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Review Resident Evil Requiem (PS5) – Abraçando as origens e o futuro

Resident Evil Requiem chega com a proposta de abraçar o legado da série, sem renovar novamente a jogabilidade, mas homenageando tudo que veio nos oito títulos principais anteriores. Ao tentar agradar gregos e troianos, a Capcom teve êxito, entregando um excelente jogo de terror e de ação.

Desenvolvimento: Capcom
Distribuição: Capcom
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Terror, tiro
Classificação: 18 anos (linguagem imprópria, violência extrema)
Português: Legendas, interface e dublagem
Plataformas: PC, PS5, Switch 2, Xbox Series X|S
Duração: 10.5 horas (campanha)/29 horas (100%)

Sombras do passado persistem

O jogo roda muito bem, tanto nas cenas quanto durante a gameplay
Leon está cansado, mas os gráficos o deixam com um visual melhor do que nunca

Nono jogo principal da série, Resident Evil Requiem retorna a um caminho mais familiar para o enredo dos primeiros títulos, após dois jogos um pouco deslocados em termos de roteiro, que contaram a história de Ethan Winters. Começamos conhecendo a primeira protagonista, Grace Ashcroft, filha de Alyssa Ashcroft, personagem apresentada no spin-off Resident Evil Outbreak. Agente do FBI, Grace recebe a missão de investigar a mais recente morte esquisita de um sobrevivente do incidente de Raccoon City. Ao mesmo tempo, o veterano Leon Kennedy também está investigando essas ocorrências, com suporte de Sherry Birkin.

Eles também têm questões pessoais na busca, pois estão apresentando sintomas da infecção. Após algum tempo, os caminhos de Grace e Leon se cruzam, e nessa mistura também entram os primórdios da série com papel preponderante, como nunca visto desde a trilogia original. Levando em conta o contexto e limitações de jogos de terror e da franquia em si, é uma história bem bacana e vai te deixar atento até o final, com Grace sendo mais uma boa personagem para o elenco da série.

Terror e ação, ação e terror

Joguei boa parte em terceira pessoa, porque prefiro assim
Com Grace, a visão em primeira pessoa aumenta a imersão no terror

E esse contexto do enredo tem implicações na jogabilidade. Basicamente, são duas formas de gameplay: controlando Grace, temos um jogo de terror inspirado no início da série e em RE7, enquanto Leon apresenta muita ação, como em RE4, 5 ou 6. Grace é franzina e um pouco medrosa, usando apenas armas leves e prefere fugir do que entrar em combate. Suas partes são mais focadas na clássica gameplay de buscar chaves e itens para abrir portas e ir desvendando o ambiente, com recursos limitados e podendo carregar poucos itens. Já Leon, ainda que não mais um jovenzinho (a passagem de tempo da série acompanha a vida real), é um soldado de respeito que usa todo tipo de arma ao seu alcance para destruir zumbis e monstros diversos.

Nosso personagem controlado é revezado ao longo da campanha, com momentos mais longos ou mais curtos em que passamos no comando de cada um. Além do design das fases e das diferentes possibilidades de gameplay de cada um, por padrão a câmera de Grace é em primeira pessoa e a de Leon, em terceira. Acertadamente, a Capcom implementou a possibilidade de escolhermos a qualquer momento como queremos a câmera para cada um deles (e não apenas em um DLC pago, como em RE8). Eu achei que é bem evidente que a câmera padrão é o ideal para o estilo de jogo com cada personagem, mas ter a opção de escolha é muito bom.

Basta aproveitar a aventura

Algumas armas podem deixar a visão em primeira pessoa, mesmo na jogabilidade na terceira
Câmera sobre o ombro, tornada famosa pelo próprio Leon, segue presente

Com essa boa proposta na mesa, basta então aproveitarmos a aventura. E ela é excelente: a jogabilidade pega o melhor dos lançamentos desde RE7, incluindo os remakes, e junta tudo em um só jogo. Os controles são fluidos, há diferentes possibilidades de enfrentar os zumbis e o layout dos ambientes os torna instigantes de serem explorados. Os zumbis, aliás, em alguns momentos possuem até mesmo personalidades distintas e são afetados por diferentes ações.

Mas, se tem algo que esse esquema de dois protagonistas prejudicou, é que nenhum deles teve seu potencial desenvolvido ao máximo, como em outros dos jogos recentes. O game tem uma duração semelhante aos últimos jogos da franquia, o que significa que o desenvolvimento dos personagens tenderia a acabar dividido.

O custo é não se aprofundar

Esses são alguns dos itens que ela pode criar usando o sangue dos infectados
Grace pode usar itens que explodem zumbis imediatamente

Grace pode criar itens a partir de componentes achados em campo e do sangue infectado encontrado pelo chão ou de inimigos mortos. Já Leon ganha pontos matando inimigos, usados para comprar itens e aprimorar suas armas (Leon também cria itens, mas não é tão fundamental para sua sobrevivência). Mas não há um desenvolvimento de arsenal tão elaborado como vemos em RE4 ou 8, sendo até um pouco básico demais. Fica a sensação de que, caso o jogo fosse somente dele, haveria tempo para ir mais a fundo. O mesmo vale para Grace, que também tem sistemas bacanas que poderiam ser mais explorados.

Fica claro então que a Capcom optou por um trade-off aqui, mas que eu achei válido, tornando a jogabilidade dinâmica e ofertando diferentes possibilidades de gameplay em um único jogo. Tecnicamente, Requiem roda muito bem no PlayStation 5, com gráficos excelentes. Só achei uma pena não ser possível mirar com movimento (como na versão de Switch 2), nem as luzes do controle mostrarem o estado da vida do personagem (como acontece em vários jogos da série desde o PS4).

Que venham mais décadas

Resident Evil Requiem chega para levar a série de volta ao seu caminho conhecido, depois do desvio de foco nos dois jogos anteriores, mas aproveitando também as boas coisas que RE7 e RE8 trouxeram. Assim, esse grande lançamento à época dos 30 anos da série é bastante simbólico ao abraçar um pouco de cada elemento que trouxeram a maior franquia da Capcom até aqui.

Cópia de PS5 fornecida pelos produtores

Revisão: Julio Pinheiro

Resident Evil Requiem

9.5

Nota final

9.5/10

Prós

  • Duas formas distintas e excelentes de gameplay
  • Gráficos e desempenho fantásticos
  • História mantém o jogador interessado e fecha pontas soltas

Contras

  • Jogabilidade dos personagens não é tão bem desenvolvida
  • No PS5, faltou usar os recursos do DualSense