Dragon Quest VII Reimagined capa

Review Dragon Quest VII Reimagined (Switch) – Uma reimaginação de peso

Dragon Quest VII Reimagined é a terceira grande versão do clássico lançado originalmente em 2000 para PlayStation, depois revisado no Nintendo 3DS em 2016, e agora reconstruído com melhorias modernas de qualidade de vida. A história acompanha o herói e seus amigos na ilha de Estard, que ao encontrarem fragmentos de tablillas antigas acabam restaurando ilhas perdidas no passado e enfrentando o Demon King Orgodemir.

Desenvolvimento: Square Enix, Armor Project, HexaDrive
Distribuição: Square Enix
Jogadores: 1 (local)
Gênero: RPG
Classificação: 10 anos
Português: Não
Plataformas: PS5, Xbox Series X|S, PC, Switch, Switch 2
Duração: 36 horas (campanha)/74 horas (100%)

Um clássico que evoluiu sem perder sua essência

Gráficos estão lindíssimos e rodam a 30 fps estáveis no Switch
Gráficos estão lindíssimos e rodam a 30 fps estáveis no Switch

A base da história continua simples e eficaz: ao completar as antigas tábulas em um santuário, os protagonistas são transportados ao passado para libertar ilhas dominadas por forças malignas. Cada ilha restaurada reaparece no presente, séculos depois, transformada pelas escolhas e eventos que vivenciamos. A aventura aqui é longa, episódica e emocional, que combina narrativa clássica com uma estrutura modernizada.

O grande mérito dessa versão revisada está no fluxo narrativo. A progressão é mais ágil, os diálogos são mais objetivos e o jogo oferece sistemas de recap para quem ficou um tempo afastado. Mesmo sendo uma campanha relativamente longa (mais de 30 horas), a sensação de avanço é constante por conta das pequenas recompensas ao longo do caminho.

Dioramas e direção artística renovada

Câmera permite rotação em 360 graus
Câmera permite rotação em 360 graus

A mudança visual é um dos destaques mais impactantes. Cidades, cavernas, dungeons e até o mapa-múndi foram recriados como dioramas em escala, muitos deles exploráveis em 360 graus com um estilo bastante parecido com Link’s Awakening. Essa abordagem dá um charme quase artesanal aos cenários, como miniaturas detalhadas ganhando vida.

A trilha sonora foi remasterizada e acompanha bem a jornada, embora em alguns momentos possa soar repetitiva. Ainda assim, ela cumpre bem seu papel emocional nas cenas-chave, além de mudar a cada local visitado e encontros com monstros.

Sistema de batalha sólido e mais acessível

Batalhas tem ritmo excelente e permitem acelerar até 2x
Batalhas tem ritmo excelente e permitem acelerar até 2x

O combate por turnos permanece clássico, mas recebeu ajustes modernos importantes. É possível acelerar as batalhas em até 2x, o que reduz o desgaste e melhora — e muito — a sensação de progresso. Além disso, a eliminação dos encontros aleatórios torna a exploração mais fluída.

Uma adição interessante é a possibilidade de derrotar inimigos diretamente no mapa, recebendo parte da experiência sem entrar em combate — tal como os mais recentes jogos Pokémon. Isso reduz o grinding obrigatório e elimina boa parte do backtracking cansativo das versões antigas.

O sistema de Jobs continua sendo um dos pilares estratégicos. Agora podemos evoluir classes com mais clareza visual, ganhar experiência tanto de nível quanto de profissão e alternar entre elas ao atingir o máximo. A troca de classe libera novos equipamentos e habilidades, incentivando builds variadas. Caso não goste de uma classe nova, é possível retornar à anterior sem problemas.

Melhorias de qualidade de vida que fazem diferença

Melhorias de qualidade de vida contam com menus renovados, viagem rápida, e muito mais
Melhorias de qualidade de vida contam com menus renovados, viagem rápida, e muito mais

Os menus foram reformulados, deixando de lado telas extensas de texto e adotando uma interface mais clara e visual. A navegação é muito mais intuitiva e adequada aos padrões de títulos de RPG modernos, especialmente da Square Enix. Também é possível pular diálogos e cutscenes inteiras e ler o recap depois.

Outro ponto importante aqui é que, desde o início, já podemos correr com o personagem, eliminando a dependência de montarias para agilizar deslocamento. Fora isso, temos viagem rápida bastante facilitada para os principais pontos do mapa. No mais, pequenos atalhos rápidos no controle facilitam o uso de habilidades, tornando a experiência mais moderna sem descaracterizar o DNA clássico da série.

Pontos que poderiam ir além

Apesar de ser um reboot incrível, o jogo podia ter recebido o idioma PTBR e mostrado equipamentos nos personagens (fora as armas)
Apesar de ser um reboot incrível, o jogo podia ter recebido o idioma PTBR e mostrado equipamentos nos personagens (fora as armas)

Apesar da modernização, ainda faltam alguns detalhes visuais mais ousados. Os equipamentos continuam não alterando completamente o visual dos personagens, limitando mudanças principalmente a armas e escudos.

Também pesa demais a ausência de português do Brasil, o que pode afastar parte do público nacional. E para quem se incomoda com práticas recentes da indústria, há DLCs pagos disponíveis desde o lançamento, incluindo conteúdos extras pós-jogo e pacotes estéticos.

Um dos RPGs mais sólidos do ano

Dragon Quest VII Reimagined entrega exatamente o que se espera de um JRPG clássico, mas com melhorias suficientes para torná-lo confortável nos padrões atuais. A combinação de narrativa episódica envolvente, sistema de classes estratégico, direção artística charmosa em formato de diorama e ajustes inteligentes de usabilidade fazem desta versão a forma definitiva de vivenciar essa história. É um RPG tradicional que envelheceu como vinho: respeita suas raízes, mas entende que o jogador moderno valoriza fluidez e clareza.

Cópia de Switch cedida pelos produtores

Dragon Quest VII Reimagined

9.5

Nota final

9.5/10

Prós

  • Ritmo excelente
  • Melhorias de qualidade de vida
  • Sem encontros aleatórios
  • Sistema de Jobs
  • Direção de arte linda

Contras

  • Alguns equipamentos não aparecem visualmente
  • Ausência de PTBR