Quem nunca cometeu um erro de digitação? Em situações normais, um erro de digitação é reversível. Basta apertar a tecla backspace ou um botão “editar” que tudo está resolvido. Mas em Keys of Fury: Typing Action, escrever errado pode ser fatal. Criado por uma equipe pequena, o jogo é um beat ‘em up no qual os ataques são desferidos por meio de frases e palavras escritas pelo jogador. É uma experiência engraçada e diferente, com ideias “fora da caixinha” que funcionam bem, mas que, ao mesmo tempo, parece só a prova de um conceito, pela falta de conteúdo no pacote.
Desenvolvimento: Elecorn
Distribuição: Elecorn
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Luta
Classificação: Livre (violência fantasiosa)
Português: Não
Plataformas: PC
Duração: 1 hora (campanha)
Uma campanha doida

Keys of Fury: Typing Action certamente tem um nome bastante descritivo. O título é focado em digitação, a ponto de até as funcionalidades do menu principal precisarem ser escritas pelo jogador — quer entrar nas opções para configurar algo? Tem que digitar “options”, por exemplo. O jogo apresenta uma história maluca e sem sentido, envolvendo um monopólio na distribuição de alimentos em uma cidade. A aventura contém muita porradaria e não só traz mensagens importantes, mas obriga o jogador a escrevê-las, falando sobre a necessidade de se comer frutas e vegetais.
Sim, os diálogos da campanha também precisam ser escritos, seguindo o roteiro e com alguns momentos em que é até possível escrever o que quiser. O problema é que essas fases são rapidíssimas, durando menos de cinco minutos, dependendo principalmente da velocidade da digitação de quem joga.

O modo história ainda não está finalizado, pois o menu indica que os desenvolvedores irão adicionar novas fases em 2026. Além da campanha, há um modo arcade, com desafios adicionais e mecânicas diferentes, como um modo horda ou no estilo roguelike. Há uma boa diversidade de fases no arcade, mas elas também duram pouco, então, em cerca de uma hora, já dá para ver tudo o que Keys of Fury tem a oferecer.
Digitando pra bater

A jogabilidade propriamente dita é como uma grande sequência de eventos de ação rápida. É necessário digitar as teclas no momento exato, sem errar, para conseguir bater nos adversários e prosseguir pelas fases.
O principal objetivo é escrever certo, mas sem ser veloz. A rapidez não é obrigatória, e a janela para escrever cada palavra é sempre razoável. Digitar corretamente contribui para aumentar o medidor de fúria, que ajuda o jogador com um combo caso ele erre alguma tecla.

Claro que nem sempre é só escrever – aos poucos, Keys of Fury vai colocando pequenos desafios na experiência que testam a memória e a atenção de quem está jogando, com frases que piscam ou se movimentam pela tela. Se errar na escrita, a personagem principal toma dano, mas, no geral, esse é um jogo fácil, com checkpoints constantes ao longo da campanha.
Sem tradução

Como cada digitada é um ataque, Keys of Fury é um espetáculo visual, com uma pixel art que, embora seja pouco detalhada, chama atenção por causa de suas animações e da quantidade de efeitos gráficos que surgem no decorrer da jogatina.
O problema, no entanto, é o quão grande tudo fica na tela, uma vez que vários elementos da interface poderiam ser menores, em prol de uma visibilidade melhor. Os cenários também se repetem excessivamente, mas isso não chega a ser um problema tão grande, pois não é necessário prestar atenção nos visuais de fundo e sim nas palavras a serem digitadas, que ocupam boa parte da tela.

A grande falha mesmo é o jogo não contar com edições localizadas em idiomas que vão além do inglês. Os desenvolvedores, porém, lançaram Keys of Fury como uma plataforma aberta para modificações por parte da comunidade, abrindo espaço para versões em outras línguas e até para experiências mais completas do que o material incluído no jogo base. Isso, com certeza, é muito legal, restando apenas aguardar para ver o que os modders irão fazer com essa oportunidade.
Ideia fascinante e barata
Keys of Fury: Typing Action é mais uma prova de um conceito do que um jogo realmente completo, sendo divertido por um certo tempo e somente cansando porque não há tanto conteúdo disponível na experiência. Pelo menos, o custo do jogo é equivalente ao que é apresentado, visto que os produtores estão vendendo o título por R$ 16 na loja da Steam. É um bom preço para uma hora de diversão, mas só para quem tem um bom conhecimento de inglês.
Cópia de PC cedida pelos produtores
Revisão: Jason Ming Hong




