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Review Chronicles of the Wolf (Switch) – Tenta, sem disfarçar, ser Castlevania, mas não chega perto

Chronicles of the Wolf é um metroidvania que sequer disfarça sua inspiração em Castlevania. Até aí, tudo certo, mas a sua qualidade passa longe de ser a mesma da sua famosa inspiração.

Desenvolvimento: Migami Games
Distribuição: PQube, PixelHeart
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Aventura
Classificação: 10 anos (violência)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS4, PS5, Switch, Xbox One, Xbox Series S|X
Duração: 7 horas (campanha)/22 horas (100%)

Cace vampiros… digo, lobos

Gráficos pixelados são bonitos
Além do castelo, há vilas, florestas e outros cenários

É até estranho descrever a história e ambientação de Chronicles of the Wolf, pois é tudo muito semelhante a um Castlevania, com a diferença principal de que você não caça vampiros. O jogo é até narrado pelo dublador de Alucard em Symphony of the Night. Você é um aprendiz de uma ordem de caçadores de feras na idade média europeia, membro de uma ordem tradicional de caçadores, que deve ir até um castelo atrás de uma fera que está aterrorizando cidades ao redor.

Até aí, ok. Acho um pouco decepcionante a falta de criatividade – temos metroidvanias das mais diversas temáticas imagináveis -, mas se o resto do game fosse bom, não teria problema. No entanto, Chronicles of the Wolf entrega muito pouco na jogabilidade, com poucos pontos a serem exaltados. A primeira impressão é boa, pois temos um visual legal e a trilha sonora é realmente ótima, criando uma ambientação como as dos clássicos da série da Konami. Mas, à medida que jogamos, o que se tem parece ser alguns bons momentos entre vários de frustração.

Mapa terrível

A maioria pode ser vencida apenas apertando muito o botão de ataque, pois o inimigo fica parado
Batalhas com chefes são sem graça no geral

O personagem se move de forma inspirada nos Castlevanias clássicos, pré-SotN, o que já me deixa com um pé atrás, pois é lento e entediante. Algumas formas melhores de se mover vão sendo liberadas, mas nada que torne a movimentação pelo mapa prazerosa. O mapa, inclusive, é um problema em si. Uma das coisas mais notáveis no jogo é a falta de elementos de qualidade de vida, e já podemos começar citando que não é possível fazer nenhuma anotação no mapa.

Ao conquistar uma nova habilidade, o game conta com sua memória para voltar até algum local novo que pode ser acessado com ela. Não precisa ser o sistema incrível de Prince of Persia: The Lost Crown, que permite você salvar um print da tela para saber o que tem naquela posição do mapa. Mas poder colocar um marcador é um mínimo do mínimo – alguns games registram ainda qual obstáculo que há em cada ponto. E, dado que a exploração é lenta e tediosa, fazer o backtracking e buscar para onde ir em seguida se torna algo tedioso e estressante – tudo que não se espera de um game do gênero.

Combate mais atrapalha que diverte

Se cair tem que torcer pra conseguir sair antes de morrer
Caiu nessa água? Vai perder HP sem parar e morrer

O combate é… qualquer coisa. Você até possui uma variedade boa de possibilidades, mas tudo é mal encaixado. O ataque normal é só uma espadada sem graça. Ao menos há alguma variação de armas, como um rifle. Temos uma arma secundária, como em Castlevania, mas são poucas e nenhuma é muito útil, além de só podermos utilizar bem poucas vezes até acabarem os recursos.

E há outras opções, igualmente mal calibradas. Chefes são ruins (é possível vencer fazendo pouco além de só apertar freneticamente o ataque), inimigos normais podem te matar com facilidade, o progresso de níveis é bastante lento.

Maior compilação de falta de qualidade de vida

Essa foi uma das coisas que achei mais absurdas do game
Essa arma é melhor que a sua atual? Não tem como saber. Compre e torça pelo melhor (e o dinheiro é escasso)

Outro problema é que você facilmente fica muito perdido, tendo que adivinhar como proceder, andando de lá pra cá. Como já falei, é muito chato e lento explorar o mapa, os pontos de transporte rápido são raros e distantes. É um jogo que, no geral, fica parecendo que exige um esforço árduo para que seja aproveitado. É uma pena, pois há uma boa base, prejudicada por decisões difíceis de entender de level design, combate e outros aspectos.

O ápice, para mim, foi ao explorar uma cidade – ambiente seguro, sem monstros – e, de repente, entrar em uma sala como tantas outras e simplesmente morrer. Sem motivo nenhum. E acontece mais vezes ao longo do jogo. Não consigo mesmo entender o objetivo disso. Não é divertido, emocionante nem nada do gênero. E, num jogo sem salvamentos automáticos, com save points mal espalhados, isso pode significar perder, a troco de nada, vários minutos ou mais de uma hora de gameplay.

Infelizmente, potencial desperdiçado

Chronicles of the Wolf é um metroidvania que teria potencial, com uma jogabilidade razoável e boa arte, mas que é comprometido por um péssimo level design e outras escolhas inexplicáveis de jogabilidade.

Cópia de Switch cedida pelos produtores

Revisão: Julio Pinheiro

Chronicles of the Wolf

5

Nota final

5.0/10

Prós

  • Visuais e músicas bons

Contras

  • Jogabilidade não empolga
  • Level design ruim
  • Faltam elementos básicos de qualidade de vida