Ink Inside é um daqueles indies que surpreendem logo de cara pela proposta incomum e pela personalidade transbordando em cada detalhe. Misturando beat ’em up, RPG leve e partidas de queimada como principal mecânica de combate, o game coloca você no controle de Stick, um boneco de palito de um braço só que ganha consciência em um mundo desenhado pela imaginação de uma garota chamada Hannah. A missão é salvar livros inteiros de serem corrompidos pelo “sog”, uma força estranha que distorce personagens, cenários e memórias, enquanto a narrativa costura momentos divertidos, emocionais e inesperadamente sensíveis.
Desenvolvimento: Blackfield Entertainment
Distribuição: Entalto Publishing
Jogadores: 1–2 (local)
Gênero: Ação, Aventura, RPG
Classificação: 10 anos (Violência leve, temas fantasiosos)
Português: Não
Plataformas: PC, Switch, Xbox Series X|S, PS5
Duração: 12 horas (campanha)
Um mundo rabiscado cheio de personalidade

O maior destaque de Ink Inside está em sua identidade visual. Todo o universo do jogo parece ter saído diretamente de um caderno escolar, com personagens desenhados a lápis, em giz de cera e em recortes que lembram papel. Essa estética “doodle” não é apenas um charme visual, mas também parte essencial da narrativa. O jogo brinca constantemente com a ideia de fantasia versus mundo real, inclusive usando trechos em vídeo e memórias de Hannah para reforçar essa conexão entre imaginação e realidade.
Os cenários são vibrantes, repletos de pequenos detalhes animados e de variações de estilo que tornam cada área única. Há uma sensação constante de estar explorando um livro infantil que ganhou vida, algo que remete levemente a Toy Story, mas com uma identidade própria muito bem definida.
Queimada como combate

Pode soar estranho à primeira vista, mas a ideia de transformar dodgeball no centro do combate funciona surpreendentemente bem. As batalhas são rápidas, dinâmicas e de alto impacto. Você arremessa bolas, rebate ataques inimigos, atravessa a linha do campo em momentos específicos e usa habilidades especiais que quebram as regras do jogo — literalmente.
Com o avanço da campanha, novas bolas são desbloqueadas, cada uma com efeitos diferentes, além de equipamentos que alteram atributos, como escudos, dash aprimorado e bônus passivos. Chefes são bem construídos e exigem atenção ao posicionamento e ao próprio cenário, já que o ambiente também pode causar dano. O resultado é um sistema de combate simples de aprender, mas que não se torna repetitivo.
Cooperativo que eleva a experiência

Ink Inside pode ser jogado sozinho, mas brilha ainda mais no modo cooperativo local. Jogar com outra pessoa torna tudo mais caótico, divertido e imprevisível. É possível roubar a bola do colega, dividir tarefas em batalhas e explorar juntos as áreas cheias de segredos e missões secundárias.
O equilíbrio entre single-player e co-op é bem ajustado, sem picos artificiais de dificuldade. O jogo também se adapta bem ao Steam Remote Play, o que amplia ainda mais as possibilidades para quem quer jogar em companhia. A única ressalva é a configuração inicial dos controles no teclado, que pode exigir um pouco de paciência.
Interface clara e progressão bem explicada

O game incentiva bastante a exploração e a realização de missões secundárias, que oferecem recompensas importantes para a progressão. Mesmo sem acesso imediato ao mapa, os cenários são bem conectados e fáceis de navegar, o que reduz a frustração.
A interface, no geral, é limpa e funcional, com menus claros, descrições detalhadas de itens e tutoriais que surgem no momento certo. Novas mecânicas são introduzidas gradualmente, evitando confusão e permitindo que você absorva tudo no seu ritmo.
O maior problema aqui é que, apesar de todo o trabalho narrativo ser muito bem composto, o nosso idioma ficou de fora. Então, quem não entende nada além do PTBR vai ficar bem decepcionado por ter apenas inglês e japonês como opções.
Um produto criativo, mas com problemas
Ink Inside é um exemplo de como criatividade e identidade podem transformar uma ideia simples em algo memorável. Este é um indie que mistura humor, emoção e ação de forma sincera, demonstrando que até uma partida de queimada pode carregar uma grande aventura. Porém, a versão de Switch pode não ser a melhor pedida.
Cópia de Switch cedida pelos produtores




