Romancing SaGa: Minstrel Song Remastered é daqueles relançamentos que te fazem refletir sobre como o tempo muda nossa relação com certos jogos. O que um dia foi ousado, experimental e até revolucionário hoje pode soar lento, confuso ou excessivamente punitivo. Jogar Minstrel Song, atualmente, lembra muito rever filmes da infância: o carinho continua lá, mas o ritmo, as escolhas de design e a falta de direcionamento escancaram o quanto essa experiência pertence a outra era. Ainda assim, existe algo fascinante na forma como o game insiste em seguir sua própria filosofia, mesmo décadas depois.
Desenvolvimento: Square Enix
Distribuição: RedDeer.Games
Jogadores: 1 (local)
Gênero: RPG
Classificação: 12 anos (Violência Moderada, Linguagem Imprópria)
Português: Não
Plataformas: PC, Switch, PS4, PS5
Duração: 30 (campanha)
Liberdade como virtude e armadilha

Minstrel Song coloca a liberdade no centro de tudo. Você escolhe entre oito protagonistas logo no início, cada um com sua própria história, motivações e caminhos possíveis no mundo aqui. Em teoria, isso é brilhante: a narrativa se molda às suas decisões, e a ordem dos eventos pode mudar drasticamente dependendo de quem você escolher e do que decidir fazer. Esse conceito, inclusive, antecipa ideias que hoje vemos refinadas em jogos como Octopath Traveler.
Na prática, porém, essa liberdade cobra um alto preço. A quase total falta de orientação faz com que escolhas iniciais erradas resultem em campanhas desinteressantes ou frustrantes. É fácil se sentir perdido, sem saber se você está avançando corretamente ou apenas vagando sem propósito. Para quem não tem paciência ou afinidade com RPGs extremamente abertos, isso pode fazer o interesse despencar rapidamente.
Um RPG que exige paciência

Explorar o mundo de Minstrel Song exige tempo, atenção e, acima de tudo, tolerância. O game espera que você experimente, erre e aprenda por conta própria. Missões podem ser perdidas sem aviso, eventos passam despercebidos e o simples ato de “andar por aí” consome uma enorme quantidade de tempo. Em um cenário atual, em que os RPGs costumam respeitar mais o ritmo de quem joga, essa abordagem soa cansativa.
Ainda assim, para quem aprecia design sistêmico e experiências que não seguram a mão, há um charme único aqui. O sistema de progressão baseado em eventos globais, o crescimento orgânico dos personagens e a sensação de estar em um mundo que não gira ao seu redor continuam sendo elementos interessantes — mesmo envelhecidos.
Um remaster feito com cuidado

É impossível negar que esta versão remasterizada é um verdadeiro trabalho de preservação. Os visuais foram refinados; a interface recebeu melhorias importantes na qualidade de vida e novas traduções foram adicionadas, ampliando o acesso ao jogo. Além disso, novos personagens recrutáveis e pequenos ajustes tornam a experiência um pouco mais convidativa para quem já conhece a obra.
Mesmo assim, nenhuma dessas melhorias consegue mascarar por completo o fato de que Minstrel Song ainda carrega decisões de design muito datadas. O polimento existe, mas a base permanece praticamente intacta — para o bem e para o mal.
Uma experiência que pede contexto

Romancing SaGa: Minstrel Song Remastered não é um RPG para qualquer perfil. Ele exige envolvimento, curiosidade e disposição para aceitar frustrações como parte do pacote. Para fãs da franquia ou interessados na história do gênero, trata-se de um relançamento valioso. Para quem chega sem contexto, o risco de rejeição é alto.
No fim, é um game que continua extremamente fiel à sua identidade original. Isso é admirável do ponto de vista histórico, mas também limita seu apelo moderno. Acima de tudo, apesar do subtítulo ser “International”, não há a opção de PTBR, o que acaba sendo a maior limitação para o público brasileiro.
Diferente, mas não tão amigável
Romancing SaGa: Minstrel Song Remastered é um RPG que se mantém firme em sua visão autoral, mesmo sabendo que isso o afasta de parte do público atual. É uma experiência rica em possibilidades, mas pesada em exigências. Para alguns, será uma redescoberta emocionante; para outros, uma prova de que nem todo clássico envelhece com elegância.
Cópia de Switch cedida pelos produtores




