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Review Frostpunk – Sobreviva se for capaz

Lançado em 2018 para PC e portado em 2019 para consoles (exceto Switch), Frostpunk é um jogo de simulador e gerenciamento de recursos da 11 bit Studios, onde você é o líder de uma pequena civilização inglesa sobrevivente em uma dura nevasca. Em 2020 o jogo também recebeu o DLC Last Autumn, aproveitando muito das mecânicas padrão da campanha principal e tirando completamente o inverno da jogabilidade.

Ano: 2018/2019
Jogadores: 1
Gênero: Simulador, Estratégia, Gerenciamento
Classificação indicativa:
10 anos
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, Xbox One e PS4
Duração: 10 horas (campanha)/ 41 horas (100%)

Um inverno cruel

Nova Londres, 1886. O Sol escureceu, houveram erupções de Krakatoa e do Monte Tambora e o mundo foi vítima de um inverno vulcânico. Milhões de pessoas morreram e civilizações foram devastadas. Com isso, geradores de calor foram construídos pelos britânicos do norte, ricos em carvão, fazendo com que a esperança fosse colocada nestas fontes de aquecimento. Contando com 3 cenários no total + DLC, você é o líder da pequena cidade com a missão de gerenciar os recursos, pessoas, felicidade e esperança.

A base do jogo

Quero começar dizendo que perdi a conta da quantidade de vezes que fui mandado embora da civilização (game over) em Frostpunk. Se tem alguma coisa que aprendi com este jogo é que não devemos ceder à pressão das pessoas e tudo que elas exigem – não dá pra agradar todo mundo. É melhor não prometer algo do que prometer e não poder cumprir depois. No jogo existem dois medidores principais: o de esperança (hope) e o de descontentamento (discontent). As duas barras se conversam completamente, e você precisa saber o momento de qual delas priorizar para manter o equilíbrio e não ser expulso de seu cargo.

Antes de entender completamente como tudo funcionava, percebi que todos os dias as pessoas dormiam nas “ruas” ao lado da grande fornalha no centro do mapa. Demorei um pouco a entender que todas precisavam de moradias para não viverem como uma espécie de sem-teto. Uma dica que obviamente é importante em Frostpunk: leia o tutorial antes. Em muitos jogos tenho o costume de ir pela intuição e explorar a jogabilidade na base da tentativa e erro, mas o jogo não é tão amigável ao tentar se guiar pelo achismo. Você vai se encontrar extremamente frustrado e reiniciando a missão várias e várias vezes.

Algo que fiz depois de várias horas não tendo sucesso e sendo expulso foi ler dicas na internet. Foi extremamente útil, pois, mesmo entendendo como o jogo funcionava, eu me sentia fazendo alguma coisa errada em todo o processo de crescimento da minha pequena cidade. O segredo do jogo está em suas decisões iniciais, porque são elas que vão dar a base para que você, depois de alguns dias, consiga se manter firme e forte em meio à pressão dos cidadães e a quase escassez de recursos.

Complexidade é o sobrenome

Você precisa saber que Frostpunk não é um jogo tranquilo. O modo normal é praticamente o modo difícil. O modo fácil é quase um modo normal, e mesmo assim tem uma boa dose de dificuldade. Por isso, recomendo que você jogue longas horas no modo mais fácil até dizer chega. Tire bastante vantagem também do recursos de salvar, que permite você criar um ponto de carregamento em qualquer momento do jogo – você vai precisar disso.

Para conseguir manter sua pequena civilização, é necessário estar sempre atento à fornalha central e manter ela acesa. Para isso, você precisa elevar ao máximo sua quantidade de carvão (coal) para deixar a população aquecida – além dos edifícios próximos. Quanto mais você aprimora sua fornalha através da “árvore de aprimoramentos”, mais potente ela se torna e mais alcance ela obtém para aquecer até os locais mais distantes do centro da cidade. Se você deixar as fábricas e postos de trabalho sem o alcance do calor – que geralmente são obrigados a ficar distantes da fornalha -, todos aqueles que estão trabalhando nestes locais acabarão morrendo. E isso é extremamente grave, pois logo você percebe que precisa e muito de pessoas vivas (óbvio) para gerar seus recursos. Você também pode apelar e colocar crianças para colocarem a mão na massa em serviços mais leves – ou até mesmo mais pesados em fábricas, dependendo da lei que você aprovar -, mas isso causará revolta e descontentamento da população, sem falar que os pequenos podem se ferir no trabalho – daí já viu, né.

Diferentemente de jogos de estratégia em tempo real mais famosos, como Age of Empires, em Frostpunk não podemos “criar” pessoas novas no momento em que queremos. Para isso, precisamos optar por alternativas como mandar nossos habitantes em expedições ao redor do mapa para talvez encontrarem sobreviventes, o que sobe absurdamente o nível de atenção que você precisa ter para manter seus moradores vivos e saudáveis. Para nos auxiliar e liberar os trabalhadores para outras tarefas, é possível encontrar maquinários que automatizam trabalhos em sua cidade, o que ajuda e muito na hora de gerar recursos. Tudo precisa ser meticulosamente pensado para não ser prejudicado e desbalancear o jogo, mas, uma vez que você pegou a ordem das coisas, a jogatina se torna mais “automática” e “scriptada”.

Cenários e modos do jogo

Frostpunk é um título complexo de se explicar, o que exigiria praticamente um guia relativamente longo para detalhar todos os elementos de sua jogabilidade. Por isso, vamos focar nos cenários e modos oferecidos atualmente pelo jogo (2020) – e no que eles consistem.

Um Novo Lar: o cenário principal do jogo. Você é conhecido como “O Capitão” e precisa liderar os sobreviventes de Londres que se refugiaram por conta do frio e da fome. Sua tarefa basicamente é administrar todos os recursos até que o inverno chegue ao fim. Naturalmente, precisa lidar com a pressão da população, aprovando leis/regras que mudam completamente a jogatina e os medidores, mantendo todos contentes e esperançosos enquanto manda expedições para explorar locais próximos, etc.

As arcas: você deve cuidar das chamadas Arcas, cujos locais podem ser usados para abrigos em tempestades de neve.

Os refugiados: pessoas e mais pessoas chegarão em sua pequena civilização, e você deverá administrar a todos da melhor forma possível enquanto resolve conflitos entre a população.

A queda de Winterhome: cenário liberado após o 20º dia sobrevivido em Um Novo Lar. É uma forma de jogo onde várias coisas já estão pré-estabelecidas, como construções, leis e tecnologias.

Modo sem fim: São as formas livres do jogo, as quais o jogador pode desfrutar de Frostpunk à sua forma e treinar sua capacidade de gerenciamento. Este modo se divide em Resistência, para quem gosta de jogar com desafios e escassez de recursos, o modo Contrutores, para malucos que querem apanhar do jogo, e o Serenidade, o mais indicado para que você masterize Frostpunk.

DLC The Last Autumn

Esqueça a neve, o frio e a preocupação em manter sua população aquecida para sobreviver. Como o próprio nome já diz, The Last Autunm trata do último outono vivido pela civilização antes do mundo congelar e o inverno forçado ter início. Apesar dessa suposta vantagem, neste cenário você precisa ter atenção com aspectos envolvendo a segurança do trabalho de sua população.

O DLC reaproveita muito do jogo base, mas decide ser um pouco flexível ao mesmo tempo que traz algumas principais mudanças consigo, como a missão de construir o gerador (a fornalha) dentro de 45 dias – aquele que fará com que todos futuramente sobrevivam o utilizando como fonte de calor de acordo com o contexto da história. Com o frio ainda por vir, você precisará focar em coletar recursos e administrar a população através das aprovações de leis – algumas feitas exclusivamente para o Last Autumn. Algo a se notar aqui é a ausência da necessidade de se produzir carvão, obviamente porque o conteúdo se passa num período menos abrupto climaticamente falando.

A quantidade de trabalhadores necessários para a construção do gerador central assusta: você precisa demandar 50 pessoas para a tarefa, e mais algumas para as dependências que vão criar suas peças. A fonte de alimentos mais comum neste cenário se dá através dos pontos de pesca, além da já conhecida Toca do Caçador – apesar de menos efetiva aqui. Os recursos são obtidos principalmente usando as docas, onde você escolhe o que será obtido em cada uma. Cada doca exige que trabalhadores fiquem à espreita para recolher os recursos desembarcados.

Apesar de ser contar com mudanças relativamente pequenas na fórmula original de Frostpunk, The Last Autumn diverte e desafia o jogador já familiar com a jogabilidade. Mesmo que você seja um mestre no quesito sobrevivência no inverno da campanha principal, o DLC trará algumas boas horas a mais de história para fãs deste excelente simulador.

Concluindo, posso dizer com tranquilidade que Frostpunk fica ao lado de Tropico como um dos melhores gerenciadores que já joguei. O desafio é grande, porém totalmente possível e recompensador.

OBS.: curiosamente o jogo ganhou tradução para português brasileiro no PC alguns dias após o lançamento do DLC.

Prós

  • Jogo desafiador
  • Sensação de progresso
  • Progressão recompensadora
  • Permite salvar a qualquer momento
  • Modo livre para treinar

Contras

  • Tradução em português com erros visuais
  • Desnecessariamente complexo

Este review foi feito usando uma cópia para PC cedida pela 11bit Studios