Capa de Routine

Review Routine (PC) – Sozinho numa base lunar

Anunciado originalmente em 2012, Routine finalmente está entre nós. Depois de vários adiamentos e um período de desenvolvimento bastante turbulento, o título de estreia do pequeno estúdio britânico Lunar Software traz uma experiência de terror imersiva e com mecânicas diferenciadas, mas que só não é tão interessante quanto poderia ser.

Desenvolvimento: Lunar Software

Distribuição: Raw Fury

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Terror

Classificação: 14 anos (violência, medo) 

Português: Interface e legendas

Plataformas: PC, Xbox Series X|S, Xbox One

Duração: 6 horas (campanha)

Perdido no espaço

Gameplay de Routine

Apesar do jogo ter sido revelado em 2012, ele não é exatamente o mesmo que está sendo lançado hoje. O projeto foi efetivamente reiniciado em 2020, com diversas alterações na narrativa, no estilo artístico e na jogabilidade – trocando até de engine, indo da versão 3 da Unreal para a mais atual. Routine é situado em 1999, num universo retrofuturista, e isola o jogador em uma base lunar. Além de, claro, sobreviver, o objetivo é investigar o incidente que levou a base ao caos, agora habitada por robôs malignos que vigiam e caçam o personagem principal.

Ao longo de sua jornada, o jogador é equipado com a C.A.T., um dispositivo descrito como uma arma que presta assistência aos cosmonautas. O objeto não é apenas uma arma, sendo uma ferramenta-chave na interação com o cenário, como terminais e uma espécie de telas de projeção – essas que permitem salvar o progresso e conferir mensagens. O destaque é a jogabilidade com essa arma específica, porque ela emula a sensação de que estamos jogando com um óculos de realidade virtual, trazendo animações que simulam movimentos reais e imprecisos com um ótimo controle de mira, ideal para mouse e teclado.

Gameplay de Routine

Routine adota um sistema de câmera em primeira pessoa com uma movimentação que foge bastante do usual, no sentido de dar mais liberdade para o jogador se posicionar no mapa. É complicado de pegar o jeito, porque mesmo usando o WASD como qualquer outro jogo do gênero, é necessário utilizar uma combinação de botões para chegar a algum lugar mais escondido das fases, por exemplo. Ainda assim, um bom uso desse tipo de visão, mas a gameplay, aos poucos, vai ficando desinteressante.

O jogo foca mais em stealth, com vários adversários que não podem ser derrotados e isso fica cansativo, junto com o design obtuso do jogo, sem muitas dicas visuais de onde seguir em frente – é um survival horror das antigas, praticamente, mas essa complicação adicional da furtividade constante atrapalha a pegada de terror de sobrevivência em termos de gameplay.

Estética legal, mas imersiva até demais

Cena da jogabilidade de Routine

Routine, com seu universo retrofuturista, tem uma estética à altura. Os desenvolvedores adotaram uma apresentação que mescla efeitos gráficos distintos para criar uma ambientação atmosférica e amedrontadora. O destaque técnico da experiência está no uso de tons cinzas com efeitos um pouco exagerados de nitidez e de saturação, dando uma aparência de fita VHS ao jogo que combina com a proposta.

De longe, o aspecto mais legal de Routine é como a interface funciona, adotando uma filosofia de design no estilo diegético, com praticamente tudo que pode ser interagido pelo jogador fazendo parte integral do mundo – ou seja, esses elementos não são indicadores somente para o jogador, e sim também para o protagonista. É uma solução excelente que resulta numa experiência imersiva, ainda que nem tudo tenha uma boa clareza visual em relação a textos ou a navegação.

Robô em Routine

Um problema de Routine, no entanto, é nem sempre deixar claro o que pode ou não ser interagido no mapa, já que há poucos indicadores não diegéticos mesmo quando o personagem está próximo de um item. Isso gera perda de tempo em alguns momentos, especialmente porque o jogo é focado em exploração e puzzles. E, de forma inexplicável, o botão de pausa não interrompe realmente a experiência, que continua enquanto as opções do menu são exibidas – podendo perder boa parte do progresso à toa.

Poderia ser melhor

Routine tem uma proposta mais imersiva, mas não chega a atingir o seu completo potencial porque não apresenta uma experiência tão interessante quanto poderia em quesitos de puzzles e narrativos, embora a gameplay, mesmo afetada pela falta de um pause, conte com mecânicas excelentes. É, acima de tudo, o produto final de um projeto turbulento, e apesar de não ser um grande jogo, ainda merece atenção.

Cópia de PC cedida pelos produtores

Revisão: Jason Ming Hong

Routine

7

Nota Final

7.0/10

Prós

  • Boa direção artística
  • Jogabilidade com ótima movimentação

Contras

  • Foco em stealth
  • Sem pause