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Review Street Fighter V: Champion Edition – O campeão chegou

Street Fighter V foi lançado em 16 de fevereiro de 2016, e minha nossa como ele foi mal recebido! Não havia o obrigatório modo arcade para fechar o jogo o que soa como uma guinada para o gameplay online – que boa parte do público não queria. Em 16 de janeiro de 2018 tivemos a resposta, Street Fighter V: Arcade Edition foi lançado para PlayStation 4 e PC resolvendo a maior de todas as rejeições do game. Isso nos trás à 14 de fevereiro de 2020 onde tivemos o – talvez – último e definitivo jogo da quinta edição, o Champion Edition!

Ano: 2020
Jogadores: 1-2 (local e online)
Gênero: Luta, Multiplayer
Classificação indicativa:
12 anos
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS4
Duração: 3 (campanha)/ 35 horas (100%)

Respeita minha história

Nesse momento escrevendo esse review me sinto como um atleta olímpico em seu momento decisivo, pois toda a minha vida foi permeada por Street Fighter sempre que eu conseguia inserí-lo. Eu jogava no Super Nintendo mas pedia aos meus pais revistas, bonecos, chaveiros, cadernos, tudo que eu via de Street Fighter eu queria. A dinâmica de jogar rapidamente e poder parar em pouco tempo caso necessário pode ter sido um ponto chave para que eu acabasse aproveitando tanto os títulos de SF na época. Mas sem dúvida a maior motivação para jogar era meu irmão bem mais velho Léo que era muito melhor que eu no jogo e me fazia querer acabar com aquilo que ele chama de cara (virtualmente, claro).

Takaro o tabarato

Estamos bem distantes agora da primeira versão com 16 personagens e sem modo arcade. O upgrade que a Capcom está vendendo tem 40 personagens, 34 cenários, mais de 200 skins, e é atraente principalmente para os jogadores de PC: Na loja Steam a DLC para quem já tem o SFV está à venda por R$ 54,99 e para quem ainda não tem o jogo, o pacote completo sai por apenas R$ 69,99.
No PlayStation fica bem mais salgado, a atualização custando R$ 103,90 e o pacote completo sai por R$ 124,90. Se você tem a mídia física do Street Fighter V Arcade Edition, recomendo vendê-la e comprar o jogo completo novamente, seja física ou digitalmente.

Essa versão não cobre exatamente todo o conteúdo já lançado: algumas skins do Fighting Chance, a DLC do Capcom Pro Tour e roupas em colaboração com marcas não estão presentes. Sinceramente não são coisas que fazem muita falta devido ao extenso catálogo de conteúdos que estão presentes, e apesar de soar estranho a versão final faltar coisas a justificativa é plausível: a monetização da compra de alguns conteúdos é direcionada especificamente para cobertura de eventos e campeonatos realizados pela Capcom. Então que continue a porradaria!

O game está recheado de modos de jogo, como modo história geral, modo história de cada personagem, arcade, versus, desafios e modos online diversos para quem assina a PSN ou joga no PC (que não exige assinatura para jogar online). Ainda não chegamos ao ponto de ter um modo treinamento que seja bom o suficiente para o completo iniciante se habituar a jogos de luta mas isso não é um desafio apenas para Street Fighter, outras franquias também carecem de uma forma lúdica de suavizar a curva de aprendizado do jogador principiante.

Para aqueles que já entendem as mecânicas, o gameplay não surpreende e isso é positivo: desde a primeira versão de SFV foram mantidos os padrões de entrada de comandos dos jogos anteriores da franquia, tornando a sua atual habilidade plenamente útil para jogar o novo. Por exemplo, técnicas como Plinking (Priority Linking) podem ser usadas para executar movimentos e golpes de forma instantânea, como por exemplo a tela preta do Akuma que costumava causar alvoroço nos bares e casas de fliperama.

Mas tá bonito?

Os gráficos, mesmo não sendo feios ou datados, parecem não explorar todo o potencial da atual geração de consoles e computadores. Há pouco – e dependendo do cenário nenhum – fator de interação dos personagens com o campo, chegando a parecer que eles estão flutuando a 5 centímetros do chão. Quando pisam na água não há resistência de fluído, pedaços de metal no chão não tremem ao pular em cima deles, e por aí vai. Talvez tenha sido uma escolha consciente para permitir que o jogo funcionasse em PCs mais modestos, algo que é feito de maneira interessante pela programação do jogo ao perguntar – quando há suspeita – se o seu PC deve executar o jogo em gráficos de baixa resolução. Ainda plausível, essa possibilidade denota falta de excelência: o excelente seria permitir ativar ou desativar os recursos pesados de interação com o ambiente conforme a seleção do jogador nas configurações do jogo. A engine atual parece ter a capacidade necessária para reproduzir tais interações, mas acredito que não saberemos a razão por trás da falta deles.

Nos personagens, temos um novo chefe antigo aparecendo: Gill. Por enquanto desbalanceado e permitindo combos infindáveis que podem tirar mais de metade da barra de vida ele se torna tão frustrante quanto Seth, chefe do jogo anterior Street Fighter IV. O curioso é que o desbalanceamento parece proposital uma vez que a CPU realiza esses combos contra você, não se tratando de erros na configuração de Gill.
Porém o balanceamento dos personagens é um trabalho que foi feito ostensivamente pela Capcom durante os últimos 4 anos, merecendo a confiança de fazer ajustes futuros.

Errou feio, errou rude

Como é um jogo online em que o seu adversário pode estar usando um personagem que você não adquiriu, todos os jogadores executam sempre a versão mais nova e mais completa do Street Fighter V. Ou seja, o personagem está lá, você só não tem a licença de uso dele.

Ao adquirir o upgrade kit ou o pacote com o jogo + upgrade kit, essas licenças são liberadas e você pode utilizar o conteúdo normalmente. Muitos consumidores (eu incluso) esperavam que a mídia física de SFV CE incluísse não apenas os dados do jogo atualizado com todos esses personagens mas as licenças embutidas, de modo que ao inserir o disco em qualquer console o conteúdo completo pudesse ser utilizado. Bem, não foi assim.

Conclusão

Se você estava esperando a versão definitiva de um dos melhores jogos de luta da geração atual – senão o melhor – agora é a hora! Esse é um jogo que vale muito a pena para quem gosta da série, gosta de jogos de luta, ou só quer ter algo diferente de FIFA para jogar com os amigos no sofá. Aproveite porque saiu do forno agora e está quentinho!

Prós

  • Jogabilidade consolidada
  • Centenas de variações de personagens e roupas
  • Atualização frequente
  • Mecânica variada

Contras

  • Um pouco caro no PS4 para um jogo de 4 anos de idade
  • Gráficos aquém da geração
  • Mídia física precisa ativar o código na conta

Este review foi feito usando uma cópia para PS4 cedida pela Capcom, e uma cópia para PC (Steam) comprada com nossos próprios recursos.