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Review FATAL FRAME II: Crimson Butterfly REMAKE (Xbox Series X) – Entre ciclos de sacrifício

Após mais de uma década sem receber um jogo realmente novo, deixando de lado alguns poucos remasters que recebemos nos últimos anos, e se é que dá para considerar um remake um “jogo novo”, a franquia Fatal Frame faz seu retorno com um belíssimo remake, daquele que é considerado por muitos jogadores o melhor título da franquia.

FATAL FRAME II: Crimson Butterfly REMAKE chega à atual geração respeitando o legado da obra original, a jornada macabra das gêmeas Mio e Mayu no vilarejo de Minakami, enquanto adiciona algumas novidades sutis que fazem diferença na nossa experiência.

Desenvolvimento: KOEI TECMO GAMES
Distribuição: KOEI TECMO AMERICA
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Aventura, Ação
Classificação: 18 anos (violência extrema, linguagem imprópria)
Português: Não
Plataformas: PC, PS5, Switch 2, Xbox Series X|S
Duração: 12 horas (campanha)/22 horas (100%)

O vilarejo desaparecido

Explorando o vilarejo de Minakami junto a Mayu.
Explorando o vilarejo de Minakami junto a Mayu.

A história de FATAL FRAME II: Crimson Butterfly REMAKE se inicia com a protagonista Mio e sua irmã gêmea, Mayu, conversando à beira de um rio, em uma bela e tranquila floresta na zona rural japonesa, onde costumavam brincar quando eram pequenas. Durante a conversa, Mio se vira e percebe que sua irmã está adentrando a floresta, seguindo uma borboleta carmesim, a mesma que dá nome ao jogo.

Mio rapidamente vai atrás de sua irmã, ao mesmo tempo em que percebe a aparência da Mayu mudando para a de uma jovem de kimono. Até que, ao alcançá-la, as duas se veem em um lugar totalmente diferente: um vilarejo tomado pela escuridão onde o sol nunca nasce.

O vilarejo nada mais é do que uma lenda, na qual o local desapareceu durante a noite de um festival e jamais foi encontrado novamente. A lenda também diz que aqueles que se perdem na floresta são atraídos para esse lugar misterioso, onde o tempo parece não passar, ficando condenados a viver seus últimos momentos por toda a eternidade. Assim, cabe a Mio e Mayu explorar o vilarejo de Minakami em busca de uma saída.

Destino e dependência

Mio sempre se preocupando em manter Mayu segura.
Mio sempre se preocupando em manter Mayu segura.

Mio e Mayu são irmãs gêmeas inseparáveis, e após um acidente na infância, quando Mayu caiu de um barranco e machucou a perna, prejudicando sua mobilidade, Mio assumiu para si o papel de cuidar da irmã, estreitando ainda mais o laço entre as duas. Esse vínculo se torna essencial ao longo da trama, pois, embora inseparáveis, a relação das duas será posta à prova durante a jornada pelo vilarejo de Minakami.

O vínculo e a dependência mútua parecem ter sido usados pelo próprio destino para atraí-las ao vilarejo perdido. Ao explorarem o local, as gêmeas descobrem que estão presas em um espaço assombrado pelos espíritos rancorosos dos moradores da vila desaparecida há muito tempo, que tentarão atacá-las constantemente. Além disso, um estranho e macabro ritual envolvendo gêmeas parece ser uma tradição da região.

O ritual é considerado a única forma de selar um portal maligno, descrito como um abismo infernal, e caso o portal permanecesse aberto, forças espirituais malignas se espalhariam livremente pelo mundo dos vivos. Por isso, de tempos em tempos, quando o selo do portal enfraquecia, gêmeos eram preparados pelo vilarejo para esse ritual, o qual não irei detalhar para evitar spoilers.

Câmera Obscura

Exorcizando um espírito com a câmera obscura.
Exorcizando um espírito com a câmera obscura.

Além de informações sobre o vilarejo em sua exploração inicial, Mio também encontra a Câmera Obscura, marca registrada da franquia Fatal Frame. Essa câmera possibilita o exorcismo dos espíritos que atacam as gêmeas, e além de funcionar como uma arma contra aqueles que já pereceram. Ela também nos permite explorar mais a fundo o vilarejo de Mikanami, oferecendo diferentes filtros com funções específicas durante a jogatina.

Além do filtro padrão, muito utilizado nos momentos de embate, há filtros que nos  permitem enxergar traços de acontecimentos do passado, destruir selos que bloqueiam passagens e até trazer itens do passado para o presente. Tudo isso torna a exploração mais complexa e adiciona um fator de backtracking ao jogo, de forma sutil, sem tornar a revisita às áreas maçante. Sempre há algo novo a descobrir, seja um documento que aprofunda a história ou um item de melhoria – o jogador é constantemente recompensado por uma exploração cuidadosa.

Mecânicas, itens e melhorias

Menu de melhorias da câmera obscura.
Menu de melhorias da câmera obscura.

Além dos filtros da Câmera Obscura, contamos com diversos tipos de filmes, que funcionam como munição para derrotar os espíritos. Cada filme encontrado durante a exploração prioriza determinadas características: alguns causam grande dano, mas demoram para recarregar, enquanto outros permitem disparos mais rápidos, porém com menor poder de ataque. Cada um dos quatro filtros também possui um ataque único, como a habilidade de deixar os espíritos lentos ou cegos por um período.

Cada foto tirada dos espíritos recompensa o jogador com pontos, que podem ser usados para adquirir itens nos pontos de save, que são as lanternas de borboleta espalhadas pelo mapa. Durante a exploração, também encontramos itens que restauram a vida e força de vontade – esta última funciona como uma barra de energia, utilizada para esquivas, escapar de agarrões ou executar habilidades especiais. Ambas exigem atenção constante para que Mio não seja derrotada. Além disso, é possível aprimorar a Câmera Obscura coletando itens de melhoria, aumentando desde o seu poder de ataque até a redução do tempo de recarga dos filmes.

Uma das novidades do remake é a mecânica de dar a mão a Mayu, que, além de acrescentar um toque humano e aprofundar a relação entre as gêmeas, permite que Mayu se mova mais rapidamente e ajuda a restaurar gradualmente a barra de vida de Mio.

Outra adição relevante é a possibilidade de os inimigos entrarem em um modo de “fúria”. Nesses momentos, eles passam a exalar uma aura vermelha, tornando-se mais fortes e resistentes, o que exige uma abordagem mais cautelosa por parte dos jogadores.

Entre acertos e tropeços

Mio buscando uma maneira de escapar desse pesadelo.
Mio buscando uma maneira de escapar desse pesadelo.

O remake chega à atual geração com tropeços que nos fazem questionar o cuidado dedicado à série pelos produtores. Enquanto grandes franquias do survival horror, como Silent Hill e Resident Evil, estão mais fortes do quê nunca, Fatal Frame II é lançado com a taxa de quadros travada a 30 FPS nos consoles, algo incompreensível considerando o poder do PlayStation 5 e o Xbox Series X. E sim, o jogo é muito bonito, mas isso não justifica a limitação, ainda mais considerando seu mapa pequeno, composto por áreas fechadas. E o pior: quedas frequentes na taxa de quadros ainda aparecem, impactando negativamente a experiência.

E aquele que deveria ser o melhor momento para expandir a base de fãs no Brasil parece ter sido desperdiçado, já que o jogo não recebeu nem mesmo uma tradução para o nosso idioma, o que prejudica a própria obra, já que grande parte da história é contada por meio de documentos encontrados ao longo da jornada. Ainda assim, mesmo com tropeços que poderiam e deveriam ter sido evitados, acompanhar Mio e Mayu mais uma vez faz com que enfrentar esses obstáculos valha a pena.

O retorno da franquia

É inegável que FATAL FRAME II: Crimson Butterfly REMAKE é um bom jogo, o que não surpreende considerando que se trata de um remake de um dos títulos mais aclamados da franquia. A trágica jornada das gêmeas Mio e Mayu marcou uma geração com sua história perturbadora e ambientação macabra, e agora retorna para assombrar veteranos e novatos em busca de um survival horror focado no terror sobrenatural.

Cópia de Xbox Series X|S cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

FATAL FRAME II: Crimson Butterfly REMAKE

8

Nota Final

8.0/10

Prós

  • Narrativa envolvente com foco emocional na relação entre Mio e Mayu
  • Visual detalhado e fiel ao original
  • Atmosfera de terror constante
  • Sons ambientes imersivos
  • Combate com a Câmera Obscura satisfatório

Contras

  • Desempenho técnico decepcionante (30 FPS com quedas)
  • Ausência de tradução para pt-BR, prejudicando a experiência narrativa