Cladun x3 chega ao Switch como aquele tipo de RPG de ação que parece simples por fora, mas que está só esperando você abrir os menus para revelar uma espiral infinita de experimentação, microssistemas e possibilidades de build absurda. A história funciona como pano de fundo – um torneio entre vilões em um mundo-bolso chamado Arcanas Shella –, mas o verdadeiro brilho está na progressão, na mecânica insana dos círculos mágicos e no jeito como o jogo faz do grind a própria diversão.
Desenvolvimento: Nippon Ichi Software
Distribuição: NIS America
Jogadores: 1 (local)
Gênero: RPG
Classificação: 12 anos (Violência Fantasiosa)
Português: Não
Plataformas: Switch, PC
Duração: 40 horas (campanha)
Mergulhe no caos dos círculos mágicos

O grande charme de Cladun x3 está no seu sistema de Magic Circles. Aqui, você posiciona personagens secundários como “baterias vivas” ao redor do protagonista, ativando bônus, alterando caminhos, criando sinergias e até abrindo mão de defesa para apostar tudo no ataque. É um sistema profundo, um pouco intimidador no começo, mas deliciosamente recompensador quando finalmente encaixa.
Com o tempo, o sistema deixa de ser só uma árvore de habilidades estilizada e se transforma numa fábrica de experimentos. Você passa a testar formações mais ousadas, brincar com multiplicadores, ajustar habilidades de classe e curtir aquela satisfação única de ver os números explodirem na tela. É um daqueles sistemas que fazem você pensar “mais uma run só para ver se essa build funciona”.

As classes são outro destaque. São mais de dez estilos diferentes, indo de guerreiros robustos até ninjas e magos, cada um com suas próprias habilidades e sinergias de arma. É possível equipar qualquer arma em qualquer classe, mas os resultados variam: um mago segurando um machado pode funcionar, desde que você monte o círculo certo para isso. Essa liberdade, combinada com as dezenas de títulos e equipamentos passíveis de extração e melhoria, transforma tudo em um playground gigante de min-maxing.
O aspecto visual segue o charme retrô de Cladun, com sprites 16-bit, animações rápidas e cenários que lembram os ARPGs da era clássica. Pode ser simples, mas funciona no ritmo frenético do game. A trilha sonora também segue a vibe old-school, cheia de bipes, batidas rápidas e loops que grudam na cabeça enquanto você desce mais um andar dos ran-geons.
Dungeons para todo tipo de humor

A variedade de dungeons sustenta bem o ritmo. As fases principais são curtinhas, feitas para quem gosta de runs rápidas, enquanto os ran-geons oferecem até 100 andares de caos procedural para quem gosta de desafios pesados. Já os map-geons adicionam regras especiais, criando desafios e oportunidades de loot diferentes a cada tentativa. É o tipo de estrutura que convida o jogador a alternar entre modos, evitando a fadiga e incentivando a experimentar sempre algo novo.
Outro ponto em que Cladun x3 surpreende é no editor criativo. Você pode desenhar seus próprios sprites, personalizar armas visualmente e até compor músicas para dungeons usando uma ferramenta que se parece mais um programa de edição profissional do que um brinquedo. Não é para todo mundo, mas para quem gosta, abre um nível extra de expressão e personalização.
Criativo, mas repetitivo e excessivo
Cladun x3 é um RPG de ação completamente focado em builds, personalização e grind inteligente. Ele não tenta contar uma grande história: sua força está na liberdade, na variedade de dungeons e no sistema de círculos mágicos que transforma cada personagem em um experimento vivo. Para quem adora fuçar menus e testar combinações impossíveis, é um prato cheio — mas prepare-se para a leitura, e sem opção de PTBR. Para quem prefere ação mais fluida e narrativa forte, pode parecer complexo ou repetitivo.
Cópia de Switch cedida pelos produtores




