Call of Duty: Black Ops 7 apresenta uma campanha cooperativa para até quatro jogadores, que inclui uma grande inovação: um conjunto multijogador totalmente novo e diversas experiências no modo Zumbis. Isso significa que qualquer jogador de FPS poderá encontrar algo que lhe agrade no título. Embora os resultados variem em diferentes aspectos, especialmente na forma como o DNA de jogos específicos e de modos derivados pode ser percebido ao longo do título, a maior parte do jogo parece bastante sólida e valiosa.
Desenvolvimento: Treyarch
Distribuição: Activision Publishing
Jogadores: 1-2 (local) e 1-64 (online)
Gênero: Tiro
Classificação: 18 anos (drogas, violência extrema)
Português: Dublagem, legendas e interface
Plataforma: Xbox One, Xbox Series X|S, PS4, PS5, PC
Duração: 5 horas (campanha)
Dê o melhor de si

Black Ops 7 é o segundo lançamento consecutivo da Treyarch, um dos três estúdios principais da Call of Duty. Sua maior força reside na presença do modo multijogador, que se mostra robusto já no dia do lançamento. O jogo apresenta 30 armas e 19 mapas, ambos com remakes e referências diretas ao passado da franquia, principalmente ao Black Ops 2. Para um entusiasta de BO2, isso se alinha perfeitamente ao meu estilo de jogo, especialmente a possibilidade de utilizar armamentos com os quais eu dominava no meu auge competitivo. É esperado que esses números cresçam progressivamente a cada mês com o conteúdo pós-lançamento.
Seja ao desbloquear camuflagens, ao completar desafios de cartão de visita ou ao simplesmente dominar novatos com amigos, este é o jogo mais divertido que tive no modo multijogador de Call of Duty em anos. E isso é, absolutamente, um efeito direto da Activision e da Treyarch terem ajustado o peso que a habilidade do jogador tem no sistema de criação de partidas — o skill-based matchmaking (SBMM).

As partidas agora são definidas pela qualidade da conexão, então a distribuição de habilidade dos jogadores em ambos os times parece mais aleatória do que nunca, o que é um ponto positivo. Um confronto pode ser extremamente competitivo, enquanto o próximo pode resultar em uma vitória fácil a seu favor. No entanto, a sensação é que as probabilidades nunca estão contra você apenas porque obteve uma boa relação K/D (mortes/eliminações) na partida anterior. É assim que a experiência de Call of Duty deveria ser, e quando essa dinâmica ocorre, a diversão é total.
Porém, não se iluda: haverá momentos em que você ainda será derrotado por jogadores melhores (especialmente porque a tecnologia de movimento cria uma nova diferença de habilidade), mas isso não ocorrerá porque o algoritmo de matchmaking determinou que isso aconteceria. Será apenas porque aquele jogador específico estava presente em sua partida naquele momento. A preocupação reside, contudo, no fato de que a ausência de um SBMM rigoroso acabe afastando jogadores menos habilidosos, aqueles que talvez ele tenha sido projetado para proteger.
Os mortos estão de volta

O modo Zumbis está de volta pelo terceiro ano consecutivo. Embora eu já me sinta um pouco saturado dele, a legião de fãs do modo parece nunca se cansar da experiência. O mapa inicial deste ano, bem como a introdução da história contínua, intitula-se “Cinzas dos Condenados”. No entanto, isso representa apenas uma fração do conteúdo total que está disponível no lançamento. Cinzas dos Condenados integra a trama geral do modo Zumbis, que já se desenrola há anos. Sua missão easter egg foi lançada na tarde do dia de lançamento do jogo.
Jogadores do mundo todo se uniram para descobrir seus segredos, mas, pelo que joguei do novo mapa até agora, ele parece ser um dos “maiores sucessos” da franquia. O mapa inclui vários locais familiares espalhados pelo que é, historicamente, o maior mapa da história do modo Zumbis. Toda essa área pode ser atravessada utilizando a velha “Tessie”, o primeiro Veículo Maravilha.

Meu entendimento da narrativa dos Zumbis é quase inexistente hoje em dia, visto que ela evoluiu de divertidas caças aos easter eggs nos jogos originais para uma complexa e completa exposição multiversal nos títulos recentes. No entanto, quando se trata de equipar uma arma e utilizá-la para eliminar mortos-vivos, desbloquear camuflagens e acumular XP, a experiência permanece no mais alto nível de qualidade.
Além da experiência-base, há também o modo Sobrevivência, que se aproxima do formato clássico de rodadas dos primórdios do modo Zumbis, onde o jogador fica confinado a uma área restrita e enfrenta ondas intermináveis de mortos-vivos. Contudo, para os verdadeiros puristas, há a chegada iminente do modo Condenado, uma abordagem nostálgica que restringe a experiência: sem minimapa, sem equipamentos predefinidos, com o sistema clássico de pontos e, inclusive, modificadores de dificuldade para tornar a experiência mais desafiadora.

Para completar, há o modo de tiro intitulado “Dead Ops Arcade 4”, que possui seus próprios desbloqueios únicos, como uma camuflagem de arma específica disponível já no lançamento. Ele pode ser jogado tanto na perspectiva clássica de cima quanto totalmente em primeira pessoa, assim como os outros modos, o que aumenta ainda mais a variedade da experiência.
Atualmente, o modo Zumbis é tão sinônimo da franquia quanto qualquer outro e está bem representado no lançamento do título, com mais conteúdo planejado para as atualizações sazonais. Com todas essas opções diferentes incluídas, Black Ops 7 pode vir a ser a aposta de Zumbis mais completa que a série Call of Duty já teve.
Uma campanha facilmente esquecível

A campanha cooperativa de Black Ops 7 apresenta resultados inconsistentes e acaba sendo o ponto mais fraco do jogo este ano, embora ainda ofereça alguns momentos divertidos. A história, que dura poucas horas, é construída sobre um punhado de missões cinematográficas clássicas e lineares, repletas de cenas explosivas pelas quais as campanhas da série Call of Duty são conhecidas. No entanto, também há algumas aventuras de mundo aberto que relembram as amplamente criticadas missões de combate aberto de Modern Warfare III. Novamente, essas missões deixam muito a desejar e afastam muitos jogadores.
Essas missões ocorrem em Avalon, um mapa que parece ter sido construído ou destinado ao Warzone, a experiência de batalha royal da franquia — algo que ainda pode acontecer. O jogador recebe vários objetivos, como ir a um local específico, eliminar inimigos, defender uma posição, entre outros, e pode se mover pelo mapa da mesma forma que faria em Verdansk ou em qualquer outro cenário de grande escala. A travessia, potencializada por habilidades de movimento como o traje wingsuit ou o gancho, torna a exploração da área bastante divertida.

A ação é intercalada com diálogos e cutscenes para quebrar a exploração no estilo Warzone. Infelizmente, esse estilo de missão parece desconexo, menos polido e menos característico do design clássico de Call of Duty do que o restante do jogo. Por vários momentos, o jogo foge completamente do que a franquia representa e aposta em algo fora da realidade. Lutas contra chefes gigantes e monstros fazem parecer que estamos jogando Resident Evil 6, por exemplo.
Em termos de enredo, os eventos da história de Black Ops 7 são uma sequência direta de BO2 e giram em torno de David Mason e sua equipe, que lutam contra um conglomerado e sua arma química alucinógena, que traz o passado de volta para assombrá-los. Isso possibilita a inclusão de elementos bizarros de ficção científica, como batalhas contra chefes e confrontos com inimigos aterrorizantes do tipo “Medo”.

Somada ao cenário de 2035, em que a IA e robôs inimigos predominam, e à capacidade de usar apetrechos de alta tecnologia, como um supersalto ou um gancho de escalada, cria-se uma sensação distinta e inovadora nas missões principais, pouco comum na franquia CoD.
Esta campanha foi, definitivamente, concebida para ser jogada no modo cooperativo. Acredito que há diversão em jogar as missões-base da história com amigos (ou companheiros de equipe combinados aleatoriamente via matchmaking), especialmente com algumas pausas leves na ação e lutas grandiosas contra chefes.
Infelizmente, jogar a campanha sozinho é uma experiência frustrante, quase um pesadelo. Isso ocorre porque diversos encontros foram projetados para múltiplos jogadores, e essa limitação fica evidente. Não há substituto para companheiros de equipe controlados por humanos. Apesar do sistema de matchmaking estar disponível, essa falha na experiência single-player ainda parece um insucesso de design.
Ainda sim vale um pouco
O título demonstra esforços impressionantes, embora apresente alguns problemas perceptíveis que o atrapalham em sua totalidade. Ele não cativará a todos, mas vale o tempo e o investimento financeiro. Black Ops 7 expande a base de Black Ops 6 com uma promessa multijogador aprimorada, menos intensa e mais divertida no modo Zumbis. No entanto, uma campanha cooperativa esquecível, que serve de preâmbulo para o novo e empolgante modo Endgame, impede que o título seja um verdadeiro Call of Duty de alto nível.
Cópia de Xbox Series X|S cedida pelos produtores
Revisão: Júlio Pinheiro




