Kaku: Ancient Seal capa

Review Kaku: Acient Seal (Xbox Series S) – Inacabado mas promissor

Kaku: Ancient Seal aposta em uma apresentação acolhedora logo de cara. O visual chama a atenção com um estilo cartunesco que lembra animações da Pixar, trazendo um mundo vibrante, personagens expressivos e uma atmosfera leve que convida à exploração. A proposta mistura ação, aventura e progressão simples, tentando capturar aquela sensação clássica de jornadas heroicas em mundos abertos compactos. Mas o quanto isso consegue mascarar o restante?

Desenvolvimento: BINGOBELL
Distribuição: Microids
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Aventura
Classificação: 12 anos (Violência Fantástica)
Português: Não
Plataformas: PC, Xbox Series X|S, PS5
Duração: 12 horas (campanha)

Um mundo simpático que sabe se preencher

O mundo incentiva à exploração, então ponto positivo
O mundo incentiva à exploração, então ponto positivo

Pra começar, o mapa é bem construído e evita aquele erro comum de mundos abertos vazios. Inimigos são posicionados de forma estratégica, o que faz com que a exploração tenha um propósito e um bom ritmo. Você raramente caminha por longos trechos sem encontrar algo para fazer, seja um combate, um obstáculo ambiental ou um pequeno desafio de progressão.

Visualmente, tudo funciona melhor do que se esperava. O design das áreas é variado, com cores vivas e identidade clara. Mesmo sem impressionar tecnicamente, o conjunto artístico sustenta bem a experiência e ajuda a mascarar algumas limitações estruturais presentes aqui. Especificamente, no Xbox Series S, o game roda a 30 fps e apresenta serrilhados em vários momentos — o que evidencia a falta de otimização para o console.

Habilidades com boas ideias, mas execução limitada

Combate e habilidades acabam sendo simples demais, assim como o personagem
Combate e habilidades acabam sendo simples demais, assim como o personagem

O sistema de habilidades é um dos pilares da progressão e, conceitualmente, funciona bem. Ao longo da jornada, você desbloqueia golpes especiais corpo a corpo, ataques carregados mais fortes, melhorias de mobilidade e habilidades ligadas ao estilingue, que passa a usar diferentes efeitos elementais como fogo, gelo e eletricidade. Esses elementos são usados tanto no combate quanto na resolução de pequenos puzzles ambientais, como ativar mecanismos, queimar obstáculos ou congelar superfícies.

Além disso, há melhorias passivas que aumentam atributos como vida, resistência e dano e habilidades que ampliam a eficiência em combate, como golpes em área ou ataques que quebram a defesa de inimigos específicos. Mesmo assim, parece que o game não arrisca e mantém as coisas niveladas por baixo o tempo todo.

O mundo é bem bonito, visualmente falando
O mundo é bem bonito, visualmente falando

No papel, toda essa evolução sugere uma progressão interessante e uma certa liberdade de abordagem. Na prática, porém, o impacto dessas habilidades é limitado. Muitas delas acabam sendo subutilizadas porque o combate não exige variação real de estratégia, apesar de introduzir as novidades mencionadas.

Os inimigos raramente forçam você a combinar poderes ou adaptar seu estilo, o que faz com que boa parte das habilidades pareça opcional ou pouco relevante. Existe variedade, mas falta profundidade e incentivo real para explorar todas essas possibilidades.

Combate funcional, mas raso

O jogo podia ter se arriscado mais e oferecido uma gameplay melhor elaborada
Kaku podia ter se arriscado mais e oferecido uma gameplay melhor elaborada

O combate cumpre o básico, mas não vai muito além disso. Ataques leves, pesados, esquiva e habilidades especiais formam um loop simples, que funciona nos primeiros momentos, mas rapidamente se torna previsível. Mesmo com novas habilidades desbloqueadas, as lutas seguem a mesma lógica do início ao fim. É uma espécie de mistura entre Soulslike e hack ‘n’ slash, mas o game parece não saber fazer muito bem nenhum deles.

A ausência de inimigos com padrões mais complexos (e o exagero na quantidade de abelhas nos mapas) ou de encontros que exijam planejamento faz com que o sistema se desgaste rapidamente. Tudo funciona, mas nada evolui de forma significativa, reforçando a sensação de que o jogo não explora todo o potencial das mecânicas que ele mesmo apresenta.

Design problemático e controles frustrantes

Mesmo com vários pontos positivos, o game parece inacabado
Mesmo com vários pontos positivos, o game parece inacabado

Algumas decisões de design chegam a ser simplesmente problemáticas. A ausência de munição suficiente para o estilingue no início pode travar completamente o progresso caso você a utilize sem saber que ela é essencial. É o tipo de falha óbvia que não deveria passar por testes básicos.

Somado a isso, os controles são estranhamente imprecisos. Movimentar o personagem dá a sensação constante de imprecisão, como se houvesse uma camada invisível de resistência entre o analógico e a ação na tela. Animações rígidas e pouco naturais só reforçam essa impressão, prejudicando bastante a fluidez geral e tornando o resultado final algo um tanto “barato”.

Precisava de mais tempo

Kaku: Ancient Seal tem uma apresentação charmosa e um mundo bem estruturado, mas tropeça feio na execução. Problemas de design e bugs severos, além de combate raso e controles pouco responsivos, impedem que o potencial existente aqui se concretize.

Cópia de Xbox Series X|S cedida pelos produtores

Kaku: Acient Seal

5

Nota final

5.0/10

Prós

  • Direção artística
  • Mundo bem distribuído
  • Habilidades adicionam certa variedade

Contras

  • Falhas graves que travam progresso
  • Combate raso e repetitivo
  • Performance deixa a desejar
  • Animações "baratas"
  • Parece inacabado