Quase três anos depois do último jogo, os italianos da Milestone estão agora lançando Ride 6, uma nova versão do simulador de motos da empresa. O título refina ainda mais a jogabilidade de sempre e amplia a acessibilidade da franquia, trazendo um bom pacote que merece bastante atenção dos fãs de automobilismo digital — apesar do game sofrer um pouco com problemas de monetização.
Desenvolvimento: Milestone S.r.l.
Distribuição: Milestone S.r.l.
Jogadores: 1 (local) e 1-12 (online)
Gênero: Corrida, Simulação
Classificação: Livre
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, Xbox Series X|S, PS5
Duração: Sem registros
Um novo modo carreira

Uma das grandes novidades desse sexto jogo é o Ride Fest, a nova estrutura do modo single player do game. Em outras palavras, “Forzou”! Ride 6 utiliza a mesma estética de festival da franquia Forza Horizon em sua campanha, mas de uma forma global, com todas as pistas que compõem cada desafio distinto juntas em vez de apresentar um grande mapa aberto.
É necessário cumprir determinados objetivos nas corridas para ganhar estrelas e ir liberando cada vez mais eventos, ganhando motocicletas ao finalizar cada fase. O game distribui muitas, mas muitas motos, quase o tempo todo, sendo essa com certeza a principal semelhança com a franquia de corridas da Microsoft.

A experiência single player é legal, embora ela seja restrita aos mesmos modos de sempre, sem tantas inovações em relação ao Ride 5. Há as corridas normais, as que têm um tempo cronometrado para bater e as provas de resistência, que podem durar entre 20 minutos e 24 horas — em certos eventos, também é preciso duelar diretamente contra outro motoqueiro. Embora Ride 6 seja bem focado em sua campanha para um jogador, há suporte para corridas multiplayer, com compatibilidade com o crossplay, com partidas contendo toda a base da comunidade do jogo, de todas as plataformas.
Gameplay a sua escolha

Do piloto ao visual de cada moto, tudo pode ser personalizado em Ride 6. A jogabilidade, no geral, é excelente, com uma dirigibilidade responsiva, sensível e com um peso real, ainda que haja uma curva de aprendizado bem grande para se adaptar aos controles. Uma das adições desse lançamento é a distinção entre modos diferentes, arcade e profissional, criando opções que apelam com sucesso tanto para quem quer uma simulação mais fiel quanto para quem busca uma experiência casual e tranquila.
Na prática, a diferença mais notável entre os modos é que, no arcade, é mais difícil cair da moto, havendo maior liberdade para pilotar o veículo e realizar curvas sem o risco de sofrer um acidente grave. Em contrapartida, o modo arcade perde muito da responsividade característica da jogabilidade de Ride, servindo como uma porta de entrada para novos jogadores em direção ao modo profissional, que é onde a gameplay oferecida pelo jogo realmente brilha.

Pelo menos, independentemente do modo, há uma infinidade de assistências que ajudam a criar a gameplay perfeita, bastando apenas passar um tempo configurando cada uma das opções — como aceleração automática, redução de velocidade, um rastro a ser seguido na pista, entre outras funcionalidades. É tudo muito completo, a ponto de fazer com que Ride 6 seja uma experiência convidativa, mesmo com sua curva de aprendizado relativamente alta para o gênero.
Bastante conteúdo e microtransações

Em termos de conteúdo, Ride 6 oferece muitas das pistas que são importantes para o automobilismo e, em cascata, para os videogames. Há várias localizações disponíveis, como o lendário circuito oval de Daytona, nos Estados Unidos, ou o Autódromo Internacional do Algarve, em Portugal. Um detalhe, porém, é que o jogo não conta com nenhuma pista brasileira — nem o Autódromo de Interlagos, nem o Autódromo Ayrton Senna, localização importante para a Moto GP.
Há motos de vários fabricantes reais, como Honda, BMW, Ducati, Suzuki e Yamaha, em diferentes categorias. Além disso, Ride 6 é um jogo que utiliza uma abordagem de serviço, então há várias motocicletas que podem ser compradas via DLC na loja, mesmo já na época de lançamento do game.

Um problema dessa monetização, no entanto, é que os desenvolvedores vendem um booster de créditos com dinheiro real, que pode ser usado para ganhar mais das moedas que são recompensadas a cada corrida e desbloquear novas motos e equipamentos de tuning em uma velocidade maior. Essa é uma adição bem desnecessária, que passa a sensação de que os produtores criaram uma progressão mais lenta de propósito para quem não pagou por essa microtransação.
Colírio para os olhos

Assim como os jogos anteriores da franquia, Ride 6 foi desenvolvido por meio da Unreal Engine e apresenta gráficos sensacionais, que beiram o fotorrealismo ao longo das corridas — principalmente nas pistas situadas fora dos autódromos, em ambientes que mesclam o urbano com o rural. Os modelos 3D dos pilotos, exibidos nos menus e antes de cada corrida, não agradam tanto, pois destoam um pouco do restante do jogo com visuais travados e robóticos, mas dentro da gameplay propriamente dita, as animações são fenomenais e realistas.
A versão de PC de Ride 6 chegou em um estado satisfatório. Há alguns problemas que não deveriam estar presentes no jogo, como um controle de resolução que, por vezes, trava a tela em 720p, mas, no geral, o lado técnico do jogo é bom o suficiente. Há várias opções gráficas distintas, além de suporte a tecnologias de upscaling, para se obter uma boa taxa de quadros — no mínimo 60 quadros por segundos são necessários para que o game apresente uma experiência consistente e fluida. O suporte ao formato de tela ultrawide está presente somente durante as corridas e melhora muito a apresentação do jogo, que não sofreu grandes melhorias visuais em relação ao trabalho apresentado no game anterior (que já era incrível, diga-se de passagem).

Um único ponto em que o game deixa a desejar é a falta de uma trilha sonora com músicas licenciadas no decorrer das corridas — um fator primordial da estética de Forza Horizon que o game tenta emular, mas cuja ausência é perceptível. O lado sonoro, fora isso, é sensacional, com áudios completamente responsivos à jogatina e ao posicionamento do jogador no ambiente. É, no fim, um verdadeiro espetáculo para se jogar, principalmente em uma tela com compatibilidade com HDR.
Bom, apesar dos pesares
Ainda que o jogo conte com uma curva de aprendizado alta, Ride 6 é um bom jogo de motos, tanto em seu modo arcade quanto na configuração profissional. Esse é, sem dúvidas, mais um simcade de altíssima qualidade da Milestone, apesar do estúdio seguir pesando demais a mão em microtransações que agregam pouco para a experiência em geral.
Cópia de PC cedida pelos produtores
Revisão: Jason Ming Hong




