From the Ashes deixa claro que Avatar: Frontiers of Pandora funciona melhor quando aposta em uma experiência mais focada e narrativa. O DLC entrega uma campanha mais enxuta, com ritmo bem ajustado, combates mais interessantes e uma progressão que finalmente prende a atenção do início ao fim. A adição do modo em terceira pessoa muda completamente a sensação de exploração e combate, tornando tudo mais cinematográfico e imersivo. Ainda assim, alguns vícios clássicos da Ubisoft persistem, como o excesso de ícones no mapa e pequenos bugs que quebram a imersão.
Desenvolvimento: Massive Entertainment
Distribuição: Ubisoft
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Aventura
Classificação: 14 anos (Violência, Linguagem imprópria leve)
Português: Dublagem, legendas e interface
Plataformas: PC, Xbox Series X|S, PS5
Duração: 10 horas (campanha)
Um poder que se perde para ser reconstruído

Em From the Ashes, você retorna a Pandora após um evento devastador que deixa marcas profundas tanto no mundo quanto no protagonista. O DLC acompanha as consequências diretas desse colapso, colocando você diante de um território hostil, de novas ameaças e de conflitos internos que testam sua identidade, seus valores e sua ligação com o planeta. É uma história mais pessoal, focada na reconstrução, na perda e na resistência, que se desenrola em paralelo à luta contínua contra as forças humanas.
Dentro desse contexto, Avatar: Frontiers of Pandora funciona melhor do que nunca ao apoiar uma experiência mais narrativa e focada. O conteúdo adicional entrega uma campanha mais enxuta, com ritmo bem ajustado, combates mais interessantes e uma progressão que finalmente prende a atenção do começo ao fim. A adição do modo em terceira pessoa muda completamente a sensação de exploração e combate, tornando tudo mais cinematográfico e imersivo (sim, mais do que em 1ª pessoa), mesmo que alguns vícios clássicos da Ubisoft ainda persistam.
Exploração mais recompensadora e menos cansativa

Um dos maiores acertos de From the Ashes está na forma como ele estrutura sua progressão. A campanha começa colocando você em uma posição de domínio absoluto, com equipamentos, habilidades e upgrades completos. Essa escolha inicial transmite uma sensação de poder quase exagerada, que logo é desconstruída por eventos narrativos bem amarrados, o que força um retorno às origens.
Em pouco tempo, há um “reset” de poderio que lembra bastante a estrutura clássica de jogos como Castlevania e aqui funciona muito bem justamente por estar integrado à história. Nada parece arbitrário. Reconstruir o personagem aos poucos torna cada melhoria significativa, criando um senso de evolução constante e natural.

A exploração continua sendo um dos pilares da experiência, mas agora está melhor alinhada aos sistemas de progressão. Crafting e upgrades caminham juntos, incentivando você a explorar Pandora em busca de recursos para fabricar munição e aprimorar equipamentos. Diferentemente do jogo principal, o DLC evita excessos e não exige longas sessões de grind para avançar.
Ainda assim, o efeito conhecido como “Ubisoft, The Game” não desapareceu por completo. O mapa continua carregado de ícones e marcações, o que pode confundir e tirar parte da sensação de descoberta orgânica. Mesmo com melhorias no ritmo, o excesso de informações visuais, instruções e sistemas ainda pesa em alguns momentos.
Combate mais intenso e uma nova perspectiva

O combate ganha mais destaque em From the Ashes, especialmente com a introdução de novos inimigos que exigem atenção tática e um posicionamento mais preciso, já que enfrentar robôs armados até os dentes não é tão fácil assim. A dificuldade é bem equilibrada, oferecendo desafios reais sem recorrer a picos injustos. O grande diferencial aqui é o modo em terceira pessoa, que transforma completamente a forma como você enxerga as batalhas, os arredores e a travessia em si. Considero tudo muito mais imersivo nesse formato.
A movimentação fica mais fluida, o combate fica mais legível e a sensação cinematográfica do universo Avatar fica muito mais evidente. No entanto, alguns problemas persistem: certos cenários são escuros demais e apresentam quase uma névoa, além do excesso de verticalidade, o que dificulta a navegação e pode gerar frustração em combates mais caóticos. Fora isso, a versão para Xbox Series S roda a 30 fps, com suporte máximo de 40 fps, o que é, no mínimo, decepcionante não ter suporte a 60.
Narrativa, acessibilidade e limitações técnicas

Narrativamente, o DLC é um dos pontos altos da experiência. A história é envolvente, com diálogos mais emocionais e cutscenes bem dirigidas, criando um vínculo real com os acontecimentos. É um retorno a Pandora que realmente parece relevante no universo da franquia.
Em termos de acessibilidade, algumas configurações marcam presença, como opções para daltônicos e destaque visual de inimigos. Por outro lado, faltam ajustes essenciais, como a possibilidade de reduzir os efeitos de luz intensa, algo que pode ser problemático para pessoas sensíveis a estímulos visuais. Mesmo não tendo tanta sensibilidade, as explosões luminosas me incomodam. Vale destacar também que, diferentemente do jogo base, este DLC é exclusivamente single-player, sem qualquer opção de co-op.
Um retorno mais maduro, mas ainda imperfeito
From the Ashes é um DLC que evidencia uma evolução clara em relação ao jogo base. Ele é mais focado, mais bem ritmado e oferece uma experiência mais próxima do que se espera de Avatar: Frontiers of Pandora. Apesar de ainda carregar problemas estruturais típicos da Ubisoft em games de mundo aberto, como mapa poluído, pequenos bugs e limitações visuais, o pacote como um todo é sólido e vale a pena para quem gostou do game principal e quer uma experiência mais refinada.
Cópia de Xbox Series X|S cedida pelos produtores



