Câmera fixa, gráficos em um estilo retrô e uma fórmula de survival horror um pouco mais clássica: quem não gosta disso? Muita gente, mas os desenvolvedores da Malformation Games sabem que ainda existem bastantes fãs que apreciam experiências de terror de sobrevivência que unem o melhor do passado com as evoluções da atualidade — resultando em Ground Zero, um novo lançamento para PC e consoles. O jogo traz novidades até interessantes para o gênero, mas não é tão engajante em sua totalidade.
Desenvolvimento: Malformation Games
Distribuição: Kwalee
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Terror
Classificação: 12 anos (violência, temas sensíveis, linguagem imprópria)
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S
Duração: 15 horas (campanha)
Um pesadelo coreano

Ground Zero é situado em uma versão da Coreia do Sul que foi destruída pelo impacto de um meteoro. Os eventos da campanha começam quando Seo-Yeon Yang, uma agente de elite coreana, e Evan, seu parceiro canadense, são enviados para investigar as ruínas de Busan e descobrir o que aconteceu após o fim de uma tempestade de raios — naturalmente dando início a um novo pesadelo, marcado justamente pelas criaturas sinistras que surgiram no local por causa do meteoro. É uma trama relativamente comum para um jogo de survival horror, existindo mais como uma desculpa para que a jogabilidade aconteça. O problema, no entanto, é que várias de suas cutscenes são meio enfadonhas, com conversas exageradamente longas entre os personagens.
Na gameplay, existe a possibilidade de usar os tradicionais controles tanque (quando o personagem gira em relação a direção para qual está olhando) e controles modernos (andando de acordo com a câmera), sendo um game que atinge dois perfis diferentes – quem cresceu com o survival horror e prefere até controlar os protagonistas pelos direcionais ou quem gosta de algo compatível com o restante dos jogos atuais, utilizando o analógico do joystick para controlar Seo-Yeon e Evan.

Ground Zero, mesmo sendo uma grande homenagem aos clássicos de quase 30 anos atrás, também tem um pouco de modernidade em suas mecânicas — principalmente porque é permitido atirar enquanto mira, além de utilizar o analógico direito para mirar livremente pelos cenários. Dá para alterar a dificuldade do combate e dos puzzles de forma independente, sendo possível ter confrontos difíceis e quebra-cabeças simplificados ou vice-versa, e há eventos de ação rápida para reagir aos inimigos e até a possibilidade de escaneá-los depois de mortos, no melhor estilo de Resident Evil Revelations. A mais criativa dessas ideias são os cofres, que exigem a resolução de operações matemáticas, como subtração, por exemplo — é uma gameplay completa e pouco limitada, embora a aparência do game dê essa sensação.
Gráficos pré-renderizados e uma interface minúscula

Ground Zero tem uma câmera com ângulos fixos cinematográficos combinada com visuais pixelados, inspirados nos games da época do primeiro PlayStation. A qualidade gráfica é bem satisfatória para o que o jogo se propõe a ser, com cenários que, segundo os produtores, são pré-renderizados. Os mapas são bem detalhados e contam com efeitos de iluminação que conseguem entregar um clima atmosférico e caótico — elevado com sucesso por uma trilha sonora presente, que cria uma sensação de terror que complementa perfeitamente a experiência.
Porém, existem alguns pequenos problemas que atrapalham a experiência, pois a visibilidade da interface é, no geral, péssima. Os responsáveis optaram por utilizar fontes pequenas em quase todas as telas do jogo, que não tentam de forma alguma ter um estilo de HUD um pouco mais notável — tanto que os ícones de certos eventos de ação rápida podem ser tranquilamente confundidos com os elementos dos mapas.

Além disso, algumas referências que os produtores usaram como inspiração são óbvias demais, especialmente em certas partes do mapa, que lembram muito os jogos de Resident Evil situados no caos de Raccoon City. Ground Zero foca bastante no lado urbano da Coreia do Sul, mas não chega a passar tanta originalidade assim por causa da semelhança com várias fases dos clássicos da Capcom, que se passam em um país e cidade completamente diferentes.
É legal, apesar da história arrastada
Ground Zero é um jogo fascinante. Com uma jogabilidade no estilo mais tradicional do terror de sobrevivência, focada em puzzles em um universo pouco linear, o game traz uma gameplay diversa em meio a uma trama que tem suas qualidades, mas que não chega a ser tão interessante, sobretudo pela forma maçante como ela é apresentada ao longo da campanha.
Cópia de PC cedida pelos produtores
Revisão: Jason Ming Hong




