Anunciado com pompa logo no final da cerimônia do último The Game Awards, Highguard certamente teve uma recepção no mínimo esquisita por parte da comunidade — recepção essa que foi respondida pelos desenvolvedores com um completo silêncio até a data de lançamento do jogo. 47 dias depois desse anúncio, o game finalmente está entre nós, trazendo uma experiência multiplayer diferenciada, ao mesmo tempo em que não realmente atinge o seu devido potencial.
Desenvolvimento: Wildlight Entertainment, Inc.
Distribuição: Wildlight Entertainment, Inc.
Jogadores: 6 (online)
Gênero: Tiro
Classificação: 14 anos (violência, linguagem imprópria, compras em jogo, interatividade online, conversa em jogo)
Português: Dublagem, legendas e interface
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 30 minutos (partida)
Um raid shooter

O loop de gameplay básico apresentado por Highguard é o mesmo de qualquer hero shooter: nós selecionamos um herói (de um grupo chamado Sentinelas, no game), que tem suas armas e habilidades especiais únicas, para trabalhar em equipe e cumprir um objetivo específico. Há oito Sentinelas no lançamento, entre classes de destruição, reconhecimento, ataque, defesa e suporte, que ficam reunidos em times de até três jogadores em cada lado.
O objetivo é explodir a base da equipe adversária, em partidas de incursão que podem durar de oito a trinta minutos. Primeiro, é necessário explorar o mapa em busca de equipamentos, depois entrar em confronto com os rivais para conquistar a Invasora e, logo em seguida, utilizar essa arma para invadir a base e plantar as bombas — que, claro, podem ser desarmadas pela equipe que está sendo atacada, que tem toda a chance de revidar e virar o jogo.

A principal diferença da jogabilidade, que conta com mecânicas de tiro em primeira pessoa bastante responsivas, é a adição da montaria. Os jogadores podem utilizar um cavalo, um urso, uma pantera ou até um grifo para atacar os oponentes e se movimentar pelo mapa — que é enorme. O problema é que, por causa do tamanho do mapa, o game acaba parecendo vazio, já que existem apenas três jogadores em cada equipe. Jogos nesse estilo precisam de um pouquinho de caos, e Highguard seria um game mais divertido se tivesse dez Sentinelas de cada lado em vez de três, por exemplo.
É gratuito

Visualmente, Highguard apresenta uma boa direção artística, mas muitas partes do mapa possuem uma qualidade técnica relativamente ruim, com texturas em baixa resolução e modelos 3D sem tantos detalhes. Isso, no entanto, é justificável pela proposta mercadológica do jogo — um free-to-play precisa atingir um bom público para se manter sustentável, incluindo quem não tem um computador dos mais potentes.
O shooter é monetizado com a venda de itens meramente cosméticos, como skins para armas, Sentinelas e montarias. Tudo é vendido por meio de uma moeda paga, chamada de “Ouro de Altaguarda”, então um pacote de skins pode acabar custando cerca de R$ 100 – é meio absurdo. Também há itens que podem ser conquistados durante a jogabilidade normal, com o cumprimento de missões que recompensam o jogador depois de finalizar objetivos simples, como reforçar paredes, abater inimigos, entre outros.

A experiência online propiciada por Highguard funciona bem, sem problemas de latência, e há até mesmo dublagem completa em português — é um jogo com padrões de qualidade AAA, apesar de ter sido feito por um estúdio independente. Highguard também é um jogo no modelo live service, então os desenvolvedores farão várias atualizações ao longo do tempo, como a inclusão de mapas novos, bases, modos, Sentinelas, entre outros. Todo esse conteúdo será adicionado gratuitamente para todos os jogadores, então vai valer a pena ir acompanhando o progresso do game — que ainda precisa melhorar muito.
Ainda primitivo
Highguard, em sua versão de lançamento, já possui uma boa base, que inegavelmente precisa ser aprimorada pela equipe de desenvolvimento. Só o tempo dirá se a comunidade seguirá no jogo, mas os produtores já garantem, no mínimo, um ano inteiro de suporte. Acima de tudo, esse é um nome para ficar de olho, porque todas as ideias apresentadas na gameplay funcionam bem, precisando somente ser melhor desenvolvidas.
Revisão: Jason Ming Hong




