tell me why xbox one

Review Tell Me Why (Xbox One) – Uma história de descobertas

A primeira coisa sobre esse jogo é o fato de ser impossível pronunciar seu nome sem lembrar da música “I Want It That Way” do Backstreet Boys, exatamente por ter um refrão onde eles cantam esta frase. Quem aí cresceu nos anos 90 e início dos anos 2000 com certeza vai lembrar da música.

Tell Me Why é um jogo da mesma empresa de Life Is Strange, a francesa Dontnod Entertainment, e segue a mesma pegada, um jogo com foco em sua narrativa. Neste game acompanhamos a história de Tyler e Alysson Ronan, dois irmãos gêmeos que se reencontram depois de uma década para vender a casa da família, onde passaram sua infância.

Desenvolvimento: Dontnod Entertainment

Distribuição: Xbox Game Studios

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Aventura

Classificação: 16 anos

Português: Interface e legendas

Plataforma: Xbox One e PC

Duração: 9 horas (campanha)/ 14 horas (100%)

Uma História traumatizante

Começamos já tendo de lidar com uma revelação forte, onde o jovem Tyler – ainda criança – diz ter matado a mãe. Isso nos 2 primeiros minutos de jogo! Então acho que isso passa no quesito spoiler, pois a base do enredo é construída em cima disso.

Uma década se passou enquanto Tyler cumpria sua pena e vivia sua vida longe de sua Irmã Alysson, que continuou sua vida em Delos Crossing, uma cidade fictícia situada no Alaska, onde viviam com sua mãe. A volta do irmão se dá pelo fato de que ambos resolvem vender a casa onde cresceram para poderem esquecer de vez o que aconteceu em seu passado e seguir suas vidas livres disso.

Tyler e Alysson após uma triste descoberta

O único problema é que, enquanto eles passam a esvaziar a casa para a venda, muitas das lembranças de suas infâncias, tanto as boas quanto as ruins, começam a retornar e a instigá-los sobre o que aconteceu com sua mãe naquele dia. Ambos acreditavam que ela havia atacado Tyler por não aceitá-lo, já que ele é um homem trans, mas algumas coisas que eles acabam descobrindo na casa os levam a questionar o que teria motivado sua mãe de fato. Principalmente porque algumas de suas lembranças se divergem em alguns momentos.  

E é a partir daí que a grande investigação dos irmãos Ronan começa, para descobrir o que realmente aconteceu na noite da morte de sua mãe, as razões que a levaram a atacar Tyler e se realmente foi isso o que aconteceu.

Tyler e Alysson

No controle de Alysson e Tyler, passamos a perguntar para velhos amigos da família e para a polícia sobre o que aconteceu 10 anos atrás. Como sempre a Dontnod gosta de escolher temas bem interessantes para serem abordados em seus jogos, e neste caso trazer um personagem transgênero foi a escolha. Vemos vários aspectos disso no game, mas sempre sem ser o assunto central – claro que sua transição tem importância na história, mas não é só isso.

Na verdade é bem interessante como tratam o tema de uma forma até sutil no jogo. A reação de cada personagem ao interagir com Tyler e a forma como agem para com ele apesar de diferente é bem tranquila num modo geral, com isso não sendo o centro das atenções e não tirando o foco da história, explorando nas horas certas sem parecer algo sempre forçado.

A narrativa também foca em como a relação os irmãos vão se desenvolvendo conforme vão descobrindo mais sobre seus passados e de sua mãe. Não é apenas os personagens que encontramos que os impactam com algo, mas eles próprios possuem essa função também. 

Tyler e Alysson na balsa para Delos Crossing

Só tem uma coisa que me incomodou um pouco na história… No final de cada capítulo somos apresentados à alguma memória da vida de Tyler e Alysson quando crianças da noite da morte de sua mãe, mas foi uma parte em específico que aconteceu no final do capítulo 2 que me deixou com a pulga atrás da orelha. Essa cena em questão, meio que não se encaixava na linha de tempo da história. Sabe quando você olha algo e já pensa no furo de roteiro? Então, foi justamente esta a sensação que tive!   

Explorando Delos Crossing

Sendo um jogo da Dontnod obviamente não poderia faltar o quesito “poder” neste jogo, caso contrário, não seria um jogo deles. Tyler e Alysson possuem um laço muito forte e com isso eles são capazes de usar “A Voz”, que resumindo é basicamente telepatia.

Mas não é só isso, pois para entendermos grande parte dos acontecimentos do jogo ambos sempre relembram momentos de sua infância de uma forma literal. Eles podem ver o que estão pensando, e essa memória se materializa de uma forma que só eles podem ver, como um holograma no lugar onde estão. O interessante é que isso não acontece apenas com o personagem com o qual você joga, mas várias vezes ambos têm lembranças diferentes do mesmo acontecimento ou que complementam uma à outra. Algumas destas vezes você é forçado a escolher entre uma delas.  

Tyler descobrindo sobre seu poder das lembranças.

Nós jogamos com os dois irmãos em todos os três capítulos da história, e ambos têm sua parte e seu peso nas escolhas que faremos. Ao jogarmos com eles, temos escolhas importantes a fazer que afetam diretamente a relação dos dois, e esse é o maior peso que vamos ter em relação às escolhas que fazemos. Digo isso, pois achei bem fraca as conseqüências que podemos ter em nossas tomadas de decisões, não consegui ver algo que divergisse drasticamente no caminho dos irmãos, pois, apesar de sim afetar a relação deles de alguma forma, nunca parece ser algo tão impactante quanto gostaríamos.

Mesmo em se tratando dos outros personagens do game também, não houve muitas mudanças. Uma briga aqui, outra ali talvez, mas nada radical como gostamos de ver em jogos de escolhas que nos façam revisitar as cenas diversas vezes só pra saber as consequências de cada uma.

Mas felizmente a narrativa da história é bem interessante e Tell Me Why vai nos prendendo à ela, e ainda traz vários puzzles (quebra-cabeças) interessantes a serem feitos também para melhorar a dinâmica. Sejam os puzzles obrigatórios para seguirmos na história ou os opcionais que nos revelam mais segredos sobre ela, todos são bem interessantes e muitos deles se remetem a infância de Tyler e Alysson.

Sótão da antiga casa dos irmãos

Por exemplo, temos de examinar um livro de história criado por eles para saber como resolvê-los e nos sentirmos satisfeitos conosco por termos conseguido. Histórias muito interessantes pelo fato de que vários personagens de seus contos são, na verdade, representações de pessoas que eles conhecem em suas vidas reais. Ir descobrindo quem é quem na história também é bem legal e te dá uma visão complementar de cada um que possui envolvimento com os gêmeos.   

Sendo um jogo linear, mas com boa exploração, Tell Me Why tem vários cenários lindos e relativamente grandes que possuem até mesmo uma boa exploração. Existem muitos itens com os quais podemos interagir, e até mesmo coletar alguns deles. Fora as pessoas passíveis de  conversar e saber mais sobre suas respectivas vidas e motivações.   

Bem-vindo ao Alaska!

A Dontnod sempre me impressiona com o carinho e com a qualidade que têm com suas artes e fotografias. Sempre achei que eles mandaram muito bem nisso desde o primeiro Life is Strange, coisa que se repetiu no segundo e em Tell Me Why também.

Algo que eles também são ótimos é em escolher uma trilha sonora que combine totalmente com o jogo. Tell Me Why traz um excelente conjunto de músicas que casa com momentos certos, sendo suave em locais necessários ou mais intensa quando a ocasião pede.  

Tyler e Alysson quando crianças felizes brincando

Minha maior crítica ao jogo, no entanto, são suas legendas. Você tem a opção de escolher os tamanhos que quer que elas sejam exibidas, e isso é ótimo, mas eles deviam ser mais verdadeiros e colocar como opção: minúsculo, pequeno e quase médio ao invés de pequeno, médio e grande.

Será que ninguém, que faz o tamanho das legendas, pensam em nós que somos míopes? Que desgraça que é enxergar a legenda deste jogo, meu Deus! O que me salvou foi a opção de adicionar um fundo, que enfeia demais a tela, maaaaaaaas, olha, ajuda muito a poder enxergá-las melhor!

Sem contar que quem escolheu os jogos de cores foi bem “sacana”, e algumas vezes temos letras brancas em fundos brancos ou fundos claros em que o branco das letras não aparece direito. Digo isso de outros “escritos” do jogo, e não das legendas das falas. Nossas estatísticas no final de cada capítulo são um bom exemplo disso, onde existem letras brancas em um fundo claro. Simplesmente traumatizante para míopes como eu.

Alysson e Tyler decepcionados após uma triste descoberta.

Mas apesar disso, Tell Me Why é uma história que vale muito a pena de ser conferida. Tyler e Alysson são extremamente carismáticos e os mistérios que os cercam também te intrigam para descobrir a verdade.

Esta review foi feita com uma cópia de Xbox One cedida pelos produtores

Revisão: Jason Ming

Tell Me Why

8.5

Nota Final

8.5/10

Prós

  • Boa narrativa
  • Variedade de Puzzles
  • Protagonistas carismáticos
  • Trilha Sonora ótima

Contras

  • Legenda muito pequena
  • Consequências pouco punitivas
  • Pouca variação final nas escolhas