Pragmata capa

Review Pragmata (Xbox Series S) – Uma jornada findada no emotivo

Pragmata acompanha Hugh e a androide Diana em uma jornada de sobrevivência em uma estação lunar tomada por máquinas hostis, algo já abordado por títulos parecidos de ação e tiro como Dead Space e Binary Domain. Misturando tiro em terceira pessoa, resolução de enigmas e uma narrativa focada na relação entre humano e inteligência artificial, o novo game da CAPCOM busca explorar temas como consciência, humanidade e conexão emocional em um futuro distópico.

Desenvolvimento: Capcom
Distribuição: Capcom
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Tiro
Classificação: 14 anos (violência, compras no jogo, temas sensíveis, linguagem vulgar)
Português: Dublagem, legendas e interface
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S, Switch 2
Duração: 12 horas (campanha)/20 horas (100%)

Um combate extremamente refinado e cheio de possibilidades

Cena de confronto com robôs
Robôs ficam mais vulneráveis quando os hackeamos

As mecânicas de tiro são extremamente bem executadas e precisas. Existe uma boa variedade de armas, cada uma com atributos próprios e utilidades diferentes para determinadas situações — apesar de repetirem a categoria entre si. Isso ajuda bastante a diversificar o combate e te incentiva a experimentar diferentes estratégias ao longo da campanha.

Os controles do protagonista também merecem elogios. A movimentação é precisa, responsiva e muito agradável de usar, provando mais uma vez que jogos de ação em terceira pessoa ainda conseguem entregar experiências fenomenais quando bem executados. Além disso, as melhorias aplicadas tanto em Hugh quanto em Diana são praticamente indispensáveis para enfrentar os chefes e os desafios mais avançados.

Progressão sólida, mas estrutura excessivamente repetitiva

Cena de exploração do ambiente

A progressão funciona muito bem graças aos upgrades e equipamentos desbloqueáveis. Novos trajes oferecem bônus de defesa, resistência a projéteis e aumento de dano, criando uma sensação constante de evolução do personagem. Felizmente, Pragmata recompensa exploração e investimento em builds diferentes.

No entanto, conforme as horas avançam, a repetição começa a ficar evidente. Apesar das mecânicas centrais serem excelentes, existe uma reciclagem exagerada de sistemas, objetivos e situações com frequência maior do que eu esperava. As novidades introduzidas ao longo da campanha são relativamente pequenas e não conseguem renovar a experiência na velocidade necessária para manter o frescor. Prepare-se para ver armas parecidas, inimigos semelhantes, e repetir a mecânica de hacking em demasia.

Uma narrativa interessante, mas emocionalmente inconsistente

Cena de combate próximo
Mecânicas de combate são legais, mas repetem ao infinito e além

Pessoalmente, acredito que os desenvolvedores tentaram criar uma conexão emocional entre humanos e robôs através de Diana. Entretanto, essa ideia nunca funcionou totalmente para mim e parece contraditória, especialmente dado o background do diretor Cho Yonghee em character design em títulos com apelo à sensualidade feminina e sexualização de personagens. Se a própria narrativa insiste em definir Diana como uma máquina, qual o sentido lógico em fazê-la ser vista como uma criança?

Estruturalmente, Pragmata também sofre com a reutilização excessiva de ambientes e tipos de inimigos. Depois de algumas horas, a sensação de estar revisitando os mesmos cenários e enfrentando variações das mesmas criaturas começa a aparecer com frequência. Isso não arruína a experiência, mas certamente reduz o impacto da aventura no longo prazo.

Um excelente sistema de combate preso em uma estrutura repetitiva

Pragmata entrega algumas das melhores mecânicas de tiro em terceira pessoa que joguei nos últimos anos. Os controles são excelentes, as armas oferecem variedade real e o sistema de upgrades adiciona profundidade suficiente para manter os combates constantemente interessantes. Ao mesmo tempo, o jogo sofre com excesso de reciclagem de mecânicas, inimigos e cenários, fazendo com que a experiência perca parte do seu brilho conforme a campanha avança. A tentativa de construir uma relação emocional entre humano e máquina também não me convenceu totalmente, principalmente pela forma como a própria narrativa define Diana. Ainda assim, quando o foco está no combate e na progressão, Pragmata mostra todo o talento da Capcom em criar jogos de ação extremamente refinados.

Cópia de Xbox Series X|S cedida pelos produtores

Pragmata

7.5

Nota final

7.5/10

Prós

  • Excelente sistema de tiro
  • Variedade de armas
  • Controles precisos
  • Sistema de upgrades
  • Combates contra chefes

Contras

  • Relação emocional contraditória
  • Repetição excessiva de mecânicas
  • Poucas novidades ao longo da jornada
  • Level design bem parecido
  • Inimigos variados, mas bem iguais