Damon and Baby é a mais nova empreitada da Arc System Works, conhecida mais por seus jogos de luta. Criado pelo designer e músico Daisuke Ishiwatari, o jogo é uma tentativa bem-sucedida do estúdio de migrar para um outro gênero, trazendo uma aventura com mecânicas de plataforma e combate que mistura os estilos hack ‘n’ slash e twin stick shooter, que funciona e diverte, apesar de contar com alguns problemas de polimento.
Desenvolvimento: Arc System Works
Distribuição: Arc System Works
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Plataforma, Tiro
Classificação: 10 anos (linguagem imprópria, violência)
Português: Não
Plataformas: PC, PS4, PS5, Switch, Switch 2
Duração: 12 horas (campanha)
Salvando um demônio e um bebê

Com uma jogabilidade com câmera fixa e uma movimentação em 3D, Damon and Baby coloca os jogadores na pele de Damon, um Senhor dos Demônios que foi vítima de uma maldição, perdeu seus poderes e ficou com uma criança presa em seu corpo e que não pode se afastar dele por mais do que uma curta distância. Na pior, Damon embarca em uma jornada para o inferno com o bebê nas costas, mas, durante a aventura, passa a ser naturalmente caçado por demônios que querem só arrancar a criança de suas mãos, precisando vencer uma infinidade de desafios até chegar ao seu destino final.
É uma premissa até bem elaborada e que funciona porque os personagens são todos carismáticos, e há até mesmo a presença de figuras conhecidas da série Guilty Gear na campanha — o que faz sentido, já que o criador desse game também criou a famosa série de luta. Os diálogos não possuem dublagem, mas os desenvolvedores ainda assim conseguiram entregar uma experiência cativante por meio das linhas de texto exibidas ao longo da trama.

Porém, ficou faltando uma localização para o português, para que todos os termos sejam um pouco mais compreensíveis para os jogadores — principalmente os pequenos puzzles que surgem ao longo da aventura, que já não contam com explicações exatamente concisas em inglês.
Jogabilidade com muitos sistemas

Esse problema nos puzzles acontece mais porque Damon precisa desbloquear alguma habilidade antes de poder prosseguir, mas alguns dos prompts relacionados a eles surgem tão do nada durante a exploração que fica parecendo que o jogo esqueceu de ensinar alguma das várias mecânicas presentes na gameplay. Exceto isso, a jogabilidade é bastante funcional e resulta em uma experiência divertida que equilibra sua intensidade com sabedoria, pois a divisão entre os momentos de exploração, ação e solução de puzzles é satisfatória.
Ao longo da campanha, Damon pode sair na mão com seus rivais e bater nos objetos do mapa em um estilo hack ‘n’ slash simplificado, além de poder usar armas no mesmo esquema de controle dos twin stick shooters — quando o analógico esquerdo é usado na movimentação e o direito é utilizado para mirar. A dificuldade se dá por meio de um sistema de vidas mais tradicional, que limita a quantidade de dano que o personagem pode tomar antes de morrer e que dá ênfase à exploração, em que itens de recuperação de vida podem ser encontrados.

A exploração, por sua vez, não é linear e é complementada pela possibilidade de liberar mapas e de poder colocar marcadores neles. O ruim é que esses marcadores precisam ser comprados, e, como há muito para lembrar, as moedas que poderiam ser utilizadas em outras situações vão para esses marcadores. A criança grudada no protagonista precisa ser utilizada no decorrer da gameplay para alcançar lugares que não são tão fáceis de escalar, além de também funcionar como uma espécie de dash durante o combate. Além disso, há um sistema de ultimates que precisam ser customizadas para conseguir interagir com determinados objetos e passar das fases — então, é tudo muito conectado, sendo uma jogabilidade rica em sistemas diferentes, mas que funcionam bem juntos, como o esperado de um estúdio com muita experiência em jogos de luta.
Bugs gráficos no PC

Desenvolvido através da Unreal Engine, Damon and Baby conta com um estilo cartunesco bonito que se enquadra perfeitamente com o jogo. Entretanto, o estado técnico é um pouco decepcionante e prejudica a apresentação do game — esses bugs já existiam na versão de prévia e não foram resolvidos pelos produtores a tempo do lançamento de fato do título. Há muitos serrilhados no mapa, além de uma distância de renderização pequena, que causa um pop-in excessivo, principalmente nas sombras.
A visualização de algumas áreas internas do mapa não é tão boa e poderia ser mais palpável aos olhos, porque as paredes das fases cobrem metade da tela e atrapalham a vista. A compatibilidade com o mouse e o teclado também poderia ser melhor, e o game acaba sendo uma experiência decente somente com os controles tradicionais.

Fora isso, Damon and Baby é um game agradável, principalmente porque os tempos de carregamento são muito rápidos e fazem com que a gameplay seja bastante dinâmica o tempo todo. O sistema de salvamento, no entanto, poderia ser melhor, dado que os saves são manuais e somente em partes específicas do mapa. O autosave não é tão constante, e isso é ruim uma vez que se Damon morrer, é necessário recarregar o salvamento de um ponto anterior ao que foi progredido, já que esses pontos de salvamento são bem distantes entre si.
Criativo demais, mas faltou polimento
Damon and Baby é legal e bem feito em vários aspectos, mas conta com um lado técnico que deixa a desejar por prejudicar a excelente direção artística. Os problemas presentes são relacionados ao polimento e poderiam ser evitados tranquilamente e, pelo menos, não tiram totalmente o brilho da experiência proposta pela Arc System Works, que certamente acertou muito nessa mudança de gênero.
Cópia de PC cedida pelos produtores
Revisão: Ailton Bueno




