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Review F.I.S.T.: Forged In Shadow Torch (PS4) – Forjado na base do murro

F.I.S.T.: Forged in Shadow Torch é um game desenvolvido pela Bilibili, um site famoso chinês de compartilhamento de vídeos, em que controlamos um pequeno coelho com um grande punho mecânico em suas costas. Desde sua apresentação, ele tem chamado a atenção por se tratar de um Metroidvania com fases 2.5D próximas ao realismo e representar o horóscopo chinês. Além disso, o seu combate também fora deslumbrado pelos muitos combos utilizados para destruir os obstáculos encontrados.   

Desenvolvimento: Bilibili

Distribuição: Shanghai Hode Information Technology Co.,Ltd.

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Ação

Classificação: Livre

Português: Não

Plataformas: PC, PS4, PS5

Duração: 14 horas (campanha)/23 horas (100%)

Liberdade vai cantar, irmão

Comemorando o aniversário com o melhor.

Seis anos se passaram desde que a Resistência perdeu para a Legião, um grupo de animais robóticos que visam expandir seu poder. Rayton, o coelho, é um ex-soldado da Resistência que costumava ser o piloto de um mecha – tipo aqueles do filme Círculo de Fogo. Após a derrota e a perda de seu companheiro, Cícero, ele desistiu de lutar e deixou seu robô gigante de lado.

Após uma noite de comemoração em conjunto com Urso, um engenheiro mecatrônico que faz itens muito interessantes para a Resistência, Rayton decide finalizar a noite e ir para casa. Um tempo se passa e, assustado, Urso liga para ele e diz que foi preso pela Legião, que desde o fim da guerra atua como governo autoritário da Cidade de Tocha. Então, o ex-soldado utiliza apenas um dos braços de seu mecha para ir livrar o companheiro. O que Rayton não esperava, e nem eu, eram as muitas reviravoltas que essa ação causaria para todo o enredo.

Como dito anteriormente, F.I.S.T. utiliza os animais do horóscopo chinês. Aqui, em sua grande maioria, o exército da Legião é chamado de Iron Dogs, ou seja, robôs caninos. Porém, há também variações com bodes, macacos e sapos. De igual forma, os animais orgânicos seguem a mesma linha. É interessante pontuar sobre essa representação, pois ultimamente os desenvolvedores chineses têm chocado a internet com seus futuros projetos, e F.I.S.T. também é um deles. Além de que é difícil ver essa mitologia sendo utilizada, saindo um pouco do convencional.

Os custos da aparência realista

Um exemplo de Dieselpunk.

A temática Cyberpunk já tem sido muito explorada no mercado de jogos. Felizmente, F.I.S.T. utiliza de um outro sub gênero da ficção científica: o Dieselpunk. De forma sucinta, é uma temática que coloca máquinas tecnológicas em um período em que o diesel era muito utilizado em motores a combustão, mais ou menos entre as duas guerras mundiais. Para se ter uma ideia melhor, Sin City, Capitão América e BioShock são alguns exemplos que usufruem do tema. Além do mais, essa temática é muito próxima do Noir, com cidades enevoadas, um jazz de fundo que denota a melancolia e o subúrbio tomado pelo crime, características encontradas em F.I.S.T.

Como prometido, a Bilibili conseguiu entregar fases bem distintas e que são carregadas automaticamente, ou seja, sem telas de loading. Dizendo assim, parece até ser incrível, já que o design visual é bem bonito e realmente objetivou o realismo. Porém – sempre tem um porém – isso não pareceu ser uma ótima ideia no PS4, ou, talvez, só não tenha utilizado todo seu potencial.

A coisa mais normal em F.I.S.T., além dos muitos socos dados por Rayton, são os constantes delays de renderização. Passar de uma sala para outra sempre causa isso, e é surreal! Depois de um tempo você se acostuma, já que são raros os momentos que isso não ocorre. Ademais, existiram salas que simplesmente não terminavam de renderizar, e elas travavam com um fundo completamente azul, me obrigando a reiniciar o jogo. 

Infelizmente ainda não parou por aí. Além de todos os problemas com renderização, F.I.S.T. fechou sozinho uma única vez. Eu acho até que é pouco por ainda ocorrer com jogos não tão recentes, mas é válido pontuar, já que era uma questão iminente. Outro problema enfrentado em vários locais, mas principalmente na cidade, é a oscilação de fps que, consequentemente, levou a travamentos durante os combates. O uso do dash era para ser uma defesa, mas aqui é um perigo, visto que a probabilidade de isso ocorrer aumenta e muito. Mesmo sendo possível finalizar F.I.S.T., esses problemas foram muito incômodos, entretanto, o combate conseguiu segurar o fardo.   

Quem com ferro fere, com socos será ferido

Uma execução muito incrível.

Descer o sarrafo nos Iron Dogs é a principal atração de F.I.S.T. Ficar preso em uma área com esses robôs animalescos pode ser uma mistura de ânimo e raiva, por conta da quantidade e das suas variações. As formas distintas, apresentadas por eles, variam em suas armas. Existem samurais, escudeiros, drones, atiradores, entre outros. Escolher o mais irritante para eliminar – os drones, por exemplo – é importante, mas nem sempre os demais inimigos permitem isso.

Já que eles atacam com ferro, então, o lance é meter o soco neles e, convenientemente, Rayton tem um em suas costas. A abordagem utilizada aqui para não deixar a pancadaria enjoativa, além das outras duas armas desbloqueáveis, são os combos e habilidades que podem ser aprendidas em terminais. 

Uma "pequena" árvore de habilidades.

Eles funcionam como os bancos de Hollow Knight ou a fogueira de Dark Souls. Para conseguir novas habilidades e técnicas de combate, é preciso coletar moedas Tang e discos com data. As moedas são coletadas sempre que inimigos forem derrotados e, também, em motores secretos espalhados pelo mapa. Já os discos estão escondidos pelas fases e servem para aprimorar habilidades especiais ou técnicas avançadas.

Para executá-las, Rayton abusa de duas barras especiais para sua sobrevivência: habilidade e melhoria. A primeira é representada pela cor azul, sendo preenchida conforme acertamos mais golpes sem tomar dano. Quando completa, uma habilidade pode ser utilizada e elas são verdadeiras máquinas de destruição. Já a barra de melhorias está na cor laranja e, executando inimigos frágeis, ganhamos um ponto. Ela serve para que ferramentas secundárias sejam usufruídas, e a mais comum delas é o suco de cenoura que recupera a vida de Rayton.

Customizações agradáveis 

Para fugir do amarelo padrão de todas as armas, F.I.S.T. disponibiliza uma forma agradável de diferenciar um pouco a estética mecânica. Urso não é apenas um brilhante engenheiro, mas também um grande fã de filmes e jogos, portanto, posters estão escondidos por todo mapa e podem ser entregues para ele. Ao fazer isso, as armas de Rayton são modificadas de acordo com a coloração da obra.

A coleção é variada e possui desde jogos atuais e antigos até referências de filmes marcantes para a cultura pop. Não quero contar muito sobre isso para não estragar a surpresa, mas as analogias feitas por Urso sobre as semelhanças de F.I.S.T. com as demais obras são hilárias e, às vezes, ele até faz uma pequena review sobre elas.

Um punhado de erros que não batem bem

F.I.S.T.: Forged In Shadow Torch é um Metroidvania que não foge muito do comum. Os aprimoramentos que proporcionam novas descobertas pelo mapa não são muito diferentes das já vistas. Porém, isso não remove sua capacidade de manter qualquer um ali querendo descobrir tudo que está escondido, e isso só ocorre principalmente por conta do combate. Por possuir um estilo mais arcade e, em certos momentos, até um hack n’ slash, F.I.S.T. instiga a querer comprar melhorias para as armas de Rayton e descobrir as respostas do enredo.

O grande ponto triste da minha experiência realmente foram os problemas técnicos presenciados. Comumente, eu não me importo muito com fps e gráficos impecáveis, mas quando isso me desmotiva a permanecer jogando é porque a coisa está feia. Sério, não há nada mais triste do que querer trilhar todos os pontos do mapa e, infelizmente, algumas áreas demorarem a renderizar ou simplesmente nem fazerem isso. Portanto, se for um apreciador de Metroidvania, F.I.S.T. é divertido e merece sua atenção, mas espere por algum patch de correção caso não queira experienciar de forma menos incômoda.

Cópia de Switch cedida pelos produtores

Revisão: Jason Ming Hong

F.I.S.T.: Forged In Shadow Torch

7.5

Nota final

7.5/10

Prós

  • Mitologia chinesa
  • Combate dinâmico e divertido
  • Enredo
  • Customizações diversas

Contras

  • Muitos problemas técnicos