Há dez anos, em 2016, era lançado uma reimaginação necessária para um clássico de PS2 para o até então console da geração PlayStation 4: Ratchet & Clank é um reboot da série e um grande exclusivo da Sony que não teve medo de ter um escopo AAA em uma época em que os jogos de plataforma pediam cautela com grandes orçamentos.
Desenvolvimento: Insomniac Games
Distribuição: Sony Interactive Entertainment
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação
Classificação: 10 anos
Português: Dublagem, legendas e interface
Plataformas: PS4
Duração: 10 horas (campanha)/13,5 horas (100%)
Um novo patamar para o gênero

Não fui muito longe no Ratchet & Clank original de PlayStation 2, mas é incrível ver como tudo foi reimaginado e expandido logo nas primeiras fases da campanha. A qualidade gráfica lembra muito as animações da Pixar e a dublagem em português foi uma adição muito bem-vinda, reforçando o carisma dos personagens. Aliás, acho que foi a primeira vez que vi uma gameplay com visual parecido com uma grande animação cinematográfica. Dez anos atrás, não existia outro jogo do gênero com esse nível de acabamento.
É curioso revisitar esse jogo depois de uma década e perceber como ele ainda parece atual, apesar do ritmo mais lento no início quando comparado ao seu sucessor Rift Apart. Ainda assim, faz sentido que o jogo ganhe força aos poucos, conforme Ratchet adquire novas armas e aprimora seu arsenal. Sem falar na adição do jetpack, que permite sobrevoar determinados planetas, recurso introduzido anteriormente em Ratchet & Clank Future: Into the Nexus.

Também não podemos esquecer que esta é uma história de origem da amizade entre o alienígena Lombax e o robô Clank, que, por um golpe do destino, acabam se unindo aos Guardas Galácticos para derrotar o lunático President Drek, disposto a destruir planetas para cumprir seus objetivos. É uma história de origem, então não dá para começar de forma explosiva sem antes construir as relações entre os personagens.
Combate fluído, cenários lindos e mundo vazio

Ratchet & Clank já rodava a estáveis 30 fps no PS4, mas ganhou uma atualização gratuita liberando os 60 fps para quem jogar no PS5, que foi meu caso. E seu desempenho não cai, mesmo com vários inimigos em tela e as inúmeras partículas causadas por quebras de caixotes e por oponentes destruídos.
Podemos bater nos inimigos com uma chave de fenda e com inúmeros tipos de armas que vão do pixel art que deixa os personagens estilo Lego, um lança chamas e até uma arma que faz dentro de um raio os personagens dançarem enquanto você os aniquila. E pode acreditar, tem muita arma que faz você diversificar bem o combate.

Falando dos nove planetas do jogo, todos apresentam biomas e inimigos bem distintos. O problema aparece depois das missões principais. O vazio desses cenários não incentiva muito a concluir as atividades secundárias e, depois delas, a sensação piora. São mapas grandes que passam uma impressão inicial de exploração maior do que realmente oferecem.
Um bom jogo ainda hoje
Ratchet & Clank para PS4 continua sendo um jogo divertido e faz falta para quem joga apenas no PC, já que seu sucessor acabou recebendo um port para a plataforma enquanto essa aventura de origem segue presa aos consoles. Ele chegou em um momento em que o gênero de plataforma atravessava uma fase de poucas apostas de grande orçamento e ainda teve a ousadia de estrear junto com um filme.
Mesmo assim, não consigo destacar muito mais do que isso. Gostei bastante do que encontrei e até gostaria de escrever mais sobre o jogo, mas hoje ele funciona como um bom feijão com arroz dentro do gênero. Não é uma aventura muito longa e soube encerrar sua campanha na hora certa. Talvez ter jogado Rift Apart no PC antes deste tenha influenciado minha percepção, mas ainda considero Ratchet & Clank um jogo obrigatório para quem gosta da série.
Cópia de PS4 adquirada pelo autor
Revisão: Julio Pinheiro




