Review South of Midnight (PC)  – Resgatando a arte em jogos

Produzido pela Compulsion Games e publicado pela Xbox Games Studios, South of Midnight traz o frescor de uma época onde haviam muitas opções de jogos com orçamentos reduzidos – nem tão reduzidos para serem considerados produções independentes, mas nem tão caros para entrarem na categoria AAA, entregando uma experiência criativa e divertida em uma época escassa de jogos desse escopo.  

Desenvolvimento: Compulsion Games

Distribuição: Xbox Game Studios

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Aventura

Classificação: 14 anos (drogas ilícitas, linguagem imprópria)

Português: Legendas e interface

Plataformas: PC, Xbox X|S

Duração: 9 horas (campanha)/17 horas (100%)

Um pano de fundo para o fantástico

Um mundo misterioso e fantástico
Um mundo misterioso e fantástico

Em South of Midnight, acompanhamos Hazel, uma jovem que, após um desastre familiar que culmina no desaparecimento de sua mãe, acaba sendo puxada para um mundo onde mitos do folclore sulista ganham forma. Em toda sua trajetória, Hazel cruza com criaturas lendárias, figuras enigmáticas e forças sobrenaturais que ameaçam toda a região. A história avança entre memórias dolorosas, segredos enterrados e encontros com seres que os velhos moradores juravam ser apenas mitos regionais. É uma trama que mistura amadurecimento, fantasia sombria e identidade cultural.

South of Midnight chega com aquela aura de um projeto ambicioso que tenta unir fantasia sombria, folclore sulista e uma protagonista marcada por dilemas pessoais. Desde os primeiros minutos, o jogo deixa claro que deseja capturar o jogador pelo olhar. A direção de arte assume o papel central com seu estilo cartunesco, dominando cada trecho da aventura com cenários que parecem pintados à mão, mas sem abrir mão de texturas modernas. É o tipo de estética que segura o jogador mesmo quando a ação tropeça – e tropeça com frequência.

Acerta muito e erra muito também 

Direção artística impecável
Direção artística impecável

O mundo mostrado pelas tecelãs é fascinante, e avançar pelo universo dessas mulheres habilidosas rende momentos únicos, mas o ritmo da narrativa oscila bastante. Em algumas partes, o jogo avança com força, mas em outras, trava em diálogos longos que ignoram a urgência da trama. Alguns personagens secundários cumprem bem o papel de guiar Hazel, enquanto outros aparecem com potencial e somem antes de se tornarem relevantes. Isso enfraquece a jornada porque o enredo pede conexões firmes que nem sempre acontecem.

A jogabilidade tenta seguir a mesma ambição da narrativa brincando com a arte de tecer, mas não alcança o mesmo nível. Os combates parecem presos a decisões de design que não dialogam com a mobilidade de Hazel. Falta impacto para os golpes, e o tempo de resposta nem sempre encaixa com o que o jogo exige. O jogador precisa se acostumar a animações lentas e a uma cadência que às vezes atrapalha o fluxo dos confrontos. 

Momentos que precisa ser ágil
Momentos que precisa ser ágil

Um erro evitável aparece já no começo da campanha, porque o jogo revela praticamente tudo do combate logo na primeira hora, deixando pouca margem para novidades até o fim dos 14 capítulos. Ainda pior é o fato de que todo confronto exige que o ambiente se feche, algo digno dos jogos no estilo hack ‘n’ slash dos anos 2000, como a trilogia clássica de God of War. A diferença é que, no caso de Kratos, ainda encontrávamos inimigos fora dessas arenas. Aqui, isso nunca acontece.

Stop motion e uma trilha sonora cativante

Um visual marcante
Um visual marcante

Com sua arte e movimentação em stop motion, South of Midnight entrega um espetáculo visual cheio de cores vivas, texturas evidentes e personagens que realmente parecem costurados. Outro detalhe curioso é a opção que permite Hazel se mover com uma taxa de quadros reduzida, reforçando a estética da técnica — embora você possa desativar isso a qualquer momento.

A parte sonora acompanha esse cuidado. Os efeitos são precisos e as músicas seguem o estilo de cantigas tradicionais do folclore local. Cada canção conta histórias de pessoas e seres daquele lugar com delicadeza e vocais suaves. A ausência de legendas nesses trechos, porém, faz muitos perderem a riqueza dessas letras por não entender inglês.

Uma boa adição ao Game Pass

No fim, South of Midnight se firma como um jogo que vale pela atmosfera, pelo visual e pela coragem de explorar mitos raramente vistos nos videogames. Ele também preenche uma lacuna no ecossistema da Microsoft, podendo ser jogado direto no Game Pass. No PC, o desempenho é fluido, apesar de alguns bugs e texturas de carregamento tardios nos cenários.

Quem busca combates afiados, ritmo constante e progressão fluida pode se frustrar após cerca de três horas de jogatina. Porém, quem gosta de mundos esquisitos, personagens vulneráveis e uma estética que não segue tendências provavelmente encontrará algo especial aqui. Não é um título impecável, mas tem alma.

Cópia de PC adquirida pelo autor

Revisão: Julio Pinheiro

South of Midnight

7.5

NOTA FINAL

7.5/10

Prós

  • Trilha sonora
  • Visuais
  • Originalidade no enredo

Contras

  • Gameplay repetitivo
  • Desafios fáceis mesmo no modo normal
  • Bugs de carregamento de texturas