Freeride

Review Freeride (Switch) – Uma aventura narrativa difícil de engolir

Freeride é um jogo de aventura com elementos de RPG e narrativa ramificada, no qual você controla Proto, um espírito que embarca em uma jornada surreal após encontrar a misteriosa Lepida em uma estação de trem. A proposta mistura exploração, escolhas que afetam o desenrolar da história e uma espécie de “teste de personalidade” que acompanha suas decisões ao longo das múltiplas rotas e de suas finais.

Desenvolvimento: Flightyfelon Games
Distribuição: Flightyfelon Games
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Aventura, RPG
Classificação: Livre (Violência fantasiosa, Temas sugestivos)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, Switch
Duração: 3 horas (campanha)/5 horas (100%)

Ideia interessante, mas mal executada

Cena de visita ao mercadinho do jogo
Controle Proto nessa aventura narrativa cheio de enigmas e conversas aleatórias ou confusas

Freeride tem uma ideia interessante no papel. A combinação de narrativa ramificada, múltiplos finais e um sistema que analisa suas escolhas como um teste de personalidade cria uma proposta curiosa e até convidativa, principalmente para quem gosta de experimentar diferentes caminhos e montar o quebra-cabeça da história.

O indie também acerta na atmosfera. A direção de arte tem um charme evidente, com personagens em estilo chibi e uma estética que remete a anime, enquanto o filtro visual mais granulado busca criar uma sensação de sonho ou até algo inspirado na era PS1. A trilha sonora acompanha bem essa proposta, alternando entre o etéreo e o melancólico, contribuindo para a imersão.

Momento de dança
De repente, você se pega em um jogo de Pump it Up na área arcade… o que também deixa a desejar por ter sido malfeito e ter delay

Mas é justamente na execução que tudo começa a desmoronar. Apesar da interface ser visualmente organizada, a navegação é extremamente travada e pouco responsiva. Menus parecem lentos e ações simples acabam exigindo mais esforço do que deveriam. Isso se estende à gameplay como um todo.

As mecânicas são rasas. Você explora áreas, conversa com NPCs, coleta itens, pode presentear personagens ou usar objetos e arremessá-los como forma de combate a inimigos, mas nada disso tem profundidade real. Mesmo o sistema de rotas, que deveria ser o grande diferencial, acaba dependendo mais de tentativa e erro do que de decisões realmente significativas.

O que é até legal

Momento de conversa entre NPCs com corpos antropomorficos
Jogo tem história misteriosa e vários caminhos para seguir

A estrutura de múltiplas rotas e finais até tem seu valor. A ideia de revisitar capítulos, desbloquear caminhos alternativos e descobrir mais sobre os personagens funciona conceitualmente e talvez agrade a quem gosta de narrativas fragmentadas.

O sistema de “estatísticas de personalidade”, ao final de cada capítulo, também é um toque interessante, trazendo um feedback visual das suas escolhas. Além disso, a estética e a trilha sonora conseguem sustentar parte da experiência, criando um clima único, mesmo que o restante do game não acompanhe.

Os muitos problemas

Cena de conversa com vendedor de sorvetes
O jogo tenta ser diferente, mas acaba sendo é confuso e mal adaptado pra PTBR, fora os outros problemas técnicos

Os problemas técnicos e de jogabilidade são difíceis de ignorar. A resolução no Switch é extremamente baixa, o que passa constantemente a sensação de imagem borrada, quase como se estivesse rodando em 360p. A performance em 30 fps também não ajuda a suavizar a experiência.

Os controles são um dos maiores problemas. Movimentação imprecisa, delay perceptível e ações pouco intuitivas tornam tarefas simples frustrantes. Isso fica ainda mais evidente no combate, que é facilmente o ponto mais fraco do jogo. O sistema de arremesso de itens é inconsistente, com mira pouco confiável e feedback inadequado.

A exploração até tenta lembrar um action platformer leve, mas a ausência de controle de câmera e a sensação flutuante dos movimentos comprometem a fluidez. Já a narrativa, que deveria ser o pilar central, acaba se perdendo. A proposta mais abstrata e misteriosa existe, mas em vez de intrigar, frequentemente confunde.

Confuso e diferentão, mas vai que você gosta

Freeride tem boas ideias e uma identidade visual marcante, mas sofre bastante na execução. A proposta de múltiplas rotas, narrativa fragmentada e análise de personalidade tem potencial, e a atmosfera criada pela arte e pela trilha sonora ajuda a manter um certo interesse inicial. No entanto, mecânicas rasas, controles imprecisos e travados, desempenho técnico fraco e uma narrativa mais confusa do que intrigante acabam pesando muito contra a experiência. É um daqueles casos em que o conceito chama mais atenção do que o produto final, resultando em algo que pode até despertar curiosidade, mas dificilmente se sustenta..

Cópia de Switch cedida pelos produtores