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Review Ruffy and the Riverside (Switch) – Quem copia e cola não sai da escola

Um protagonista carismático que não fala, um mentor que surge de vez em quando para dar dicas, cenários coloridos de encher os olhos e uma trilha sonora agradável: tudo indicava que Ruffy and the Riverside entregaria uma experiência encantadora. Entregaria. 

Desenvolvimento:  Zockrates Laboratories

Distribuição:  Phiphen Games LLC

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Plataforma, Aventura

Classificação:  Livre

Português: Legendas e interface

Plataformas: Switch, PC, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S

Duração: 8 horas (campanha)/13 horas (100%)

Chama atenção à primeira vista

Um lindo mundo para explorar

Produzido pela Zockrates Laboratories, Ruffy and the Riverside é um jogo de plataforma 3D (com momentos também em 2D) no qual você controla um fofo urso chamado Ruffy, que vive em um bosque chamado Riverside e trabalha em um ateliê. Seu mentor é uma toupeira chamada Sr. Eddler, que propõe explorar o mundo. Contudo, seus planos sofrem mudanças quando um vilão chamado Groll ataca o bosque. 

A premissa parece genérica, mas o jogo se diferencia por um detalhe: os personagens são em 2D contrastando com cenários em 3D, e Ruffy tem a habilidade peculiar de “copiar e colar” texturas do ambiente. Precisa escalar uma cachoeira? Basta copiar uma moita e aplicá-la na água para transformá-la em algo escalável. Quer destruir um baú de metal? Troque sua textura por madeira para poder quebrá-lo. Essa mecânica abre espaço para soluções criativas.

Em poucos minutos, percebemos os problemas

Pronto para se aventurar numa fase? Não, é só para ressolver um puzzle

À primeira vista, o jogo transmite aconchego e familiaridade, remetendo à estética de Paper Mario e às inspirações de Banjo-Kazooie. No entanto, o brilho inicial se dissipa quando percebemos o excesso de elementos espalhados no mundo, que, embora bonito, parece poluído de informações. Além disso, fases secundárias que exigem upgrades para serem completadas são apresentadas logo no início, sem qualquer aviso, o que gera frustração uma vez que você tenta resolvê-las. 

A troca de texturas, que deveria ser o grande trunfo do game, acaba se tornando um ponto frágil. Muitos puzzles não são intuitivos, restando apenas uma única solução para avançar. A jogabilidade básica inclui o esperado: correr, pular, atacar inimigos, usar a inércia para quebrar objetos e até planar com a ajuda de uma borboleta (recurso que usa uma barra de stamina). Esta última mecânica, além de ser muito útil em um jogo de plataforma 3D, também atribui valor no visual do personagem ao olharmos o fofo urso se segurando na borboleta enquanto desce de um local muito alto admirando o resto da paisagem.

Acertos e erros menores 

Os personagens são muito carismáticos

Apesar de alguns problemas de performance em alguns momentos da sua  gameplay, o jogo roda bem no Switch, muitas vezes com uma taxa de quadros acima dos 30fps, deixando uma jogatina bem fluída. Outro ponto são as legendas em português, com uma ótima localização para o nosso idioma. 

Já no campo artístico e de design, o título tropeça em alguns pontos evitáveis. A resolução de enigmas é burocrática, exigindo idas e vindas constantes — o famoso backtracking, mais comum em jogos de survival horror do que em plataformas coloridas. Outro deslize é a repetição de NPCs idênticos a Ruffy o que enfraquece a identidade do protagonista.

Tão carismático, tão equivocado

Ruffy and the Riverside é um tipo de game que, a todo momento, quer mostrar suas ideias brilhantes, mas isso quase foi fatal para o jogo. É indicado para quem gosta de explorar mundos e testar soluções criativas, mas pode decepcionar aqueles que esperavam fases mais lineares e uma mecânica de texturas usada de forma pontual.

Cópia de Switch cedida pelos produtores
Revisão: Julio Pinheiro

Ruffy and the Riverside

6

NOTA FINAL

6.0/10

Prós

  • Direção de arte
  • Personagens carismáticos
  • Boa trilha sonora

Contras

  • Falta de fases lineares
  • Enigmas pouco intuitivos