Lançado originalmente para o Dreamcast, Resident Evil Code: Veronica foi o primeiro jogo da série a utilizar gráficos totalmente em 3D, deixando de lado os cenários pré-renderizados da trilogia original de PS1. Para quem viveu aquela época, o salto gráfico impressionava de verdade. Após chegar ao último console da Sega, o título ganhou versões em outras plataformas com o subtítulo “X” e novas cenas incorporadas à campanha.
Desenvolvimento: Capcom
Distribuição: Capcom
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Terror, Tiro
Classificação: 18 anos (violência extrema, linguagem imprópria, conteúdo sexual)
Plataformas: GameCube, PS2, PS3, PS4, Xbox 360
Saindo de Raccoon City

Resident Evil Code: Veronica X continua a saga de Claire Redfield em busca de seu irmão Chris, que ela descobriu no segundo jogo ter seguido para a Europa para desmascarar a Umbrella Corporation. Claire acaba capturada na ilha Rockfort, localizada no Pacífico Sul e pertencente à própria Umbrella.
Após fugir dos militares, ela se vê cercada novamente por zumbis, agora criados por uma nova mutação do vírus, o T-Veronica, que se espalhou pela ilha e infectou praticamente todos os habitantes. No meio do caos, Claire aceita a companhia do controverso Steve Burnside e passa a ser perseguida por um vilão com ares de grandeza — sem contar outra figura antiga da série que também busca algo na ilha e, obviamente, não está do lado dela.
Uma sensação agridoce

Rejogar Resident Evil Code: Veronica X em pleno 2026 traz um misto de sentimentos, mas sensações boas em sua maioria, pois considero esse o segundo melhor jogo da série (perdendo apenas para o remake do primeiro Resident Evil). É um jogo raiz que, mesmo com cenários em 3D e uma câmera que segue seus personagens, ainda mantém a mesma jogabilidade tanque dos jogos anteriores.
Falando em jogabilidade, faz falta uma melhoria nos controles. A versão lançada para PlayStation 4 basicamente roda a mesma edição de PlayStation 2 como uma simples emulação. Não há opção de controles modernos, como vimos nos remasters do remake do primeiro jogo e de Resident Evil 0. Usar o analógico, aqui, piora a situação. Estranhei também o mapeamento padrão japonês, que coloca o botão bola para correr. Felizmente, consegui ajustar para correr com o quadrado, como prefiro.

Outros ruídos não passam despercebidos. Algumas decisões soam como retrocesso, como a obrigação de apertar o botão de ação para subir uma simples escada — algo que Resident Evil 3: Nemesis já havia resolvido. Soma-se a isso o excesso de backtracking, que é revisitar áreas antigas para abrir novos caminhos e pegar novos itens. Isso faz parte da identidade da série, mas Code: Veronica exagera em certos momentos, a ponto de a campanha parecer estagnada, como se estivéssemos andando em círculos..
Curiosamente, o jogo usa tanto esse recurso que, na metade da campanha, reaproveita os mesmos cenários por rotas completamente diferentes. O efeito não tem meio-termo: ou você admira o aproveitamento inteligente dos espaços, ou simplesmente se cansa de revisitar tudo outra vez — ainda mais por ser um jogo relativamente longo, comparado aos outros clássicos.
Um jogo único

Code: Veronica X busca um equilíbrio: o game introduz elementos novos sem tentar reinventar a roda. A trama é ambiciosa e mais elaborada do que a média da série. Alguns aspectos não envelheceram tão bem, principalmente na abordagem de certos temas, mas ainda encontramos um enredo ousado, com ritmo consistente e uma das trilhas sonoras mais marcantes da franquia, inclusive.
Os zumbis continuam ali, assim como os cães infectados e outras criaturas mutantes. Ainda assim, este capítulo carrega um refinamento diferente, uma personalidade própria. O título entrega uma cena de abertura eletrizante, uma Claire mais desenvolvida e um vilão tão caricato que chega a flertar com o cômico. E a atmosfera gótica bebe da fonte de clássicos como Psicose. Isso é Resident Evil Code: Veronica X.
Hoje as rugas estão à amostra

Com o olhar atual, alguns problemas ficam evidentes. O jogo aborda temas sensíveis de maneira questionável, especialmente na forma como retrata a família Ashford, além de tropeçar na construção de Steve em determinados momentos.
A dublagem também denuncia a época. Ela mantém o mesmo tom amador da trilogia original, o que causa estranhamento agora que os modelos são totalmente em 3D e as expressões ficam mais evidentes.

Outro ponto negativo é que o jogo não oferece níveis de dificuldade adicionais após a primeira campanha, liberando apenas o modo Battle, que até diverte por um tempo ao incentivar ranks melhores e eliminação rápida de inimigos, apesar de parecer uma versão menos inspirada do modo Mercenários apresentado em Resident Evil 3: Nemesis.
E não o menos importante: como a Capcom disponibilizou essa versão no PS4 ao invés da remasterização que foi lançada para PS3 e Xbox 360 em 2011? Um erro crasso que soa como má vontade. Se prepare para não ter nenhuma modernização de controle, nenhuma melhoria gráfica e jogar com a tela quadrada, sem preencher toda a televisão.
Um jogo para quem curte um Resident Evil à moda antiga
Resident Evil Code:Veronica X entrega personalidade desde a cena inicial. A ilha Rockfort poderia receber desenvolvimento mais aprofundado, mas permanece viva o suficiente para que seus cenários fiquem na memória dias depois. Ainda assim, recomendo o jogo principalmente para quem viveu seu lançamento original ou para quem curte a fase clássica da franquia. Quem prefere o estilo de câmera sobre o ombro, popularizado a partir de Resident Evil 4, talvez prefira aguardar por um possível remake.
Cópia de PS4 adquirida pelo autor
Revisão: Julio Pinheiro




