Capa de OPUS: Prism Peak

Review OPUS: Prism Peak (PC) – Uma história fotográfica

A franquia OPUS surgiu em 2016 e, desde então, vem lentamente conquistando mais e mais fãs através de jogos que unem uma gameplay diferenciada com uma narrativa espetacular. A série tem títulos sem relação direta entre si e está chegando ao seu quarto lançamento, OPUS: Prism Peak. Colocando o jogador no papel de um fotógrafo, o título proporciona uma experiência cinematográfica cativante, com uma trama repleta de personagens carismáticos que merece muita atenção.

Desenvolvimento: SIGONO INC.

Distribuição: Shueisha Games

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Aventura

Classificação: Livre

Português: Não

Plataformas: PC, Switch, Switch 2

Duração: 9 horas (campanha)

Um fotógrafo, uma menina e vários espíritos de animais

Cena da campanha de OPUS

O protagonista de OPUS: Prism Peak se chama Eugene, um homem de 40 anos que trabalhou por muito tempo como fotógrafo, vivendo um sonho até que a vida aconteceu e ele precisou largar a profissão por um certo período. No começo da trama, ele está dirigindo a caminho do velório de seu avô, que, durante a infância, incentivou e ensinou o protagonista a tirar fotos, colecionando momentos memoráveis que são relembrados em toda oportunidade possível por Eugene.

Porém, o protagonista sofre um problema bizarro, ficando preso em um túnel que se repete várias vezes, encontrando nele Ren, uma menina que o salva de um tsunami de escuridão. Juntos, eles caem do nada em uma floresta, onde Eugene encontra um cervo com uma câmera — e, ao tirar uma foto dele com a menina, ela não aparece no visor da câmera. A partir disso, começa um mistério que vai sendo desenvolvido conforme Eugene embarca em uma missão muito fantasiosa para encontrar a casa dessa garota, que fica em uma cidade sem nome.

Ren, de OPUS Prism Peak

OPUS: Prism Peak é carregado por sua narrativa. A proposta dela, por si só, já foge do comum dos games e é muitíssimo bem elaborada, com bastante atenção aos detalhes da vida do protagonista, por mais irrelevantes que eles sejam para o mistério propriamente dito do game — que, ao longo de sua campanha, mostra ser, mais do que tudo, uma aventura focada nas interações e conversas entre Eugene e Ren, além do restante dos personagens, que, em grande parte, são espíritos que surgem nos mapas. É tudo muito carismático e sincero, sendo um jogo que vale a pena ser prestigiado por essa ótica, que certamente mostra para onde os games podem evoluir em termos de roteiro.

Tirando fotos e anotando num diário

Foto tirada em OPUS

A gameplay de OPUS: Prism Peak é simples, consistindo em andar pelos cenários para explorar todos os cantos de cada fase, interagindo com objetos e tirando fotos. Aos poucos, é possível descobrir novas informações que vão elucidando os pequenos detalhes da trama. Muito dela é ofuscado de início como uma desculpa para que a jogabilidade aconteça, já que é necessário anotar no diário alguns detalhes sobre os eventos da narrativa — que têm um alfabeto diferentão em várias peças-chave de sua história.

Isso traz um misticismo para a trama que se enquadra com toda a proposta fantasiosa de OPUS: Prism Peak, mas, em compensação, atrapalha a compreensão dos eventos, principalmente porque o jogo não conta com uma localização para o português. Não são poucas as vezes em que o jogo pede um entendimento do inglês acima da média para saber exatamente o que deve ser feito em sequência — a câmera de Eugene é chamada de “Finding Eye” (olho perspicaz), justamente porque o protagonista usa o dispositivo para ajudar os espíritos a literalmente se enxergarem.

Diálogos em OPUS: Prism Peak

Antes de tirar uma foto boa o suficiente para mostrá-la aos outros personagens, é preciso manipular a câmera com sucesso. Não é só fotografar, pois é necessário limpar a lente do aparelho, ajustar a exposição da câmera e trabalhar o foco da imagem corretamente para que as fotos fiquem bonitas. É uma gameplay funcional e que se complementa com a proposta do game, ajudando também a conhecer mais do universo do título ao fotografar objetos pelo cenário que não possuem uma relação direta com o que precisa ser feito para progredir na campanha.

Quase graficamente impecável

Gameplay de OPUS: Prism Peak

O jogo tem uma trilha sonora relaxante que combina com a experiência, que também tem seus momentos intensos. No geral, OPUS: Prism Peak tem visuais ótimos, ainda que seja possível notar a todo instante que essa não é uma produção com um orçamento grandioso, com falhas perceptíveis na animação dos personagens, por exemplo.

O título tem uma direção artística semelhante à dos animes, mas com cores lavadas e que sofrem de problemas de color banding, uma perda da suavidade tonal que causa linhas visíveis nos degradês que compõem grande parte dos cenários. Além disso, o desempenho da versão de PC é inconsistente, com travamentos principalmente em novos mapas ou em transições de câmera no decorrer das cutscenes.

Ainda ganhando atualizações

Personagens de OPUS: Prism Peak

OPUS: Prism Peak já foi lançado em um estado finalizado, mas, pelo menos, está recebendo atualizações para melhorar seu lado técnico e corrigir esses probleminhas de performance. Além de prometer melhorar o desempenho em todas as plataformas, os desenvolvedores prometem aprimorar alguns puzzles da campanha e até adicionar novas cutscenes nos finais da trama, que conta com quatro capítulos e quatro finais diferentes, que dependem das interações do jogador com os personagens para serem desbloqueados.

Talvez, portanto, seja uma boa aguardar até que o trabalho feito pelo pessoal da SIGONO seja de fato completado e devidamente polido. Games narrativos nesse estilo não combinam tanto com a ideia de uma experiência atualizada com melhorias, porque quem jogou primeiro, vai ter jogado uma versão do jogo pior do que quem esperou um pouco mais e jogou depois. Não que o que já foi lançado seja ruim nem nada do tipo, mas as chances do que já era bom ficar ainda melhor são altas.

Único e intrigante

OPUS: Prism Peak, mesmo com seus pequenos problemas técnicos, certamente eleva os padrões de sua franquia com uma apresentação excelente e uma trama sensacional, que inclui uma jogabilidade que combina com a história contada pelos desenvolvedores da SIGONO. É um jogo imperdível para todos os fãs de games que seguem essa linha cinematográfica e interativa, mas a recomendação de esperar um pouco mais pelas atualizações continua.

Cópia de PC cedida pelos produtores

Revisão: Jason Ming Hong

OPUS: Prism Peak

8.5

Nota Final

8.5/10

Prós

  • Boa trama
  • Jogabilidade sensacional

Contras

  • Problemas de desempenho no PC
  • Animações sem tanto polimentos
  • Sem tradução