasticamente. Através das Masmorras de Matadouro ou de santuários específicos nas Marés Infernais, você assume o controle do icônico vilão, com direito a um novo conjunto de habilidades, o famoso “Carne Fresca!”, o puxão de gancho e a pisada sísmica. É uma decisão de design audaciosa que injeta uma dose de adrenalina necessária em um jogo que, por vezes, caía na monotonia de usar em excesso uma única habilidade de classe.
O ritmo frenético do “Killstreak”

A Blizzard finalmente olhou para o passado e resgatou (e aprimorou) o sistema de séries de eliminações de Diablo III. Na Temporada 12, quanto mais rápido você mata, mais o seu medidor de “Selvageria” sobe. O sistema é dividido em cinco níveis: sequência de Eliminação, Carnificina, Devastação, Banho de Sangue e Massacre. Esses níveis não são apenas um bônus de XP. Manter um Massacre ativo concede velocidade de movimento absurda e reduz tempos de recarga. Isso transforma o endgame em uma corrida de alta velocidade que lembra muito o fluxo de DOOM Eternal, onde parar de se mover significa morrer.
A grande novidade na progressão são os itens ensanguentados. Eles funcionam como uma camada extra sobre os Lendários e Ancestrais com novos Afixos Dinâmicos. Um item ensanguentado pode ter um atributo que diz: “Enquanto estiver com sequência de abates, seu dano de acerto crítico aumenta em 50%.”. Embora divertidos, esses itens tornam o jogo excessivamente fácil em dificuldades baixas. Em menos de 4 horas, é possível chegar ao nível 60 e começar a obliterar chefes de mundo, o que levanta questões sobre a longevidade da temporada.
“Rip and Tear” em Santuário

A integração de DOOM: The Dark Ages é, visualmente, a coisa mais impressionante que a Blizzard fez até hoje. As skins não são meras “texturas”, porque elas alteram a silhueta dos personagens de forma que um Bárbaro vestido de Doom Slayer realmente parece uma máquina de guerra vinda de outro universo.
O evento trouxe um sistema de progressão gratuito onde você pode ganhar um portal de cidade, o escudo temático de DOOM e várias skins de armas. O estilo gótico medieval de The Dark Ages encaixou como uma luva em Diablo IV. Ver um Renegado com a armadura do Slayer usando ganchos de corrente cria uma harmonia visual que faz você esquecer, por um momento, que são franquias diferentes.
No entanto, nem tudo são flores. A montaria, os pets, que são incríveis, e as armaduras tem um custo alto para ter o conjunto completo, aproximadamente R$630,00, o que pode ser proibitivo.
Vale a pena o Massacre?
A Temporada do Massacre é uma faca de dois gumes. Por um lado, ela oferece a experiência de combate mais satisfatória e rápida que a franquia já teve, temperada com um dos melhores crossovers da indústria. A sensação de “Rip and Tear” é real, e o sistema de Killstreak deveria se tornar permanente no jogo base. Por outro lado, a Blizzard continua testando a paciência dos fãs com preços exorbitantes na loja e uma profundidade mecânica que ainda parece rasa para os jogadores mais “hardcore” de ARPG. É uma temporada de transição: curta, intensa e visualmente deslumbrante, mas que deixa um gosto amargo na carteira.
Cópia de Xbox Series X cedida pelos produtores
Revisão: Júlio Pinheiro
Diablo IV - Temporada do Massacre
Prós
- Colaboração esteticamente impecável
- Ritmo de jogo aperfeiçoado
- Progressão sazonal ágil
Contras
- Monetização predatória
- Falta de profundidade no "Modo Açougueiro"
- A facilidade com que se atinge o "endgame" nesta temporada torna os Chefes de Mundo e as dificuldades Iniciais obsoletos rápido demais




