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Review Dave the Diver (Xbox Series X) – Pequenas ondas, grande mar

Dave the Diver entrega um ciclo viciante de mergulho, pesca e gestão de restaurante com mecânicas híbridas e uma pixel art charmosa. A nova versão para Xbox é competente, mas traz pequenos problemas de balanceamento e escolhas de design que incomodam em sessões longas.

Desenvolvimento: Mintrocket
Distribuição: Mintrocket
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Aventura
Classificação: 10 anos (violência de fantasia, drogas lícitas)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 25 horas (campanha)/50 horas (100%)

Mergulho inicial

Dave e seus companheiros se aventuram nas profundezas.

Dave é um mergulhador carismático e um tanto desajeitado, cuja rotina diária mistura a paixão pelo oceano com a necessidade de manter um restaurante em funcionamento. Essa premissa simples permite que a história se desenrole em pequenos episódios, conversas com moradores, pedidos de clientes e descobertas subaquáticas em vez de uma trama linear pesada.

Dave the Diver entrega um loop central simples e viciante: mergulhar, coletar recursos, enfrentar criaturas, voltar à superfície e gerir um restaurante. Esse ciclo funciona como um relógio bem ajustado nas primeiras horas, oferecendo uma sensação constante de progresso. As sessões de mergulho são rápidas o suficiente para serem rejogadas, mas longas o bastante para criar tensão quando você explora áreas mais profundas.

A jogabilidade de combate é direta, com arpão, esquiva e uso de itens, mas ganha profundidade com upgrades e equipamentos que mudam o ritmo das lutas. A parte de gestão do restaurante adiciona um contraponto estratégico, envolvendo a escolha de receitas, a otimização do cardápio e o atendimento aos clientes em tempo real. Essa alternância entre ação e administração é o que dá personalidade ao título e mantém o interesse por bastante tempo.

Temperos únicos

Gerencie um sushi bar todas as noites, servindo pratos e garantindo a satisfação de seus clientes

A adaptação para Xbox Series X é, em sua essência, bem feita. Os botões são mapeados de forma intuitiva: gatilhos para ações rápidas, analógicos para movimentação e menus acessíveis via direcionais. A resposta do controle é precisa, o que é crucial em combates que exigem timing para esquivas.

No entanto, o gerenciamento de inventário e a navegação em menus podem ser menos fluidos no controle do que no mouse/teclado. Organizar receitas, comparar peixes e aplicar upgrades exige alguns cliques extras que quebram o ritmo. Pequenas melhorias na interface para consoles, como, por exemplo, atalhos contextuais ou uma tela de inventário mais enxuta, teriam ajudado.

O jogo mistura mecânicas de roguelite leve, RPG de equipamentos e simulação de gestão. Upgrades de arpão, tanques de oxigênio, roupas e ferramentas alteram significativamente a experiência de mergulho. A progressão por meio de receitas e reputação do restaurante cria metas claras: peixes raros valem mais, pratos especiais atraem clientes melhores.

Porém, a curva de progressão peca em alguns pontos. Há momentos em que o jogo exige grind para desbloquear itens essenciais, o que pode transformar a sensação de conquista em tarefa repetitiva. Além disso, alguns chefes apresentam picos de dificuldade que não escalam de forma justa com o ritmo de upgrades, gerando frustração.

Visuais submersos

Desça as profundezas e encontre temidas criaturas

A pixel art é o grande destaque visual. O jogo aposta em sprites detalhados, com uma paleta de cores vibrantes e animações com personalidade que tornam cada criatura memorável. A versão para Xbox Series X preserva a fidelidade artística do original e oferece estabilidade de frame e resolução mais limpa, sem “suavizar” demais o estilo retrô — uma decisão acertada que respeita a identidade do jogo.

Os cenários variam bem entre recifes coloridos, cavernas escuras e áreas bioluminescentes, cada uma com leituras visuais distintas que ajudam na navegação. Pequenos efeitos de pós-processamento e partículas adicionam profundidade sem comprometer a clareza em combate. Em contrapartida, alguns elementos de interface e textos podem parecer pequenos em televisores grandes, exigindo atenção ao HUD durante sessões longas.

Cada mergulho é uma nova aventura

A trilha sonora alterna entre temas calmos para exploração e faixas mais intensas para encontros. A ambientação sonora funciona: bolhas, sons de arpão, o tilintar de pratos na cozinha e efeitos de clientes conversando criam um ambiente coeso. Em momentos de exploração profunda, a música ajuda a construir tensão, enquanto na superfície, temas mais leves reforçam o tom cômico do jogo.

No entanto, a repetição é um ponto fraco. Algumas faixas e efeitos se repetem com frequência, o que pode cansar em longas maratonas. Uma maior variação musical ou trilhas dinâmicas que respondam mais diretamente ao progresso do jogador teriam elevado a imersão.

Última Imersão

O port de Dave the Diver para Xbox Series X respeita a identidade do jogo original e entrega uma experiência divertida e peculiar. Com pequenas melhorias em balanceamento e interface, poderia ser ainda mais acessível e menos repetitivo. Ainda assim, é uma aposta segura para quem quer um jogo com ritmo, humor e uma mistura refrescante entre ação e gestão — perfeito para sessões curtas ou maratonas descontraídas.

Cópia de Xbox Series X|S cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

Dave the Diver

9

Nota Final

9.0/10

Prós

  • Fusão de gêneros
  • Humor e narrativa leve
  • Design de criaturas

Contras

  • Grind obrigatório
  • Picos de dificuldade mal calibrados
  • Repetição sonora e de tarefas