Project Motor Racing é um novo simulador de automobilismo desenvolvido pela Straight4 Studios, uma equipe capitaneada pelo designer Ian Bell, que participou da criação da saudosa franquia Project CARS, da Slightly Mad Studios e da Bandai Namco. Feito em parceria com a GIANTS Software, no mesmo motor gráfico utilizado na série Farming Simulator, o lançamento é um pacote mal polido e sem tanto conteúdo, ficando consideravelmente abaixo da série que tenta suceder espiritualmente.
Desenvolvimento: Straight4 Studios
Distribuição: GIANTS Software
Jogadores: 1 (local) e 1-32 (online)
Gênero: Corrida, Simulação
Classificação: Livre (interatividade online)
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 5 horas (campanha)
Sem muitos modos

A experiência oferecida por Project Motor Racing é dividida entre um modo carreira, as corridas normais e o modo online com outros jogadores. O título emula um tradicional fim de semana de corrida, precisando jogar o treino, a qualificatória e, por fim, a corrida, seja no modo carreira ou no modo livre. A campanha reúne vários desses eventos, mas com recompensas e bônus financeiros vinculados às escolhas do jogador. Os modos single player e offline existem, mas são bastante insuficientes, uma vez que o foco está no multiplayer, com direito até aos famosos exames de habilitação para se poder jogar online.
Project Motor Racing tenta ir mais para o lado de um simulador completo do que de uma experiência arcade, sendo um jogo bem técnico que não explica nem apresenta suas possibilidades e funcionalidades para quem não é tão adepto desse tipo específico de jogo de corrida. Ainda assim, há várias assistências que facilitam e simplificam a jogatina, como a transmissão automática e indicadores na tela que mostram onde o carro deve estar em relação à pista.

Em boa parte do tempo, a física da jogabilidade e a dirigibilidade dos veículos são responsivas, embora os carros não tenham um peso muito perceptível, principalmente nas curvas. Isso vai da preferência pessoal de cada jogador, pois quem prefere pilotar carros com controles mais pesados pode não achar o jogo tão satisfatório no geral. Nem tudo é perfeito ainda, porque há algumas falhas na direção – por exemplo, mesmo movimentando o controle suavemente, o simulador nem sempre responde bem e faz o carro deslizar na pista. E nas pistas, é preciso seguir regras. Não é permitido dirigir igual maluco, indo para fora dos limites das pistas ou acelerando antes das largadas. Há punições que prejudicam o resultado na corrida, exigindo certamente uma pilotagem mais próxima da vida real.
DLC já no lançamento?

Project Motor Racing conta com uma boa quantidade de carros licenciados, mas com vários pontos decepcionantes. Fabricantes renomados como a BMW, Aston Martin, Chevrolet, Ford, Mazda e Lamborghini marcam presença no jogo, mas, provavelmente por motivos relacionados ao licenciamento, as batidas nesses carros não possuem impacto algum, seja visual ou sonoro, tirando boa parte do realismo de um jogo que se propõe a ser um simulador. Os desenvolvedores, claro, pretendem suportar o título com a adição de uma infinidade de DLCs ao longo do tempo – inclusive, alguns veículos adicionais já estão disponíveis desde o lançamento, chegando a parecer que tiraram conteúdo que deveria estar no jogo base para vender à parte.
Todos locais que, de certa forma, são relevantes para o automobilismo estão presentes em Project Motor Racing. Há pistas nos Estados Unidos, Canadá, Itália, Alemanha, Áustria, e, claro, no Brasil – o importantíssimo Autódromo de Interlagos. Ao todo, são 28 pistas, uma quantidade satisfatória, com ciclos diurnos completos e um sistema de climatização dinâmico.

O problema é que a otimização, pelo menos da versão para computadores, é decepcionante. O jogo tem uma interface ruim e poluída, que não funciona tão bem, travando até mesmo ao mudar a resolução. Os gráficos são competentes, mas não avançados o suficiente para justificar o desempenho excessivamente pesado do título – que conta com uma implementação de técnicas de upscaling bugada, repleta de efeitos de ghosting que prejudicam totalmente a apresentação.
Parece um early access
Project Motor Racing não ficaria em último lugar em uma corrida hipotética entre simuladores distintos, mas está longe de alcançar seu potencial. Faltam mais modos para um jogador, tutoriais, uma interface mais polida, solução de bugs na otimização e muitas outras melhorias na dirigibilidade dos veículos. Parece mesmo que os responsáveis lançaram um jogo em acesso antecipado como se fosse um produto finalizado, se preocupando mais em disponibilizar DLCs do que em entregar um pacote verdadeiramente competente.
Cópia de PC cedida pelos produtores
Revisão: Jason Ming Hong




