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Revisitando God of War III Remastered (PS4) – Um hack ‘n’ slash de respeito

Em 2015, em uma época que a Sony precisava de jogos que tapasse lacunas em seu calendário, a empresa relançou  God of War III com texturas aprimoradas e (quase) estáveis 60 fps – se aproveitando de forma bem oportunista da falta de retrocompatibilidade com o PS3. Jogar este jogo em pleno 2025 é como experienciar um dos melhores hack ‘n’ slashes de uma época que este estilo de jogo chegava em seu auge, mas também entender a mudança que o seu protagonista passou na nova mitologia apresentada pelo jogo de 2018.

Desenvolvimento: Santa Monica Studio
Distribuição: Sony Interactive Entertainment
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Aventura
Classificação: 18 anos (violência extrema, conteúdo sexual)
Português: Dublagem (português de Portugal), interface e legendas
Plataformas: PS4
Duração: 10 horas (campanha) 18 horas (100%)

Um capítulo que faz jus à saga

O antigo Kratos em Full HD
O antigo Kratos em Full HD

God of War III dá sequência direta aos acontecimentos do segundo jogo e coloca Kratos em uma jornada movida pela vingança. Traído por Zeus e manipulado pelos deuses do Olimpo, o espartano retorna ao Monte Olimpo ao lado dos Titãs com um único objetivo: destruir aqueles que o condenaram. No caminho, enfrenta deuses, criaturas mitológicas e desafios de proporções colossais, enquanto seu passado marcado por culpa e sofrimento vem constantemente à tona. É um fechamento épico para uma saga épica. 

E com tantos deuses para enfrentar, infelizmente, boa parte deles acaba subaproveitada, com pouco tempo de tela e apenas um único embate. Isso traz a sensação de que a campanha, em diversos momentos, corre apressada rumo ao desfecho — algo compreensível, já que desde a última cena do jogo anterior essa intenção se mostrava clara. Por outro lado, esse ritmo acelerado também atiça os jogadores sedentos por aniquilar o próximo deus que surgir em seu caminho.

Envelheceu como um bom vinho

Tudo é grandioso
Tudo é grandioso

Mesmo lançado há mais de uma década, God of War III ainda impressiona pelo cuidado artístico, que atravessou o tempo com muita competência. A direção de arte se destaca na forma como retrata cenários icônicos da mitologia grega, sempre apresentados em escala grandiosa e com um nível de detalhe que reforça o peso épico da jornada. Cada ambiente possui identidade própria, evidenciando um trabalho visual consciente e bem pensado. É difícil não parabenizar a equipe pelo modo como esses cenários foram concebidos, já que continuam marcantes mesmo quando comparados a produções atuais.

Somam-se a isso a trilha sonora épica, que sabe exatamente quando entrar e sair de cena, e os efeitos sonoros durante os combates, especialmente ao dilacerar inimigos com as mais variadas armas disponíveis. Lâminas, arcos, chicotes, garras e punhos reforçados apresentam sonoridades próprias, reforçando cada forma distinta de violência. E, claro, soma-se também a ótima jogabilidade, que oferece muitas possibilidades por meio de combos e quick time events.    

Um clássico que deixa à mostra algumas rugas 

Combates à moda antiga e divertidos
Combates à moda antiga e divertidos

O terceiro título numerado da aventura de Kratos na mitologia grega também revela sua idade em alguns aspectos, como a ausência de controle da câmera. Em certos momentos, isso incomoda quando o ângulo não favorece o combate. Soma-se a isso a personalidade de Kratos, um personagem cujo único motor narrativo gira em torno da vingança.  

Aproveitando esse ponto, em pleno 2026, após jogar os dois títulos mais recentes ambientados na mitologia nórdica, controlar um protagonista que não demonstra qualquer remorso causa estranheza. Kratos chega a usar outros personagens como escudo para se proteger de ataques, como se a vida deles não tivesse valor algum. A mudança vista nos jogos posteriores se mostrou necessária e bem-vinda, embora essa abordagem funcionasse dentro do contexto da época – estamos falando de um jogo de 2010. 

Uma remasterização sem muito trabalho

Beleza até em cenários escuros
Beleza até em cenários escuros

A remasterização de God of War III entra naquele grupo de relançamentos que se limitam, basicamente, ao polimento de texturas, impulsionado pela resolução em 1080p e pelo aumento da taxa de quadros em relação à versão original de PS3. Sinceramente, não havia muito o que melhorar, já que o jogo figurava entre os mais bonitos de sua geração.

Ainda assim, o remaster trouxe algumas adições pontuais, como o modo foto, acionado ao pressionar o lado esquerdo do touchpad, permitindo capturar aquele momento perfeito em combate e compartilhá-lo com amigos. Outra novidade foi a inclusão de legendas em português do Brasil, já que o original contava apenas com português de Portugal. Faltou, no entanto, uma dublagem nacional. A dublagem portuguesa permanece disponível, mas adianto que a escolha da voz para Kratos não foi das mais felizes.

Épico, eletrizante e violento 

God of War III Remastered entrega uma experiência visceral, sem qualquer pudor em abraçar a violência. A remasterização torna tudo ainda mais explícito em uma campanha marcada pela carnificina e por um desfecho lendário, à altura dos jogos anteriores. Trata-se de um game de fácil assimilação, com controles que oferecem inúmeras possibilidades para derrotar inimigos. Talvez Kratos pareça impiedoso demais, mas isso era exatamente o que se esperava dele na época. Um tipo de hack ‘n’ slash que faz falta hoje em dia.

Cópia de PS4 adquirida pelo autor

Revisão: Julio Pinheiro

God of War III Remastered

9

Nota final

9.0/10

Prós

  • Level designer das fases
  • História frenética
  • Bons controles

Contras

  • Alguns ângulos ruins de câmera