Demorou, mas a Playground Games finalmente atendeu às preces de muitos jogadores pelo mundo afora: Forza Horizon 6 é o mais novo lançamento da maior franquia de corrida da Microsoft, situado dessa vez nas ruas e paisagens do Japão. O título repete os mesmos acertos e erros de sempre da série, mas agora com uma novidade bem-vinda na estrutura de seu modo carreira, apesar da execução não ser a ideal.
Desenvolvimento: Playground Games, Turn 10 Studios
Distribuição: Xbox Game Studios
Jogadores: 1 (local) e 1-72 (online)
Gênero: Corrida
Classificação: 14 anos (compras em jogo, conversa em jogo, Interatividade online)
Português: Interface, dublagem e legendas
Plataformas: PC, Xbox Series X|S
Duração: 20 horas (campanha)/38 horas (100%)
Nova campanha muda progressão, em tese

Já jogou algum título da série Forza Horizon? Jogou todos então, praticamente. Há alguns lançamentos, a franquia vem adotando uma estrutura muito semelhante, mudando apenas o mapa mas sempre oferecendo uma infinidade de conteúdo em um mundo aberto enorme. A diferença é que o jogo tem uma progressão levemente mais satisfatória, remetendo ao primeiro game da série, de 2012. Forza Horizon 6 inicialmente coloca o jogador para pilotar veículos fracos com o objetivo de se qualificar para diferentes estágios do festival, cada um com carros de categorias distintas. Ou seja, é necessário completar pequenos passes para ir desbloqueando novas fases da campanha a cada subida de nível.
Entretanto, Forza Horizon 6 não é tão distintivo em relação aos outros lançamentos da franquia, mesmo com essa mudança. O game insiste em contar com mecânicas de sorteio, que vão recompensando carros aleatórios ao jogador no decorrer da jornada. Então, é possível dirigir veículos rapidíssimos no mundo aberto já no começo da jogatina, mas com a obrigatoriedade de se usar carros consideravelmente piores durante o conteúdo principal da campanha. Faz sentido? Não muito.

Além disso, Forza Horizon 6 sofre a presença de uma narrativa desnecessária, com várias cutscenes e momentos de diálogo que atrapalham o ritmo da jogabilidade, já que, afinal, cada segundo de conversa é automaticamente menos tempo dirigindo, o aspecto principal do jogo. No geral, o game não tem uma personalidade própria marcante, mas os pontos altos da campanha são as corridas especiais, como, por exemplo, um duelo de um carro contra um Gundam legalmente distinto. Boa parte do mapa é composta por áreas abertas na natureza, parecendo na verdade qualquer país do mundo, enquanto o lado urbano é sensacional, embora pequeno, com ruas absurdamente largas e sem muitas corridas situadas na cidade.
Muito acessível e repleto de conteúdo

A grande sacada da série Forza Horizon é que os jogos são o mais casual que um simcade pode chegar sem perder sua identidade mecânica – existe até uma função que garante o progresso na campanha independentemente do resultado de cada desafio. Porém, ao mesmo tempo, o jogo é customizável ao extremo, nos dois lados dessa estrada. Os responsáveis acertam bastante tanto na criação de uma experiência para quem busca um jogo de corrida mais sério e próximo da realidade na medida do possível, quanto em uma aventura automobilística tranquila e relaxante. Forza Horizon 6 é um raro jogo que mira sua gameplay em públicos diferentes e acerta sem falhas.
O jogo disponibiliza mais de 600 carros para dirigir, licenciados por fabricantes importantes como Volkswagen, Toyota, Subaru, Mercedes, Nissan, Honda, entre outros grandes nomes. Vários carros adicionais são vendidos por meio de pacotes de DLC caros, junto com “vale-carros”, para comprar com dinheiro real em vez do crédito do jogo. Os eventos são estruturados nos mais diversos tipos, como circuitos, sprints, desafios de drift e arrancadas, que complementam a experiência de pilotar pelo mundo aberto, cheio de segredos a serem descobertos. O Horizon Play, o modo online, oferece diversas opções de competição multiplayer, a ponto de possuir até um modo battle royale – só não há a opção de jogar com a tela dividida localmente, apesar desse ser o primeiro Forza Horizon lançado exclusivamente para a geração do Xbox Series.

O ponto alto de Forza Horizon 6 continua sendo a personalização. No lado técnico, dá para alterar cada peça interna do carro para deixá-lo mais rápido e melhorar a classe dele. No lado estético, existem milhares de designs para os veículos feitos pela própria comunidade, que, a propósito, tem há tempos a tradição de criar itasha (adesivos de personagens de animes, mangás e games) para todo veículo possível. Esse é finalmente o jogo que se enquadra plenamente nesse costume, que é um grande marco da cultura automotiva japonesa.
Otimização no PC é quase perfeita

Forza Horizon 6 foi mais uma vez produzido através da engine proprietária ForzaTech, da Playground Games e da Turn 10 Studios, trazendo uma versão de PC quase totalmente excelente. O game tem uma ótima performance, mas pequenas quedas no desempenho que causam breves travamentos que acabam quebrando a fluidez da jogatina ao acessar novas regiões do mapa. É uma pena que esse problema esteja presente pelo menos na versão de lançamento, porque, fora isso, a otimização é incrível.
Os desenvolvedores foram bem adiante no suporte ao ray tracing, incluindo opções de reflexos e de iluminação global avançadas que fazem uma boa diferença nos pequenos detalhes do mapa. A performance é surpreendente em um computador com uma placa de vídeo RX 9060 XT de 16 GB e um processador 5500X3D da AMD – não é um hardware fraco, mas passa longe de ser top de linha. Ainda assim, o game entrega mais de 60 fps nas configurações extremas com a adição do ray tracing com muita tranquilidade, com o uso do FSR 4, que garante uma clareza visual excelente. Sem o traçado de raios, o jogo segue oferecendo visuais belíssimos, embora a distância de renderização de alguns detalhes, como o gramado, seja excessivamente baixa, não importando a opção gráfica escolhida, junto com o mapa, que não é tão denso quanto poderia.

A trilha sonora merece destaque. Dessa vez, os produtores trouxeram a Gacha City Radio, que apresenta uma playlist de J-Pop, J-Rock e City Pop, sendo algo mais compatível com a proposta de um jogo no Japão, contando com bandas e artistas como Ado, Babymetal e One Ok Rock – só faltou uma rádio de eurodance, que combinaria demais com qualquer momento de drift na aventura. No entanto, o que chama a atenção nas rádios é que elas não contam com locução em português, sendo difícil entender o que os DJs falam nos vários momentos em que interrompem as músicas, destoando do restante do game, que conta com dublagem em português.
Mais um Forza Horizon
A Playground Games novamente acerta ao trazer uma experiência bem polida e repleta de conteúdo, com uma jogabilidade altamente responsiva e personalizável. Para quem busca um jogo de corrida em mundo aberto, essa franquia sempre será uma das melhores alternativas possíveis, se não a melhor, mas quem esperava que Forza Horizon 6 fosse um pouco mais diferente dos outros títulos da série pode acabar se decepcionando. Esse é mais do mesmo, mas um “mesmo” muitíssimo bem feito.
Cópia de PC adquirida através do Xbox Game Pass
Revisão: Jason Ming Hong




