Heroes of Mount Dragon é um beat ‘em up cooperativo com elementos de RPG que coloca até quatro jogadores no controle de heróis que precisam enfrentar hordas de inimigos em arenas sucessivas, evoluindo personagens, desbloqueando golpes e avançando por uma campanha focada em combate constante. O indie busca resgatar o espírito dos beat ‘em ups dos anos 2000, apostando em progressão, cooperação local e online e ação direta. A proposta é promissora, mas o resultado final sofre com repetição excessiva e com falta de polimento em áreas importantes.
Desenvolvimento: RuniQ
Distribuição: RuniQ
Jogadores: 1–4 (local e online)
Gênero: Ação, Multiplayer
Classificação: 10 anos (Violência leve)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, Switch, PS4, Xbox One, Xbox Series X|S
Duração: 3 horas (campanha)
Combate sólido e cooperação que funciona

O combate é, sem dúvida, o maior destaque do jogo. Cada personagem possui um moveset próprio que se expande à medida que o nível sobe, trazendo novas habilidades e ataques que realmente impactam a forma de jogar. Há uma sensação clara de progressão, e desbloquear novos golpes ajuda a manter o ritmo das lutas interessante, pelo menos nas primeiras horas.
No Xbox Series S, o desempenho é estável, com taxas de quadros consistentes, mesmo em momentos mais caóticos, com vários inimigos na tela. O modo cooperativo funciona bem e é onde os Heroes of Mount Dragon mais brilham. Jogar com três ou quatro pessoas transforma a experiência em algo caótico e divertido, com trocas constantes de aggro, combos improvisados e aquela confusão típica do gênero.
Por outro lado, uma decisão de design chama atenção negativamente: não é possível reviver aliados caídos. Se alguém morre, está fora da partida, o que pode gerar frustração em sessões mais longas ou em grupos menos coordenados.
Um loop que se esgota rápido

O maior problema aqui está no design das fases. Todas seguem praticamente a mesma estrutura: avançar por áreas fechadas, enfrentar ondas sucessivas de inimigos, destruir elementos do cenário e seguir adiante. Não há variação real entre as missões, nem elementos como puzzles, mudanças de ritmo ou seções de plataforma que quebrem a monotonia.
Essa repetição é ainda mais evidente devido ao sistema de progressão, que exige que cada personagem seja upado individualmente. Isso estica artificialmente o tempo de gameplay, mas sem oferecer novidades suficientes para justificar o esforço. O modo história também é fraco: os diálogos são apresentados com avatares estáticos e texto simples, interrompendo o fluxo da ação e passando a sensação de limitação técnica.
Visual funcional, mas sem identidade

Visualmente, Heroes of Mount Dragon aposta por um estilo que remete a quadrinhos animados, mas carece de identidade própria. Os personagens até têm designs interessantes no papel, e o desempenho é sólido no Series S; porém, os modelos e as animações carecem de refinamento. Os backgrounds são genéricos e pouco memoráveis, sem profundidade ou variação marcante.
Um detalhe que impacta diretamente o gameplay é o fato do movimento permitir oito direções, enquanto os ataques funcionam apenas em quatro. Isso gera situações em que golpes erram alvos próximos, quebrando a fluidez do combate e causando frustração, especialmente em lutas mais intensas.
Fraco e genérico
Heroes of Mount Dragon é um jogo que funciona melhor como diversão casual em grupo. Seu sistema de combate é competente, a progressão inicial empolga e o cooperativo garante bons momentos, especialmente no Xbox Series S, onde o desempenho é sólido. No entanto, a repetição constante, o design de fases pouco inspirado e a falta de polimento impedem o jogo de se destacar entre os beat ‘em ups modernos.
Cópia de Xbox Series X|S cedida pelos produtores




