Prepare-se para entrar na arena! As câmeras estão ligadas, o público está sedento por sangue e o diretor acaba de dar o sinal verde. Showgunners parece ter saído diretamente de uma fita cassete de ficção científica dos anos 80, misturando a brutalidade e temática de game show brutal visto em “O Sobrevivente” (The Running Man), clássico filme de Schwarzenegger, com a precisão tática de XCOM.
Desenvolvimento: Artificer
Distribuição: Klabater
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Estratégia, Ação, Aventura
Classificação: 18 anos (violência extrema, temas sensíveis, linguagem Imprópria)
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 18 horas (campanha)/23 horas (100%)
Homicídio de entretenimento

Em Showgunners, você assume o papel de Scarlett Martillo, uma competidora com um passado trágico e um desejo ardente de vingança. O cenário é um futuro próximo onde a sociedade entrou em colapso e a única forma de entretenimento que resta é um game show mortal produzido pela Omega Corporation.
Diferente de outros jogos de estratégia onde você controla um esquadrão genérico, aqui a narrativa é pessoal. Scarlett não quer apenas sobreviver; ela quer derrubar o sistema por dentro. Essa motivação dá um peso extra a cada encontro, transformando o que poderia ser apenas uma sucessão de mapas táticos em uma jornada de ascensão social, ou melhor, ascensão por meio do empilhamento de corpos.
Scarlett não está sozinha. Ao longo da campanha, você recruta outros competidores, cada um com uma classe distinta. Temos o “tanque” que absorve dano, o especialista em longo alcance e o usuário de habilidades cinéticas. A sinergia entre eles é onde o jogo brilha. Planejar um combo onde um personagem empurra o inimigo para fora da cobertura para que Scarlett finalize com suas habilidades é extremamente satisfatório.
Uma dose de adrenalina

Um dos grandes diferenciais de Showgunners é o que acontece entre as lutas. O jogo não é apenas um menu de seleção de missões, pois você explora os níveis em tempo real, em fases de exploração repletas de puzzles e armadilhas. Pode parecer um detalhe pequeno, mas caminhar pelo cenário, desviar de fios de tropeço e encontrar segredos escondidos ajuda a construir o mundo de uma forma que jogos puramente táticos muitas vezes falham. Isso cria uma sensação de continuidade e perigo constante. Você nunca se sente “seguro” apenas porque o combate acabou — um passo em falso em uma mina terrestre pode arruinar o HP do seu personagem antes mesmo da próxima luta começar.
Enquanto isso, o design dos mapas de combate é fenomenal. Em vez de campos abertos aleatórios, cada arena é meticulosamente construída para ser um “quebra-cabeça da morte”. O uso de coberturas é essencial, mas o jogo introduz elementos de cenário que podem ser usados a seu favor ou contra você. Barris explosivos, armadilhas de chão e até mesmo o “Diretor” do show, que pode alterar as regras no meio do turno, injetam uma imprevisibilidade deliciosa nas partidas.
Se você está em um reality show, precisa de fãs. Showgunners traduz isso em uma mecânica de gameplay interessante, o Sistema de Fama. Durante a exploração, você encontra fãs pedindo autógrafos. A forma como você responde (seja como um herói bondoso, um babaca arrogante ou um profissional focado) molda sua personalidade e ganhar fama permite que você assine contratos com marcas fictícias. Esses patrocínios oferecem bônus passivos essenciais, como cura extra entre turnos ou chances críticas aumentadas.
O neon encontra o metal

Visualmente, o jogo acerta em cheio no estilo “cyber-grindhouse”. As arenas são vibrantes, cheias de luzes de neon contrastando com o lixo e o sangue. As animações de finalização são brutais e bem coreografadas, lembrando bastante a satisfação visual que um Gears of War proporciona. Embora não seja o jogo mais tecnologicamente avançado do mercado, a direção de arte compensa qualquer limitação técnica com estilo de sobra.
A trilha sonora é composta por batidas industriais pesadas e sintetizadores que aceleram o coração durante o combate. Mas o destaque vai para o locutor do show. A voz do comentarista, sempre sarcástica e entusiasmada com a violência, é o que realmente vende a atmosfera de “entretenimento de baixo nível”. Ele comenta seus erros, celebra suas vitórias e faz você sentir que há milhões de pessoas assistindo a cada movimento seu.
Onde o show perde audiência

Embora a exploração em tempo real seja uma boa ideia, as armadilhas tornam-se repetitivas após as primeiras horas. Desviar de serras circulares ou esperar o tempo de uma labareda de fogo pode parecer um “enchimento” desnecessário entre os combates, que são a verdadeira estrela do jogo.
Ocasionalmente, a inteligência artificial toma decisões bizarras, como correr para o meio do nada e ficar exposta. Além disso, como em quase todo jogo do gênero, a “Linha de Visão” às vezes prega peças. Você acha que tem um tiro limpo, mas o jogo decide que um pequeno poste de luz bloqueia 100% da sua visão, o que pode ser fatal em dificuldades mais altas.
A árvore de habilidades de cada personagem é funcional, mas um pouco conservadora. Não há muito espaço para builds experimentais. Você geralmente acaba pegando as mesmas habilidades essenciais em toda campanha, o que diminui o fator replay para quem gosta de customização profunda de esquadrão.
Vale o ingresso?
Showgunners é uma lufada de ar fresco no gênero de estratégia por turnos. Ele não se leva muito a sério, abraça o absurdo do seu tema e entrega um combate sólido, desafiador e visualmente impactante. O jogo tem suas falhas de design, especialmente na seção de quebra-cabeças e na profundidade dos sistemas de RPG, mas o loop de lutar, ganhar fama e customizar Scarlett é viciante o suficiente para carregar as cerca de 15 a 20 horas de gameplay oferecidas pela campanha.
Cópia de Xbox Series X|S cedida pelos produtores
Revisão: Júlio Pinheiro




