Depois de oito longos anos de espera e um reset de desenvolvimento no meio do processo, Metroid Prime 4: Beyond finalmente chega às lojas, incluindo para o sucessor do Nintendo Switch. Entre acertos e erros, é um jogo que se encaixa bem na subfranquia, não subindo nem baixando o nível.
Desenvolvimento: Retro Studios
Distribuição: Nintendo
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Aventura
Classificação: 14 anos (violência)
Português: Legendas e interface
Plataformas: Switch, Switch 2
Duração: 13 horas (campanha)/16.5 horas (100%)
Demorou, mas saiu

Surgida no GameCube, a série Metroid Prime transmuta as aventuras de Samus Aran para um jogo 3D em primeira pessoa, ao mesmo tempo que mantém a essência dos jogos tradicionais da franquia, com exploração, upgrades e combate. Ou seja, aquilo que a série sempre teve e ajudou a fundar um gênero. O primeiro jogo foi muito bem recebido, assim como suas sequências, ainda que com menos entusiasmo, além de alguns spin-offs portáteis que não chamaram a atenção.
Assim, a empolgação foi grande quando, na (falecida) E3 de 2017, a Nintendo anunciou a esperada sequência da série, para seu futuro console, o Switch. Não contente com o trabalho feito pela Bandai Namco, em 2019 a Nintendo mudou o desenvolvimento para o Retro Studios, time responsável pelos três jogos originais. Mesmo assim, o jogo ainda demoraria bastante, sendo lançado apenas agora, inclusive para o sucessor do Switch.
O básico se mantém

Beyond mantém o básico: controlamos Samus em primeira pessoa, passando por diferentes ambientes enfrentando criaturas hostis, sejam robôs ou vida nativa do planeta Viewros. A heroína pode atirar plasma, carregar o tiro, pular, transformar-se em esfera e escanear o ambiente, obtendo informações sobre o mundo ao seu redor. A jogabilidade é bastante fluida e controlar Samus é agradável.
Como nos outros jogos da série, temos alguns tipos diferenciados de tiro. Além dos mísseis, em Beyond vamos desbloqueando tiros elementais de fogo, gelo e eletricidade, cada um com diferentes utilidades ao longo dos cenários. Essas variações são divertidas e incentivam a experimentar e se surpreender com os efeitos em diferentes inimigos. Além de, claro, servir como forma de ir destravando novas áreas ou segredos durante o backtracking.
O andamento do jogo também é típico. Vamos avançando pelas áreas, enfrentando inimigos, coletando itens e upgrades. De tempo em tempo, precisamos voltar em algumas áreas para coletar upgrades ou mesmo algum item para prosseguir na história. Atravessamos florestas, vulcões, geleiras. Eventualmente, encontramos chefes, que proporcionam boas e desafiadoras batalhas, exigindo que você use bem o seu arsenal para avançar.
Novidades não empolgam em si

A primeira novidade do jogo são os chamados poderes psíquicos que Samus adquire para sua armadura, relacionados aos elementos da história. Alguns desses efeitos psíquicos incluem habilidades que já existiam nos outros jogos, como o gancho ou grudar em trilhas com a esfera. Efeitos novos incluem controle de dispositivos e um tiro lento e direcionado. Não achei essas mecânicas muito incríveis, mas estão lá.
Outra novidade é a moto Vi-0-La, que tem parte na história e pode ser usada principalmente no deserto, que é uma área ampla que serve como um hub entre os mapas principais do jogo. Além de te transportar rapidamente, a moto também pode atacar e é necessária para destravar alguns ambientes. No deserto, há bem pouco a se fazer, como coletar cristais, encontrar alguns itens e enfrentar inimigos que te interceptam. Essa área gerou bastante debate e eu não necessariamente odiei, mas não acho que acrescentou algo legal à experiência, além de ter achado ruim a obrigação de coletar certa quantidade de cristais para terminar a aventura.
Controle como preferir

O jogo fornece três métodos de controle: apenas botões, controle por mouse e controle por movimento. Eu estava bastante curioso com o controle por mouse, novidade que naturalmente existe apenas no Switch 2, mas acabou que não gostei muito. Ainda que seja mais preciso para mirar, é inconveniente usar o Joy-Con 2 como mouse e pressionar os botões de face para transformar em esfera e ligar o escâner, coisas que você faz a todo momento durante o jogo.
Por sua vez, controlar com movimento é excelente, assim como era em Metroid Prime Trilogy no Wii. Você controla a mira com o Joy-Con 2 direito e se movimenta com o analógico esquerdo. Por fim, usar somente botões é normal e, na minha opinião, bem menos divertido, e eu só usei quando joguei de forma portátil.
Artisticamente, o time do Retro Studios mandou muito bem. Metroid Prime 4 é um dos jogos mais bonitos do Switch 2 até o momento, com excelentes ambientes, personagens e monstros. Os cenários são muito bonitos, com cada área apresentando seu ecossistema próprio. A exceção é o deserto, que é bastante sem graça. Por fim, a trilha sonora também é excelente, criando climas extraterrestres e de mistério ideais para os eventos que presenciaremos.
Não pense que demorou tanto tempo assim
Eu acho que nenhum jogo pode cumprir uma expectativa de oito anos. Assim, se você esperar uma obra-prima de Metroid Prime 4: Beyond, vai se decepcionar. Mas, caso goste da série, de jogos em primeira pessoa ou de metroidvanias, encontrará uma divertida aventura para explorar Viewros com Samus e seus companheiros de expedição.
Cópia de Switch 2 adquirida pelo autor
Revisão: Julio Pinheiro




