review-amnesia-rebirth-switch-2-1

Review Amnesia: Rebirth (Switch 2) – Na fuga do medo, talvez só encontre o tédio

Amnesia: Rebirth é o terceiro jogo da série de terror, chegando agora ao Switch 2. Contando com uma história interessante, o mesmo é difícil de se dizer sobre a jogabilidade, restando um game que provavelmente não vai agradar a todos, mesmo os fãs de terror.

Desenvolvimento: Frictional Games
Distribuição: Abylight Studios
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Aventura
Classificação: 18 anos (violência extrema, conteúdo sexual, linguagem imprópria)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS4, Switch 2, Xbox One, Xbox Series X|S
Duração: 8.5 horas (campanha)/14.5 horas (100%)

Caindo em ambiente inóspito

Acender um fósforo é correr pra achar o que acender com ele
Você piscou e esse fósforo apagou

Amnesia: Rebirth é ambientado em 1937 na Argélia, país africano então colônia francesa. Um avião carregando uma expedição se acidenta e acordamos dentro dele. Controlamos Anastasie Trianon, ou apenas Tasi, que acorda sozinha e desorientada dentro do avião, sem memórias do que aconteceu e também de parte do seu passado. Tasi então inicia sua jornada para descobrir o que aconteceu, onde estão seu marido e demais companheiros de viagem e, principalmente, apenas sobreviver.

A história é contada de forma bastante não linear, misturando passado, presente e futuro, de forma que a protagonista passa a maior parte do tempo bastante confusa. Confusão essa que pode afetar também você, caro jogador, em diversos momentos, dada essa forma de contar os eventos e também a grande quantidade de documentos espalhados pelos cenários, boa parte dos quais nada adiciona à trama. O jogo envolve diversos temas, mas principalmente a maternidade e a infância, dado que Tasi se descobre grávida e isso tem inclusive implicações na jogabilidade, ainda que nada elaborado.

Jogabilidade limitada

Você basicamente não tem penalidade por ser capturado por monstros
A visão do monstro realmente dá medo, até você saber que praticamente não tem consequências

Falando na jogabilidade, enquanto a história tem potencial, o mesmo é difícil de se dizer do jogo em si. Controlamos Tasi em primeira pessoa e ela pode correr, agachar, segurar e mover objetos e usar alguns itens. Caminhamos por várias áreas em busca de chegar em determinados lugares e entender o que aconteceu e sair desse lugar. Para isso, devemos resolver diversos puzzles para ir de um ponto a outro, que variam um tanto em qualidade.

Porém, claramente estamos em um local amaldiçoado e Tasi é frequentemente aterrorizada. O foco do jogo é o medo: Tasi é constantemente seguida por monstros e sua mente começa a entrar em colapso ao ficar muito tempo no escuro. Para contornar isso, contamos com fósforos que podem acender o caminho e acender lâmpadas, velas e outras formas de armazenar calor.

Inventário maluco e recompensa ao perder

Os visuais dos portais são bons, pelo menos
Essa espécie de bússola serve apenas para abrir alguns portais

Além dos fósforos, posteriormente você também recebe também a lâmpada, que precisa de óleo para ser acesa, e é mais útil para andar e explorar os ambientes escuros. Os fósforos não duram praticamente nada, mas você os encontra com certa frequência. Irrita um pouco, além de não fazer sentido, você poder carregar apenas 10 fósforos, enquanto é possível levar algumas latas de óleo. E por que Tasi não pode carregar tochas ou velas que ela acende nos cenários?

Na maior parte dos momentos do game, ao ser dominada pelo medo ou ser capturada por um monstro você é… transportada para um ponto seguinte no jogo. É isso mesmo: você não retorna a um ponto anterior, mas sim a um ponto logo à frente da campanha, pegando um atalho. É melhor morrer do que fugir dos monstros. Confesso que achei uma decisão diferenciada e até ousada dos desenvolvedores, mas fico com certa dúvida sobre sua eficácia no design do jogo.

Exige algum esforço e gosto específico para apreciar

Alguns dos puzzles podem gerar algum estresse
Ao chegar em um novo ambiente, logo você estará procurando que puzzle deve ser resolvido

Eu simplesmente tive muita dificuldade em me apegar à jogabilidade e ter vontade de ir adiante. A história central, focada na própria Tasi, é até interessante e eu fiquei curioso para seguir a aventura e ver onde isso termina, mas ao custo de lidar com a gameplay mediana. O resto dos personagens aparecem pouco e é bem difícil de se apegar e ter vontade de descobrir o que aconteceu (ou acontecerá) com eles.

Dito tudo isso, o jogo possui também o modo aventura, em que é possível explorar a história em ambientes claros, sem monstros ou medo. Também me parece algo que quebra o objetivo de um jogo de terror mas, dada a jogabilidade que achei fraca e a história que achei que tem seus pontos positivos, não achei uma opção ruim – ainda que não exatamente por bons motivos.

Lançado originalmente em 2020, o game chega agora ao Switch 2. Mas infelizmente é apenas um port comum, não tirando proveito de nenhuma possibilidade de controle do Switch 2. Não há controle por movimento ou mouse, nem interação pela tela sensível ao toque no modo portátil. É uma pena, pois são mudanças sutis, mas que acrescentariam um toque de entretenimento e qualidade de vida à experiência. De qualquer forma, os gráficos seguem bastante bonitos, criando bem a atmosfera de medo e ansiedade.

Tem que ser entusiasta para apreciar, e olha lá

Amnesia: Rebirth faz parte de uma série que ajudou a moldar o gênero na década passada, mas infelizmente deixa a desejar. Se você for fã especificamente de jogos de terror nesse estilo, provavelmente vai se divertir, mas, caso contrário, é difícil encontrar muito o que se aproveitar.

Cópia de Switch 2 cedida pelos produtores

Revisão: Julio Pinheiro

Amnesia: Rebirth

6

Nota final

6.0/10

Prós

  • História prende o jogador
  • Gráficos e sons criam o clima de terror

Contras

  • Jogabilidade pode ser tediosa
  • Quantidade grande de leituras inúteis
  • Não usa nenhuma possibilidade de controle do Switch 2