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Review Return of the Obra Dinn – Detetive de verdade

De Lucas Pope, criador de “Papers, Please”, ”Return of the Obra Dinn” é uma peça quase Lovecraftiana de investigação. Além das várias premiações o jogo teve uma aceitação ótima de crítica e público.

Ano: 2018/2019
Jogadores: 1
Gênero: Puzzle, Aventura
Classificação indicativa:
17 anos
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS4, Xbox One, Switch
Duração: 9 horas (campanha) / 19 horas (100%)

Imagem do site oficial de Obra Dinn

Um livro e 60 histórias

A embarcação que intitula o jogo desapareceu no mar em 1802 e é dever do jogador, cinco anos depois, na pele de um investigador de seguros da Companhia Britânica das Índias Orientais, descobrir o que aconteceu. Em posse de um livro com informações a serem preenchidas, o jogador deve rever memórias e comparar rostos, ouvir diálogos passados e descobrir quem eram e como cada um dos 60 membros da tripulação encontrou seu destino.

De volta para o final e adiante

Para sua jornada são disponibilizados ao jogador dois objetos: um livro e uma bússola. O livro, como já citado, deve ser preenchido com as informações descobertas, e a bússola é seu meio de acessar as memórias dos tripulantes.

O livro é o primeiro objeto a se pegar e logo de cara é possível ver a carta não tão explicativa de Henry Evans – o homem que mandou o protagonista nesta missão – como Prefácio. Temos os mapas de planejamento da jornada de Obra Dinn pelo mares e do interior do navio com layout de cada andar. Há também o manifesto da tripulação com Nomes, Funções e Origens preenchidos dos tripulantes/ passageiros e a vazia coluna de seus Destinos, além de ilustrações feitas pelo artista a bordo – importantes para a identificação dos rostos de cada um. O jogo é composto dos dez capítulos disponíveis no livro, não necessariamente vistos em ordem.

Nosso segundo objeto é uma bela bússola adornada com uma caveira. Ao encontrar um corpo, nosso investigador a usa para presenciar o momento de morte de tal pessoa. Somos sugados para um momento de conversas e sons, apresentados ao áudio de momentos anteriores ao final e, então, nos vemos em meio à cena fatídica. É importante frisar o quanto as atuações de voz de Obra Dinn são bem feitas. Sotaques, sentimentos, línguas e sons guiam o jogador com importância e significado. E para a versão em português as legendas são igualmente bem pensadas, com termos corretos e clara pesquisa.

Está tudo nos detalhes

Navegando pela narrativa de cena em cena o jogador se vê em dioramas de intrínsecos momentos que, apesar de estáticos, contam narrativas bem dinâmicas. Em um jogo cujos detalhes não poderiam ser mais importantes, você se pega naquele sonho de criança de ser o próprio Sherlock Holmes.

A ideia de que tudo está conectado e que o progresso depende de uma investigação real – e não versão placebo com ajuda como em muitos jogos – é refrescante e intrigante. O livro tem vários pequenos toques que ajudam na mecânica de puzzles (como marcar os investigados do momento para manter de fácil acesso encontrar a pessoa em outras cenas ou voltar ao mapa para não se perder de suas localizações) que podem – mas em hipótese alguma devem – passar desapercebidos.

mais de um final e a jornada total depende muito do tempo que cada um se dá para a investigação. Pode-se mudar as anotações não confirmadas e comparar cenas sempre acaba sendo uma boa ideia. Como observadores, somos instigados a vagar pelo diorama do momento e investigar lugares menos óbvios à procura de objetos ou envolvidos secundários.

Grandes pormenores

O jogo não só tem uma mecânica interessante como a escolha de visual também é bem única. Lucas Pope escolheu o ambiente 3D com texturas de 1-bit, dando um sentimento retrô que acaba ajudando no ar de mistério da trama. São ao todo seis possibilidades de visual que o jogador pode escolher: Macintosh, IBM 5151, Zenith ZVM 1240, Commodore 1084, IBM 8503 e LCD.

Em resumo, Return of the Obra Dinn é um jogo muito focado em narrativa e investigação que depende das suas deduções e de atenção. Não é um jogo para todo mundo – mas sem dúvidas todo mundo deveria tenta-lo, nem que por pura curiosidade passageira.

Prós

  • História muito bem amarrada
  • Investigação real com detalhes que importam
  • Pode jogar no seu tempo
  • Mecânica simples de entender
  • Visuais únicos com mais de uma opção

Contras

  • A dificuldade pode ser um empecilho
  • Pode não terminar a história toda caso não preste atenção em todas as pistas

Este review foi feito usando uma cópia para PlayStation 4 e cedida com carinho pelo Lucas Pope.