Depois do lançamento de Forza Horizon 6 e Halo: Campaign Evolved, finalmente temos a chegada de Gears of War: E-Day na celebração de um conturbado 25º aniversário da plataforma Xbox. A franquia, que desde a geração do 360 é um dos grandes pilares da Microsoft, está recebendo um shooter de alta qualidade, com uma campanha que age como uma prequela dos acontecimentos da saga, e um bom modo multiplayer, apesar de suas microtransações.
Desenvolvimento: The Coalition
Distribuição: Xbox Game Studios
Jogadores: 1 (local) e 1-12 (online)
Gênero: Tiro
Classificação: 18 anos (violência extrema, linguagem imprópria)
Português: Interface, dublagem e legendas
Plataformas: PC, Xbox Series X|S
Duração: 16 horas (campanha)/24 horas (100%)
A campanha é um espetáculo

Gears of War: E-Day oferece um modo história cinematográfico para até quatro jogadores, retratando o momento em que tudo muda no universo da franquia — um terremoto atinge a cidade de Kalona, no planeta Sera, e hordas de Locust, um dos monstros da saga, invadem o local em peso. Encarnamos os membros do Esquadrão Bravo, controlando o sargento Marcus Fenix e seus colegas numa grande tentativa de resistir às ameaças que dominam toda a cidade. Como essa é uma prequela, o game serve tanto para quem começa agora quanto para quem acompanha a série desde 2006, quando o primeiro jogo chegou ao mercado.
A gameplay é de tiro em terceira pessoa, com jogadores reais podendo assumir cada membro do Esquadrão ou bots ocupando esse lugar — o melhor certamente é jogar a campanha em equipe, uma vez que o título é estruturado dessa forma. A jogabilidade é bastante focalizada, então o shooter não apresenta o tipo de campanha que exige muito de quem joga, bastando só eliminar tudo o que aparecer na frente e continuar adiante. Tanto que, ao apertar L1, é possível ver qual é o próximo ponto a seguir — alguns momentos são bem lineares, enquanto outros já abrem espaço para missões secundárias que expandem toda a situação enfrentada pelos habitantes de Kalona, mas ainda envolvendo atirar em tudo que se move. Esses objetivos servem para explorar mais as partes abertas do mapa e sequer são sinalizados na interface por esse motivo, surgindo de forma dinâmica no decorrer da jogatina. Ainda assim, quem dita o ritmo são os jogadores, e não é necessário completar esse conteúdo para progredir na jornada.

No geral, o jogo só pede por tática nos segmentos em que é preciso ficar em coberturas para atirar contra inimigos mais fortes. A movimentação, no entanto, é pesada, principalmente ao correr, o que tira um pouco da excelente responsividade das mecânicas de tiro, que funcionam bem e agradam. Gears of War: E-Day só não é um jogo de terror porque faz os jogadores entrarem na pele de praticamente super-heróis, mas ele tem partes que possuem uma pegada muito próxima do horror, já que tudo é muito visceral e sangrento. O nível de detalhe das ameaças é incrivelmente bem feito, ainda que o título escolha seguir o caminho do exagero — sendo essa a sua diversão, é um caos urbano com uma escala impressionante. Para o modo história, só faltou um sistema de matchmaking para encontrar pessoas em um ponto semelhante da campanha, pois há apenas uma lista de salas que permite entrar até nos últimos atos da trama sem sequer ter jogado nada dela.
Novidade e tradição nos modos online

Além da campanha cooperativa, que traz 28 capítulos distintos, Gears of War: E-Day é um pacote completo e também disponibiliza modos multiplayer que não se preocupam exatamente em contar uma narrativa, sendo experiências online mais tradicionais. Para esse novo game, a principal adição é o Horde Siege, em que até 12 jogadores se dividem em esquadrões para cumprir missões com o objetivo final de extrair do campo de guerra. É preciso selecionar um soldado entre quatro classes e trabalhar em equipe para eliminar as ameaças, em operações com um escopo tão grandioso quanto o da campanha. Ao lado do Horde Siege, há o clássico modo Versus, oferecendo formatos consagrados dos jogos de tiro, como o Conquest e o Team Deathmatch.
O personagem do modo online pode ser customizado com skins. Algumas podem ser desbloqueadas progredindo na campanha, enquanto outras só são compradas com “ferro”, uma moeda que precisa ser obtida à parte, em pacotes que custam entre R$ 22 e R$ 499 — o jogo está bastante acessível pelo catálogo do Game Pass, mas traz essa pegadinha.

Também há passes de temporada contendo visuais e poses que podem ser adquiridos separadamente ou com a edição premium, e há um total de cinco temporadas de atualizações já prometidas. Esses modos são legais e funcionam como um bom passatempo, mas a melhor parte de Gears of War: E-Day é claramente sua campanha narrativa.
Tecnicamente excelente

A franquia Gears of War reina no Xbox, mas os desenvolvedores da The Coalition não fazem feio no PC, pelo contrário. Produzida através da Unreal Engine, a versão para computadores de E-Day traz um desempenho acima da média considerando outros jogos que usam o mesmo motor gráfico, inaugurando também uma nova tecnologia da Microsoft que reduz o tempo de carregamento de shaders para meros segundos. É um shooter bem otimizado, ainda que haja mapas mais pesados do que outros. Jogar em 120 fps, em particular, é sensacional — no PC, todos os modos podem ser jogados em taxas de quadros mais altas, enquanto no console essa fluidez é restrita ao modo Versus.
Os gráficos são ótimos, beirando o fotorrealismo com uma nitidez satisfatória, embora a qualidade da imagem nem sempre seja estável nos pequenos detalhes, como os pelos faciais dos personagens, por exemplo. A compatibilidade completa com o formato ultrawide é um espetáculo, sem barras pretas em nenhum momento da gameplay, dando uma sensação de imersão pouco vista em jogos AAA que rodam nessa proporção de tela. Um bug estranho na versão de PC, porém, é que, às vezes, o cursor do mouse fica preso na tela até em outros aplicativos do Windows, mesmo quando se joga com o controle.

O título está plenamente localizado em português, mas há algumas cenas com áudio sem sincronia, além de falas que se repetem demais durante a jogatina. Dá para perder a conta de quantas vezes Marcus diz “esse feioso foi abatido!”, dado que ele reage constantemente às suas obliterações sempre da mesma forma ao longo da campanha. Inclusive, os desenvolvedores foram além nas configurações sonoras, pois o jogo oferece um equalizador de áudio que permite alterar individualmente como os graves, médios e agudos soam. Para os mais atentos ao som dos jogos, essa é uma opção muito bem-vinda, porque é justamente o tipo de recurso cuja importância só se percebe ao ter acesso a ele pela primeira vez.
Uma ótima retomada
Já são sete anos entre os lançamentos principais da série Gears of War e, ao jogar E-Day, é seguro afirmar que, pelo menos, o pessoal da The Coalition fez a espera valer a pena. A campanha é uma aventura excelente, recomendada para todos os que gostam de jogos de tiro em terceira pessoa e, principalmente, para quem curte uma grande produção AAA. É um retorno sensacional, mas tomara mesmo que os desenvolvedores não demorem tanto para entregar outro título inédito.
Cópia adquirida pelo Xbox Game Pass
Revisão: Ailton Bueno




