Banner of the Maid capa

Review Banner of the Maid (Switch) – Visual Novel e estratégia

Banner of the Maid é um RPG tático e baseado em turnos com estética de anime feito pelo estúdio chinês Azure Flame. O jogo vem com elementos que me lembram muito Disgaea e semelhantes, porém com uma mais jogabilidade simplificada e direta.

Desenvolvimento: Azure Flame
Distribuição: CE-Asia
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Estratégia, RPG
Classificação indicativa:
 12 anos
Português: Sem legendas
Plataformas: Switch, Xbox One, PS4 e PC
Duração: Sem registros

Uma história em meio à guerras

Batalhas

A trama é focada na irmã fictícia de Napoleão Bonaparte, chamada Pauline Bonaparte, tomando emprestados alguns elementos que realmente aconteceram na história do líder militar durante a Revolução Francesa para fazer seu próprio jogo baseado em uma história real.

No que diz respeito à mecânica tática, Banner of the Maid brilha muito por meio de sua jogabilidade clara, tendo influência de games como, novamente, Disgaea e Final Fantasy Tactics. Banner of the Maid oferece lutas de ritmo rápido, nas quais não senti necessidade de haver um recurso de avanço rápido – felizmente. Ah, e você pode até pular a animação de ataque. Apesar do excelente sistema de batalha, os desenvolvedores optaram por não permitir ataques diagonais quando deveriam estar disponíveis, o que me faz questionar o motivo por trás desse tipo de decisão, e isso fica mais estranho porque certos personagens têm esses ataques diagonais mesmo que restritos à distância.

Cada batalha tem sua própria condição de derrota e vitória, além de um desafio para adquirir recompensas extras. Alguns eventos também podem agregar ao ambiente obstáculos ou barricadas que precisam ser destruídos para atingir os inimigos ou o objetivo principal. Os comandos básicos disponíveis são o movimento padrão (cada personagem tem o seu próprio tipo), ataque, Inspiration que funciona como vantagens temporárias, Heroic que funciona como uma habilidade, uso de itens consumíveis, troca de equipamentos com parceiros próximos e pular o turno. Além disso, é possível salvar o progresso onde quiser – mesmo que você esteja no meio do 5º turno ou seja lá o que for.

Mais do que apenas atacar e defender

Habilidades

Também é muito interessante o fato de que existem elementos de terreno e clima que impactam diretamente na jogabilidade, e que geram efeitos – nas unidades – positivos ou negativos. A chuva diminui a chance de inimigos se esquivarem, enquanto alguns terrenos acidentados afetam o alcance do movimento e a grama mais alta pode esconder seus parceiros, por exemplo.

Depois de uma batalha e outra, somos capazes de escolher entre as respostas, durante diálogos em cutscenes de estilo visual novel, que podem recompensar o jogador com novas habilidades ou itens, uma abordagem interessante de se ter uma vez que as escolhas realmente existem para algo útil – em vez de te dar apenas mais coisas para leitura. Depois de avançar na história, Pauline conhecerá novas pessoas, resultando em uma lista mais ampla de personagens para recrutar em batalhas, cada qual possuindo sua própria classe – e que pode ser aprimorada – como curandeiro, apoiador, artilharia, linha de frente, etc.

Beleza artística

Pauline Bonaparte

Graficamente, Banner of the Maid é realmente incrível! Seus visuais são lindos e muito bem desenhados. Você poderia facilmente me dizer que este é um jogo da Square Enix e eu concordaria. Os personagens e cenários me lembram muito a série Final Fantasy Tactics e, em termos de jogos independentes, Banner of the Maid está muito à frente da concorrência. Mas há algo que talvez possa irritar algumas pessoas: sexualização.

Sim, muitas personagens femininas são bastante sexualizadas aqui, e não estou exagerando: seios enormes estão por toda parte, e praticamente explodindo para fora de suas blusas. Em algum momento você certamente conhecerá Paulette, e então poderá me dizer que eu tinha razão. Mas, é claro, isso não tem impacto na jogabilidade nem na história, mas está ali apenas por… bom, motivos óbvios. Se você acha isso um problema ou não, fica a seu critério.

Ataques estratégicos

Campo de batalha

Infelizmente, para minha decepção, Banner of the Maid tem alguns elementos do gênero visual novel e muito bate-papo, o que me irrita bastante, já que sou uma pessoa com foco em jogabilidade. Não que eu seja contra histórias profundas em games, mas é que não gosto de precisar ler quase que um livro para me divertir.

Falando em localização, esta não é nada ruim, mas é claro que há algumas traduções e redações ruins dos desenvolvedores não-nativos do idioma inglês – não está disponível o idioma português brasileiro -, resultando em algumas frases estranhamente estruturadas. A trilha sonora é ótima e traz um bom design de som em termos de música de fundo e efeitos sonoros que te transportam à época ambientada. Mas as vozes em mandarim (única opção disponível de dublagem) podem ser um pouco estranhas para alguns, já que o enredo é sobre a Revolução Francesa.

Decepções leves

Bang!

Finalmente, após o jogo e qualidade de batalha, os diálogos são realmente enfadonhos já que fazem uso de sprites estáticos que são virados horizontalmente em algumas situações, apresentando uma pequena variação na boca, expressão e assim por diante. Basicamente, uma maneira menos custosa de se contar uma história, mas bastante compreensível para qualquer jogo de baixo orçamento em empresas independentes. Poderiam ter feito algumas cutscenes estáticas interessantes no estilo mangá ou quadrinhos, com personagens inseridos nos cenários de fundo em vez de confiar na imaginação do jogador através de textos explicando a situação para dar imersão à cena.

Outra coisa ruim é que você perderá muito da trama se decidir pular toda a conversa, ficando bastante confuso sobre o que exatamente está acontecendo. Embora os diálogos na batalha tenham parecido relevantes o suficiente para mim, eles realmente deveriam ter mantido a história acontecendo durante as batalhas apenas.

Exemplo de qualidade

Banner of the Maid é um jogo divertido e amplia bastante vários elementos batidos do gênero tático. Sua história pode acabar sendo um pouco cansativa para muitos, ainda mais pela narrativa contada através de textos e personagens estáticos que lembram muito uma visual novel. Porém, mesmo assim a jogabilidade consegue conquistar por ser diversificada e fugir do padrão, além de que os personagens são interessantes o suficiente para sustentar a trama. Fora isso, a variedade acontece devido à vasta quantidade de classes que enriquecem o que Banner of the Maid tem a oferecer como jogo.

Cópia de Switch cedida pelos produtores