Denshattack! chamou minha atenção desde o primeiro trailer, que entregou exatamente o que o título propõe: a ideia insana de correr com um trem pelo Japão, realizar manobras radicais e passar por pistas extremamente criativas. Com uma progressão impecável, habilidades surpreendentes e uma jogabilidade rápida e responsiva, o game se consolida rapidamente como um dos mais divertidos do ano.
Desenvolvimento: Undercoders
Distribuição: Fireshine Games, Boltray Games
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Arcade
Classificação: Livre
Português: Legendas e interface
Plataforma: PS5, Switch 2, Xbox Series X|S, PC
Duração: 8 horas (campanha)
É hora do duelo… de trens

Somos apresentados a um Japão pós-desastres climáticos, agora recluso em grandes domos que protegem a população dos perigos do mundo exterior. O estilo visual desses cenários é futurista, mas traz um contraste interessante: dentro das redomas, a vida urbana pulsa, mas do lado de fora, a natureza retomou o espaço, misturando ruínas e vegetação. Esses ambientes não são apenas pano de fundo, pois eles se integram perfeitamente ao gameplay, tornando cada corrida uma experiência visualmente rica.
Nesse cenário, surgiu uma nova cultura centrada em duelos de trens. A protagonista, Emi, uma simples entregadora de lamen, acaba cruzando o caminho de Fernando, um grande entusiasta do Denshattack: intensas batalhas entre trens focadas em estilo, manobras e pura velocidade. Ele logo acaba a convencendo a participar desse mundo. A narrativa, apesar de não muito complexa, é acompanhada através de cutscenes com um belo estilo de anime, onde conhecemos um elenco de personagens que só cresce com o decorrer da campanha.
Um combo infinito de manobras

O visual do jogo é muito consistente e coeso, integrando personagens, veículos, pistas e menus em uma identidade visual forte. Outro destaque absoluto é a trilha sonora, perfeita para acompanhar a alta velocidade e a execução dos movimentos, remetendo a clássicos como Tony Hawk’s Pro Skater. É, sem dúvida, uma daquelas trilhas que marcam a vida do jogador.

Sobre a jogabilidade, a curva de aprendizado é bem estruturada. Embora o mapeamento padrão dos controles (pular no R2 e frear no L2, no PS5) possa causar uma certa estranheza inicial, a introdução gradual de novas mecânicas justifica essas escolhas, além de o título permitir o remapeamento. As manobras são executadas pelo analógico direito e variam em complexidade, e quanto mais elaboradas, maior o score. O que realmente torna o jogo especial é o absurdo das manobras. Trens não foram feitos para voar ou deslizar, mas aqui, eles desafiam a física. O exemplo mais claro disso acontece logo em uma das primeiras fases, quando você conduz seu trem pelo topo de uma roda-gigante. E essa criatividade só aumenta, com situações cada vez mais interessantes e surpreendentes conforme avançamos.
Um mundo divertido

Um dos maiores acertos é como o jogo lida com a frustração. Apesar de parecer desafiador, o verdadeiro teste está em cumprir todos os objetivos secundários de cada nível. Os tempos de carregamento são extremamente rápidos, permitindo que você retorne instantaneamente a um checkpoint antes da pista após qualquer erro. Isso remove a frustração da espera e incentiva a aprender cada curva das pista.

O jogo é estruturado em fases fechadas espalhadas por regiões controladas por diferentes gangues. Cada percurso possui desafios únicos, como bater pontuações, tempo de finalização e coleta de itens. Além das fases padrão e de corrida, existem percursos abertos que exigem que você escolha o melhor caminho e gerencie seus objetivos. O ponto alto, no entanto, são as fases finais de cada região contra os chefes das gangues. São momentos de clímax que me surpreenderam progressivamente até o fim da jornada, que se estende por muitas horas para além da campanha principal, garantindo que você tenha muito tempo para dominar as ferrovias deste Japão distópico.
Descubra o Japão
Denshattack é, para mim, um dos destaques do ano até agora. Seu mundo, muito bem construído, é muito cativante com uma trilha sonora sensacional. A gameplay é estranha no começo, mas acaba ficando bem intuitiva, enquanto a história, apesar de bobinha, é bem contada. Todos os elementos fazem deste título um clássico instantâneo.
Revisão: Júlio Pinheiro
Cópia de PS5 cedida pelos produtores.




