Yakuza Kiwami 3

Review Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties (PC) – Tudo diferente

Praticamente todo ano, a franquia Like a Dragon ganha um novo lançamento, mas nem sempre os desenvolvedores terão algo totalmente inédito em mãos, abrindo espaço para a existência de remakes, que é o caso de Yakuza Kiwami 3. O título leva o jogo que saiu para o PS3 em 2009 para a Dragon Engine, o motor gráfico atual da série, e adiciona uma pequena expansão chamada Dark Ties ao pacote, mas com uma infinidade de problemas que poderiam ter sido evitados pelo estúdio.

Desenvolvimento: Ryu Ga Gotoku Studio

Distribuição: SEGA

Jogadores: 1-2 (local)

Gênero: Ação

Classificação: 18 anos (violência extrema, drogas lícitas, conteúdo sexual, compras no jogo)

Português: Interface e legendas

Plataformas: PC, PS4, PS5, Xbox Series X|S, Switch 2

Duração: 20 horas (Yakuza Kiwami 3)/4 horas (Dark Ties)

Dois em um

Cena da campanha de Yakuza Kiwami 3

Situados entre 2007 e 2009, os eventos de Yakuza Kiwami 3 mostram um Kiryu com os pés no freio, levando uma vida mais tranquila na ilha de Okinawa e se dedicando a cuidar de Haruka e das outras crianças que vivem em seu orfanato, longe de grandes confusões. Porém, em certo momento, o protagonista é obrigado a retornar aos seus deveres e ao mundo de intrigas, que batem em sua porta em sua nova cidade e, claro, também em Kamurocho.

O problema é que todo esse drama que leva Kiryu de volta à sua vida antiga não é tão interessante, porque ele é apresentado de uma forma excessivamente tediosa. Assim como na edição original, Yakuza Kiwami 3 traz até um capítulo inteiro chamado “A Trama”, que consiste em ver todos os eventos da narrativa sendo contados para Kiryu de uma forma mastigada e desnecessária. O remake também faz alterações na trama, revertendo acontecimentos importantes a ponto de abrir espaço para uma linha do tempo inédita na série.

Cena de Dark Ties

É aí que entra Dark Ties, uma campanha bônus que mostra o que Yoshitaka Mine, um dos antagonistas de Kiryu, faz ao longo dos eventos do game. Essa expansão até tem o seu valor, porque leva o jogador para longe do idealismo típico de um protagonista de Yakuza, colocando-o diretamente na criminalidade. Só que essa campanha não agrega tanto na narrativa geral e conta com bastante filler — é obrigatório passar boa parte do tempo ajudando a população, completando objetivos secundários para limpar a imagem de um dos personagens e progredir na trama, que não chega a nenhum lugar que justifique toda a sua existência.

Jogabilidade divertida

Sub-história em Yakuza Kiwami 3

Pelo menos, Yakuza Kiwami 3 tem um bom sistema de batalha, refinando ainda mais o que os desenvolvedores vêm fazendo há décadas com sucesso. O jogo original chegou nos primeiros anos da geração do PS3 e tinha mecânicas travadas, sendo uma visão bem rudimentar da saga em sua encarnação pós-PS2, em alta definição. O combate da Dragon Engine, no modelo de porradaria, é divertido e responsivo, contando agora com opções assistidas — permitindo apenas apertar quadrado várias vezes e soltar golpes, uma opção ideal para quem joga Yakuza pela narrativa e não pela gameplay em si.

Além disso, a jogabilidade é complementada por uma overdose de minigames — muitos reciclados de vários outros jogos da mesma franquia e da série Judgment. Algumas adições que expandem a vida de Kiryu no orfanato são legais, apesar delas terem sido reduzidas a um material secundário, enquanto no original eram parte integral da campanha.

Game Gear com Pac-Man

O protagonista deve, por exemplo, ajudar no dever de casa das crianças, costurar roupas e bolsas, ou até cozinhar. É um material legal, mas o fato disso tudo ser secundário prejudica o desenvolvimento da parte mais importante da trama do jogo, o crescimento de Kiryu enquanto pessoa. 

Mudanças não funcionaram

Kiryu andando de moto em Yakuza Kiwami 3

As alterações não pararam na narrativa: os desenvolvedores removeram vários conteúdos secundários, como as Revelações — que na versão original eram fotos hilárias e absurdas que Kiryu poderia tirar para aprender novos golpes. Claro, há novidades que estendem o tempo de jogo com muito mais conteúdo, o ponto alto da franquia Like a Dragon. Yakuza Kiwami 3 inclui até jogos completos que podem ser jogados no arcade de Kamurocho, como até Emergency Call Ambulance, um game de resgate doidão da SEGA dos anos 90 que está sendo disponibilizado oficialmente para PC e consoles pela primeira vez através desse jogo.

E, assim como a versão original, há várias sub-histórias. No entanto, muitas estão ausentes e foram trocadas por novas, gerando uma sensação de substituição e de uma que não valeu a pena. Muito desse conteúdo secundário introduzido no remake atrapalha o andamento da história principal, tirando o impacto de cenas importantíssimas e até mesmo o enfoque na nova vida de Kiryu – o tiozão passa mais tempo de narrativa participando de um motoclube, batendo em valentões aleatórios, do que em seu orfanato, cuidando de suas crianças.

Dever de casa em Yakuza Kiwami 3

É lamentável que Yakuza Kiwami 3 não seja uma experiência completa, que una o novo com o antigo, mas sim um caldeirão de substituições esquisitas que nem sempre funcionam tão bem – os desenvolvedores criaram polêmica por nada ao substituir um ator da versão original por outro que tem um histórico pessoal bastante questionável. Um detalhe é que essa é a única edição de Yakuza 3 disponível nas lojas online, pois a SEGA decidiu remover a versão antiga da internet – então há todo um conteúdo que não pode mais facilmente ser visto por novos fãs da franquia, já que a versão remasterizada trazia o game quase em sua totalidade, faltando somente materiais considerados preconceituosos pelos produtores.

Gráficos mais inconsistentes que o usual

Majima e Kiryu em Yakuza

Tecnicamente, Yakuza Kiwami 3 recebeu uma versão para PC dentro dos excelentes padrões técnicos da franquia. O desempenho agrada, a compatibilidade com diferentes formatos de tela é ótima e o suporte a controles funciona perfeitamente. Entretanto, a qualidade gráfica é inconsistente — e além do normal da franquia, que conta com cutscenes com boas animações, mas cenas de gameplay estáticas e robóticas, sem dublagem completa. Enquanto o distrito de Kamurocho tem visuais compatíveis com os títulos mais recentes da franquia, muito de Okinawa parece vir de reaproveitamentos da versão original do PS3, sem um devido tratamento para a geração atual.

Esse problema é perceptível principalmente na iluminação, como nas noites no orfanato, que são excessivamente cinzas ou alaranjadas, não ficando tão legais quanto poderiam, e também em algumas cutscenes que vão além dos cenários mais comuns do jogo e se passam em áreas diferentes, que não podem ser visitadas fora de eventos da campanha.

Orfanato de Kiryu em Yakuza Kiwami 3

O grande ponto alto de Kiwami 3 é, mais uma vez, a localização para o português. Os responsáveis fizeram um trabalho excelente, que adapta bem cada situação para o nosso idioma com uma perfeição incrível — só os textos foram traduzidos, e eles sempre parecem naturais e nada forçados, mesmo quando os personagens dizem gírias. É um feito impressionante, mas é uma pena que a narrativa não esteja tão à altura da qualidade do trabalho de localização feito aqui.

Decepcionante

Yakuza Kiwami 3 é um remake que deveria ter sido limitado a uma mera troca de engine e a uma atualização visual, pois certamente seria uma experiência mais concisa do que foi apresentado aqui. As principais alterações na trama prejudicam os títulos subsequentes da série, enquanto a falta de ênfase na vida de Kiryu com suas crianças faz com que o game não seja tão especial quanto a sua versão original. Para quem nunca jogou Yakuza 3, é uma pena que essa seja a única forma mais fácil de prestigiar o jogo atualmente, e para quem já jogou e tem curiosidade de ver como esse Kiwami está, é melhor evitar esse game.

Cópia de PC cedida pelos produtores

Revisão: Jason Ming Hong

Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties

7

Nota Final

7.0/10

Prós

  • Boa jogabilidade
  • Tradução para o português é excelente

Contras

  • Mudanças sem sentido
  • Fillers prejudicam andamento da trama
  • Gráficos mal acabados