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Review Graveyard Keeper – O dia-a-dia de um coveiro

Um jogo com temática bem inusitada, dotado de uma história rasa e uma jogabilidade que carece de clareza: este é Graveyard Keeper. Publicado pela Tiny Build Games e desenvolvido pela Lazy Bear Games, no jogo controlamos um coveiro que acabou sendo privado de sua vida comum por motivos sobrenaturais. O que um título com um tema tão único tem para nos oferecer?

Ano: 2018/2019
Jogadores: 1
Gênero: Simulador, Gerenciador, RPG
Classificação indicativa:
Livre
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS4, Xbox One e Switch
Duração: 45 horas (campanha)/ 63 horas (100%)

Apresento-lhes o burro esquerdista

A temática anima

Quantas pessoas hoje em dia mexem no celular enquanto dirigem? Pois é, o protagonista acabou caindo no erro de cometer este delito e termina num acidente de carro. Ao acordar, ele se vê obrigado a agir em sua nova profissão como coveiro. Em Graveyard Keeper você inicia sua jornada com um homem sem nome numa época medieval em cerca de 204 anos depois do “contrato antigo”, segundo o dono da taverna Cavalo Morto.

Pra começar, você precisa desenterrar um crânio falante desbocado que começa a te dizer que vai responder suas perguntas se você fizer antes alguns favores em troca. Logo algumas mecânicas são apresentadas, como de enterrar corpos, fazer autópsia e extrair recursos deles, vender carne dos corpos na taverna, gerar relacionamento com outros personagens, criar novas tecnologias para desbloquear recursos e itens novos, etc.

Apesar de se mostrar bem interessante em poucos minutos, o jogo falta com clareza ao te dizer as missões atuais que devem ser feitas e que tipo de recursos você precisa exatamente para criar os itens necessários para cumprir as tarefas – mesmo entrando em “mais informações”. Até pegar o jeito da coisa, o jogador com certeza terá algumas dificuldades e frustrações por conta das mecânicas não serem intuitivas e se apoiarem em longos textos. Nada escandalosamente complicado, mas varia muito de pessoa pra pessoa a velocidade do aprendizado.

Enterrando corpos, você faz o seu trabalho e prejudica a beleza do cemitério: que conveniente

Ritmo extremamente lento

Em Graveyard Keeper você perceberá que o jogo todo se passa num ritmo devagar – e não só poeticamente falando. Principalmente os controles do personagem, que passam a sensação de serem limitados ou imprecisos até mesmo para abrir uma simples porta. Em vários momentos me senti desanimado em continuar minha jornada, principalmente quando precisava andar de um lugar para outro e a distância era muito grande. Pra piorar, o jogo só permite salvar o progresso ao dormir em sua cama. Em um dado momento, apareceu o ícone do meu jogo sendo salvo e me senti tranquilo, mas ao fechar o jogo e abrir novamente depois percebi que o save não havia se concretizado.

“recursos especiais” = se vira pra descobrir como produzi-los

Até as coisas mais simples do jogo exigem que você passe muito tempo para conseguir obtê-las, e isso se deve ao fato da curva de aprendizado ser demorada, da falta de informações sobre onde obter certas coisas e principalmente a complicação desnecessária para cumprir quase todas as missões. Tudo isso acaba enjoando em poucas horas de jogatina por você se sentir quase que obrigado a ficar olhando dicas e guias na internet. A sensação de dever cumprido aqui também é um pouco difícil de perceber, visto que o jogo te “recompensa” com mais e mais tarefas que vão te dar dor de cabeça para completar. De alguma forma, Graveyard Keeper se mostra engessado, parecendo ter o objetivo de segurar o jogador e impedir ele de crescer rapidamente dentro do jogo.

É melhor se livrar dos corpos e manter a aparência do cemitério num alto nível

Game design falho

O jogo falha em tornar muitas coisas mais diretas e intuitivas. Fiquei quase 1 hora jogando o jogo até acabar descobrindo na internet que existia uma forma de verificar as missões atuais no menu de personagens conhecidos, algo que deveria estar num local bem mais óbvio. Não entendia o porquê de, logo que recebia uma tarefa, ela aparecia no canto superior direito da tela e depois sumia. Além disso, não tem como manter qualquer uma delas fixadas na tela, obrigando o jogador a toda vez acessar o menu para visualizar quais são as que estão ativas.

Acredito que o elemento mais cansativo do jogo é a quantidade absurda de grinding que você precisa pra completar tarefas bobas. De alguma forma, tudo parece ter uma longevidade superficial, mostrando claramente que o jogo procura se estender usando suas mecânicas para segurar o jogador. Como citei no tópico anterior, o ritmo de tudo em Graveyard Keeper é bem lento, então você vai ter investido umas 5 horas e vai perceber que jogou apenas 1 – no mau sentido -, e notará que fez tão poucas coisas e progrediu tão pouco na história que a vontade de largar o jogo será grande.

Se as mecânicas fossem intuitivas, o texto deste tamanho não se faria necessário

Problemas técnicos

Exclusivamente nos consoles parece que Graveyard Keeper veio com surpresas ruins. Tratando aqui da versão de Switch, o jogo apresenta quadros por segundos baixíssimos até mesmo no modo dock, input delay (atraso nos comandos), loadings longos demais, coisas que somadas estragam a experiência. Como seu lançamento já foi há algum tempo e até hoje não vimos uma atualização que corrigisse problemas que acompanham o jogo desde o início, eu não ficaria tão esperançoso em receber uma correção. O que é triste, pois a jogatina melhoraria bastante se estes probleminhas fossem sanados.

Considerações finais

Graveyard Keeper é um simulador que está restrito à pessoas com muita paciência e força de vontade, as quais provavelmente se prendem mais à história e ignoram um pouco a jogabilidade. Se você procura algo no estilo Stardew Valley com uma pitada demasiadamente grande de desafio – mas com alguns problemas -, o jogo com certeza é pra você. Caso você queira uma jogatina mais amigável, que seja possível jogar em períodos curtos de tempo e mesmo assim sentir uma boa dose de progressão, mantenha distância. Bom, pelo menos aqui não temos que nos atentar às necessidades básicas do coveiro, como dormir, comer, etc. Aliás, não entendi o porquê de um DLC ser gratuito na versão de PC e pago nos consoles.

Prós

  • Tema jamais visto
  • Bastante conteúdo
  • Gráficos nostálgicos
  • Bom humor

Contras

  • Performance
  • Sensação de dever cumprido quase inexistente
  • Ritmo lento de progressão
  • Exige muita paciência
  • Curva de aprendizado demorada
  • Música repetitiva

Este review foi feito usando uma cópia para Switch cedida pela Tiny Build