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Review I Hate This Place (Xbox Series X) – Traços coloridos e gritos silenciosos

Baseado na adaptação da HQ homônima da Skybound, escrita por Kyle Starks e Artyom Topilin, I Hate This Place apresenta uma proposta de horror de sobrevivência isométrica que tenta equilibrar o estilo visual vibrante dos quadrinhos com a brutalidade de um mundo amaldiçoado.

Desenvolvimento: Feardemic
Distribuição: Rock Square Thunder
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Aventura, Terror
Classificação: 14 anos (violência, conteúdo sexual, drogas lícitas)
Português: Interface e legendas
Plataformas: Xbox Series X|S, PC, PS5, Switch
Duração: 6 horas (campanha) 

Onde o pior lugar da terra é real

Nada de bom acontece quando se mexe com invocações do submundo

A herança de uma propriedade rural costuma ser o ponto de partida para o idílio bucólico ou para o pesadelo absoluto. Em I Hate This Place, a protagonista Elena e sua companheira Lou rapidamente descobrem que o Rancho Rutherford não é apenas um pedaço de terra mal cuidado, mas um nexo para forças sobrenaturais que parecem ter saído diretamente das páginas de uma HQ de terror dos anos 80.

O jogo não perde muito tempo com sutilezas: você chega, as coisas dão errado e a sobrevivência se torna a única moeda de troca. O enredo é contado através de interações ambientais e diálogos entre as personagens, mantendo um ritmo de “filme B” que combina perfeitamente com a estética.

O diferencial narrativo aqui é o foco na relação entre Elena e Lou. Enquanto muitos jogos de survival horror focam no isolamento total, ter uma companheira adiciona uma camada de urgência emocional — você não quer apenas sobreviver; você quer mantê-las juntas naquele inferno isométrico.

A estética dos quadrinhos e a vibe oitentista

A vida no campo não é de calmaria nesse caso.

Graficamente, o jogo é um deleite para quem busca algo além do realismo genérico. Com um estilo cel shading agressivo, com contornos pretos pesados e uma paleta de cores saturada que cria uma atmosfera que é vibrante e opressiva ao mesmo tempo. Quando a noite cai no rancho, o contraste entre a luz limitada da sua lanterna e as sombras profundas e chapadas da estética de quadrinhos cria uma silhueta de terror muito eficaz.

A trilha sonora é minimalista, carregada de sintetizadores, mas o verdadeiro “músico” aqui é o som ambiente. O barulho de galhos secos quebrando, o clique de uma arma descarregada ou até mesmo o som de correr em vez de andar agridem o silêncio e atraem as abominações do rancho. Os controles oferecem um botão de “modificador de passo” para caminhar silenciosamente, e saber quando alternar entre a furtividade e a corrida desenfreada é o que define quem vive e quem vira adubo no Rutherford.

A perspectiva isométrica aqui serve para aumentar a paranoia. Você tem uma visão ampla do cenário, mas o jogo usa “névoa de guerra” e obstáculos ambientais para garantir que você nunca veja o que está logo atrás de uma parede ou dentro de um arbusto.

A luta contra a perspectiva

Monstros esquisitos recheiam o lugar.

O combate em I Hate This Place é deliberadamente desajeitado. Elena não é uma super-soldada e o jogo quer que você sinta isso. No entanto, há uma linha tênue entre controles que são intencionalmente desajeitados e imprecisos. Muitas vezes, acertar um golpe de curta distância ou mirar um projétil em um ângulo isométrico resulta em frustração, especialmente quando os inimigos se movem com uma agilidade que os controles não parecem acompanhar.

O jogo sofre com algumas decisões de design que parecem punir os jogadores só por punir. Há um sistema de fome e sede em um jogo onde o terror e a furtividade são os focos. Então, ter que parar a cada cinco minutos para comer uma lata de feijão parece um sistema que foi herdado de jogos de sobrevivência genéricos, não adicionando nada à tensão narrativa e servindo apenas como um limitador de tempo irritante. Em certas áreas, os inimigos reaparecem de forma quase instantânea se você sair e entrar na tela, o que anula a sensação de progresso ao “limpar” um setor do rancho para explorá-lo com calma. Somando a isso, a morte pode custar caro demais. Perder 20 minutos de exploração e coleta de recursos porque um inimigo te pegou por trás devido a uma falha de câmera é o tipo de frustração que beira a desistência.

Uma estadia amarga, mas memorável

I Hate This Place é um jogo que vive sob o estigma do seu título. Você vai odiar a dificuldade injusta em alguns momentos, vai odiar os controles de mira e, certamente, vai odiar o quão implacável a noite pode ser. Mas você vai amar a estética única, a fidelidade ao material original e a coragem de tentar algo diferente no gênero de survival horror.

Cópia de Xbox Series X cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

I Hate This Place

7

Nota Final

7.0/10

Prós

  • Direção de arte excepcional que traz a HQ à vida
  • Atmosfera de "horror oitentista" muito bem executada
  • Mundo dinâmico que recompensa (e castiga) a exploração

Contras

  • Combate impreciso e frustrante
  • Sistemas de sobrevivência que parecem deslocados
  • Curva de dificuldade que pode ser punitiva demais para jogadores iniciantes