Bravely Default Flying Fairy HD Remaster capa

Review Bravely Default Flying Fairy HD Remaster (PC) – O retorno aos clássicos da Square Enix

Lançado inicialmente para o 3DS em 2012, Bravely Default Flying Fairy HD Remaster chegou junto com o Switch 2 e agora está, pela primeira vez, saindo do universo da Nintendo e se tornando um game multiplataforma, para os jogadores de PC e Xbox. O título é um JRPG raiz, muitíssimo inspirado pelos clássicos da franquia Final Fantasy, e é uma experiência agradável, em um estilo que com certeza agradará muitos fãs que apreciam uma encarnação mais tradicional do gênero.

Desenvolvimento: Cattle Call

Distribuição: Square Enix

Jogadores: 1 (local)

Gênero: RPG

Classificação: 16 anos (drogas ilícitas, linguagem imprópria, atos criminosos)

Português: Não

Plataformas: PC, Xbox Series X|S, Xbox One, Switch 2

Duração: 72 horas (campanha)/98 horas (100%)

História normal, mas com surpresas

Cena da trama de Bravely Default

Com visuais estilizados, no estilo chibi, além de muitas cutscenes e diálogos, Bravely Default se passa no mundo de Luxendarc e põe, num primeiro momento, os jogadores na pele de Tiz Arrior, o único sobrevivente de um evento que devastou totalmente o lugar onde vivia. Aos poucos, o protagonista conhece Agnès, Ringabel e Edea Lee, formando a party que segue rumo ao foco principal da narrativa: restaurar cristais que representam os quatro elementos fundamentais da natureza para salvar o mundo da escuridão e de um império maligno.

É uma sinopse no padrão de um RPG da Square Enix, basicamente, sem muitas novidades na premissa, mas com algumas reviravoltas muito interessantes após um tempo de jogo. Elas envolvem todos os quatro protagonistas e Airy, a “Flying Fairy” do título do game, uma NPC que faz companhia para o jogador ao longo da trama. O ritmo é um tanto lento, abrindo espaço para um bom desenvolvimento dos personagens que fazem parte da trama, resultando em uma aventura épica que vale a pena prestar atenção, por mais simples que a apresentação seja em relação aos RPGs um pouco mais modernos, já que a gameplay compensa isso.

Combate diferenciado

Combate em Bravely Default

Bravely Default é um jogo justamente no estilo dos Final Fantasy mais clássicos, com uma visão do mapa em ângulos fixos e batalhas por turnos aleatórias, que inclusive podem ter a frequência ajustada pelo jogador. A jogabilidade é focada no job system, então cada membro da equipe começa como um freelancer, sem um trabalho, e, com o desenrolar da história, vai aos poucos desbloqueando novas classes, cada uma com suas respectivas habilidades, sendo necessário juntar várias delas para se ter um time completo e diverso, com cada personagem desempenhando suas funções em direção à vitória nos confrontos.

Além disso, o sistema de combates traz duas mecânicas diferenciais, o Brave e o Default, que praticamente dão nome ao jogo. Primeiro, os protagonistas precisam farmar poder com o Default, passando a sua vez e agindo de forma defensiva para acumular pontos. Depois, com esses pontos, é possível usar o Brave para desferir ataques ainda mais fortes, atacando mais vezes em um único turno. A mecânica coloca um pouco de estratégia no jogo, porque as ações nessas mecânicas limitam e punem o jogador, dependendo de suas escolhas. Se o contador de pontos ficar negativo, por exemplo, será necessário passar a vez até que ele volte para um número positivo.

Conversa em Bravely Default

Os desenvolvedores também incluíram uma mecânica online, em um estilo multiplayer assíncrono — ou seja, com interações nas quais os jogadores não precisam estar online simultaneamente, já que esse é um jogo single player. Durante a exploração, é possível entrar em contato com o espírito de outros jogadores que passaram pelos mapas e enviaram golpes através da rede online, para poder utilizar esses ataques como uma espécie de ajuda contra os oponentes. Junto com uma função para linkar habilidades de amigos, são ótimas ajudas e uma inclusão bem-vinda no jogo, que tem uma dificuldade que, no geral, é justa e bem balanceada.

Um remaster ótimo

Mapa de Bravely Default

A remasterização em HD de Bravely Default Flying Fairy recebeu uma versão de PC excelente, considerando o trabalho feito em um jogo que anteriormente estava preso no Nintendo 3DS. Os gráficos possuem uma uma qualidade ótima e nenhum sinal visível de upscaling, até mesmo em resolução 4K, a 120 quadros por segundo — mas somente no decorrer da gameplay propriamente dita, porque algumas cutscenes são pré-renderizadas e sofrem com artefatos de compressão bastante perceptíveis em telas grandes.

Há suporte para taxas de quadros altas e, claro, mouse e teclado, em adição aos controles. É um trabalho completo que complementa bem a apresentação do game, que possui uma trilha sonora verdadeiramente incrível. Esse, claro, é um requisito para qualquer RPG da Square Enix, que foi mais uma vez cumprido com sucesso, a ponto de elevar o tom de toda a jornada — faltando apenas a presença de uma localização com legendas em português, aproveitando essa ocasião de um remaster.

Minigame que era do Switch 2 no PC

A edição de Switch 2 ganhou alguns minigames exclusivos que utilizam as funcionalidades dos novos Joy-Con, e esses foram adaptados para o PC com três possibilidades distintas: uma requerendo dois mouses, no mesmo estilo do console da Nintendo, mas que acaba sendo, no mínimo, incomum para grande parte dos jogadores de PC, e outras no controle ou no mouse e teclado tradicionais. Esses minigames não funcionam tão bem quanto poderiam em suas versões adaptadas, mas certamente valeu a tentativa.

Vale a pena

A versão HD Remaster de Bravely Default Flying Fairy é excelente, com um cuidado impecável que transporta com sucesso um clássico relativamente esquecido para as plataformas atuais. Apesar de lenta, a história apresentada pelo RPG é envolvente e surpreendente, e a jogabilidade é sensacional, respeitando as regras clássicas do combate por turnos mas com novidades que dão um bom frescor à experiência. Para quem jogou a edição original, a remasterização é uma forma espetacular de revisitar o game, e para quem não conhece, é a porta de entrada perfeita para a franquia Bravely, que tem mais dois títulos, e um desses ainda preso no 3DS.

Cópia de PC cedida pelos produtores

Revisão: Ailton Bueno

Bravely Default Flying Fairy HD Remaster

9

Nota Final

9.0/10

Prós

  • Boa remasterização
  • Jogabilidade excelente
  • Novidades no combate por turnos

Contras

  • Ritmo lento
  • Minigames do Switch 2 não funcionam tão bem fora dele