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Review GreedFall: The Dying World (Xbox Series X) – Protegendo o nosso lar

Passando-se alguns anos antes dos acontecimentos do primeiro GreedFall, o segundo título da franquia, GreedFall: The Dying World, nos faz inverter os papéis. Desta vez, devemos acompanhar um nativo da ilha de Teer Fradee em uma jornada pelo velho continente de Gacane (um cenário visto brevemente na experiência anterior), em busca de respostas e de uma forma de voltar para casa e proteger nosso povo. Finalmente, será possível conhecer mais a fundo cada uma das facções das quais ouvimos falar e com as quais interagimos ao longo do primeiro GreedFall, além de nos reencontrarmos com velhos conhecidos.

Desenvolvimento: Spiders
Distribuição: Nacon
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Aventura, Ação, RPG
Classificação: 18 anos (violência extrema, conteúdo sexual, drogas)
Português: Legendas e Interface
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 54 horas (campanha)

Ritual de iniciação

Explorando a nossa aldeia em Teer Fradee.
Explorando a nossa aldeia em Teer Fradee.

A nossa jornada em GreedFall: The Dying World se inicia com o protagonista Vriden Gerr e seus amigos, Nílan e Shéda, preparando-se para o ritual de iniciação no qual Vriden e Nílan se tornarão doneigad’s, sábios da ilha de Teer Fradee que devem proteger suas terras e seu povo, deixando de lado as diferenças entre as tribos da ilha.

Porém, antes de realizarmos o ritual, devemos demonstrar que estamos prontos para tamanha responsabilidade. Dessa maneira, nos é atribuída algumas tarefas relacionadas aos povos do Velho Continente que estão vindo para a ilha, trazendo consigo caos e doenças. Após realizarmos o que nos é solicitado, finalmente passamos pelo ritual de iniciação e nos tornamos sábios, apenas para sermos atacados pelos estrangeiros, evento esse que culmina na morte do nosso mestre e em nossa captura.

Após sermos capturados e levados para o Velho Continente, conseguimos escapar de onde somos mantidos como prisioneiros com a ajuda de alguns personagens que serão importantes para o desenrolar da trama. Agora livres, devemos reunir recursos, recrutar companheiros e forjar alianças para conseguirmos não só voltar para o nosso lar, mas também encontrar respostas sobre aqueles que nos sequestraram e descobrir quais são os seus planos para o povo de Teer Fradee, pois só assim poderemos impedi-los de causar mal à nossa terra. Tudo isso enquanto somos jogados em um mundo totalmente desconhecido para nativos que nunca haviam deixado a ilha.

Mudança na jogabilidade

Enfrentando uma matilha de cães.
Enfrentando uma matilha de cães.

Deixando de lado o combate de ação em terceira pessoa, GreedFall: The Dying World aposta em um estilo tático em tempo real, que permite ao jogador pausar a qualquer momento para selecionar qual habilidade usar com cada integrante da equipe durante os embates contra os diversos inimigos que enfrentaremos ao longo da campanha. Inicialmente, esse novo estilo escolhido pelos desenvolvedores da Spiders me lembrou a jogabilidade do primeiro Dragon Age, com suas pausas táticas e escolhas de habilidades. Por um lado, é o tipo de mudança que agradará aqueles que gostam de combates mais pensados e estratégicos, mas pode desagradar quem preferia o estilo antigo com mais ação.

No mais, a jogabilidade funciona de forma satisfatória, e ainda é possível deixá-la um pouco menos tática, ativando a inteligência artificial dos companheiros e atacando apenas com o protagonista, opção que funciona relativamente bem em combates que exigem menos estratégia. O combate gira em torno dos pontos de ação que recebemos ao atacar um alvo. Somente o ataque básico é “grátis”; todo o resto, além de possuir tempo de recarga, consome uma quantidade de pontos de ação, o que exige atenção do jogador para não usar uma habilidade no momento errado.

Explorando o velho continente

Chegando ao velho continente.
Chegando ao velho continente.

Assim como em seu antecessor, a exploração em GreedFall: The Dying World se dá por meio de mapas semiabertos, muitos deles com áreas interconectadas entre si e muito bem ambientadas. Percorremos desde galerias de esgotos, ruínas de civilizações antigas, cavernas e túneis de mineração, até portos marítimos, bibliotecas e muito mais.

Após algumas horas de jogo, desbloqueamos nosso principal meio de locomoção: o navio Constanzia, que também funciona como nossa base e ponto de encontro entre todos os companheiros da equipe. A partir dele, podemos utilizar o sistema de viagem rápida livremente para acessar as cidades disponíveis no continente e cumprir os objetivos das missões primárias e secundárias.

A exploração é recompensada com itens encontrados em baús espalhados pelo mapa. Esses itens podem ser úteis tanto para a fabricação de equipamentos, como armas e armaduras, quanto para a produção de poções e venenos, desde que tenhamos nível suficiente na habilidade de crafting.

Reputação e sistema de níveis

Tela de atributos do personagem.
Tela de atributos do personagem.

Um ponto importante em GreedFall: The Dying World é a mecânica de reputação. Não apenas o nosso relacionamento com os companheiros é afetado pelas decisões tomadas, como também o relacionamento com cada facção do jogo, impactando diretamente a forma como seremos tratados quando precisarmos do apoio de algum deles.

Além do sistema de reputação, o sistema de classe e níveis também é bastante maleável. Embora não seja possível alterar a classe dos companheiros, o protagonista tem acesso a uma variedade de árvores de habilidades extensa. Não ficamos presos a uma única classe; nosso personagem pode mesclar habilidades de diferentes árvores, sendo necessário apenas cuidado para que as escolhas se complementem.

Podemos até mesmo aprender novas árvores durante o jogo. Por exemplo, é possível aprender a utilizar armas de fogo após sermos ensinados por um dos companheiros. E, à medida que subimos de nível, é possível melhorar não apenas nossas habilidades, mas também cada um dos atributos do personagem, como vida, força e outros, permitindo uma customização estratégica completa.

Longe de ser um primor técnico

Embora conte com uma boa ambientação, jogabilidade e trilha sonora, GreedFall: The Dying World está longe de entregar uma qualidade técnica que faça jus à atual geração de consoles, ou até mesmo à anterior. Ao jogar, tive a impressão de que o jogo é graficamente inferior ao primeiro título da franquia, lançado em 2019, com personagens surgindo bem próximos ao protagonista, serrilhados visíveis e problemas de performance, como crashes e momentos em que o jogo congela, sendo necessário reiniciar, o que impacta o andamento da aventura. Ainda assim, ao tentarmos deixar de lado esses pontos negativos, é muito bom poder explorar o mundo de GreedFall mais uma vez, desta vez vendo o continente pelo ponto de vista de um nativo, e não de um colonizador.

Cópia de Xbox Series X|S cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

GreedFall: The Dying World

6.5

Nota final

6.5/10

Prós

  • Boa construção de mundo e expansão do universo
  • Boa trilha sonora
  • Sistema de reputação

Contras

  • Qualidade gráfica abaixo do esperado
  • Desempenho técnico inconsistente
  • Mudança no estilo de combate pode afastar fãs